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China lança investigação anti-dumping à UE antes de negociações em Pequim

Sevcovic deverá estar em Pequim na próxima semana.
Sevcovic deverá deslocar-se a Pequim na próxima semana. -  Direitos de autor  AP Photo
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De Simon Ormiston
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Com um défice diário de mil milhões de euros com a China, Bruxelas quase triplicou o ritmo das investigações comerciais e alerta para “medidas mais duras” se Pequim não apresentar algo concreto.

A China abriu uma investigação antidumping sobre um produto químico importado da União Europeia, a menos de uma semana da chegada a Pequim do comissário do Comércio da UE para conversações destinadas a travar a escalada de uma disputa.

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O Ministério do Comércio da China afirmou este sábado que vai analisar se o p-nitrotolueno de baixo preço proveniente da UE está a inundar o mercado chinês. Um porta-voz indicou que os produtores nacionais pediram a abertura da investigação, alegando “danos à produção e às operações”.

O produto é utilizado na fabricação de corantes, medicamentos e pesticidas e a investigação deverá concluir-se no prazo de 12 meses, com possível prorrogação de seis meses.

A decisão segue-se a uma investigação da UE, aberta em setembro, sobre importações de cloreto de polivinilo provenientes de vários países, incluindo a China. Pequim rejeita que a competitividade das suas empresas dependa do apoio estatal e já ameaçou com medidas de retaliação face às iniciativas europeias para travar a sua competitividade.

“A China reiterou repetidamente que a UE precisa de enfrentar diretamente os seus próprios problemas económicos e comerciais e de resolver as preocupações mútuas através do diálogo e da consulta”, afirmou o porta-voz.

Dumping: o que é

Fala-se em dumping quando uma empresa exporta um produto a um preço inferior ao praticado no mercado interno ou abaixo do custo de produção. As regras da Organização Mundial do Comércio permitem ao país importador responder com taxas adicionais, conhecidas como direitos antidumping, se uma investigação concluir que as importações baratas prejudicaram os seus produtores.

Bruxelas recorre a este instrumento com muito mais frequência. Em agosto, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, afirmou que a UE abriu 30 investigações de defesa comercial num ano, quase o triplo do ritmo habitual, numa altura em que as importações chinesas aumentaram 45 % em cinco anos.

Sefčovič viaja para Pequim

O comissário do Comércio da UE, Maroš Šefčovič, estará em Pequim a 8 e 9 de outubro para copresidir a uma sessão do Conselho de Comércio e Investimento UE-China e reunir-se com o ministro do Comércio, Wang Wentao. A visita assinala o prazo fixado por Bruxelas, em junho, para obter os primeiros resultados concretos do diálogo com Pequim.

Bruxelas quer garantias de que a China irá limitar as exportações para a UE e prolongar a trégua nas vendas de terras raras, numa altura em que o défice comercial do bloco ronda os mil milhões de euros por dia. Pequim já advertiu que responderá de forma firme a quaisquer novas restrições europeias às empresas ou produtos chineses.

Numa entrevista exclusiva à Euronews no mês passado, Sefčovič descreveu as conversações como altamente políticas e afirmou que as negociações têm de produzir resultados concretos. Sem esses resultados, alertou, haverá “um forte movimento político para pressionar, diria eu, por medidas mais severas”.

Disse ainda à Euronews que, se não tiver nada para apresentar aos líderes da UE, “o interesse político será procurar a solução através de outros instrumentos”. Esses líderes reúnem-se em Bruxelas a 15 e 16 de outubro, uma semana após a sua viagem.

Outras fontes • AFP

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