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Novo dia de protestos estudantis em França com manifestação marcada para Paris

Estudante à porta do liceu Hélène Boucher durante um protesto contra a falta de recursos nas escolas, em Paris, quinta-feira, 8 de outubro de 2026.
Estudante em frente ao liceu Hélène Boucher durante um protesto contra a falta de recursos nas escolas, em Paris, quinta-feira, 8 de outubro de 2026. -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Nathan Rennolds & Estelle Nilsson-Julien
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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, dirigiu-se ao país na noite de quarta-feira para tentar aliviar a crise, prometendo apresentar até ao final de outubro o plano do governo para responder à situação.

França prepara-se para mais um dia de protestos, com alunos do ensino secundário em todo o país a continuarem a manifestar-se contra a falta de professores, as más condições das instalações e as turmas sobrelotadas.

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Estudantes e sindicatos voltam esta quinta-feira às ruas, afirmando que o governo continua a não ouvir as suas reivindicações, com uma grande manifestação prevista em Paris.

Os alunos bloqueiam o acesso às escolas secundárias desde o final de setembro, incendiando caixotes do lixo e erguendo barreiras como parte do movimento.

Um jornalista da Euronews no terreno, no 5.º bairro de Paris, relatou na manhã de quinta-feira que as ruas já estavam cheias de estudantes, alguns dos quais arrastavam caixotes do lixo para o meio da estrada e entoavam palavras de ordem desde as 6h30.

Um estudante à porta do prestigiado Liceu Henri-IV disse à Euronews que tinha vindo participar num bloqueio “para mostrar todo o nosso apoio às escolas secundárias da periferia”.

“Foram eles que iniciaram este movimento e foram imediatamente alvo de repressão por parte da polícia”, acrescentou.

Outro aluno de uma escola tecnológica no 5.º bairro afirmou: “Há seis meses que não temos professor, não há professor substituto e vamos fazer exame nessa disciplina”.

“Na escola, para ser honesto, as condições em que vivemos não são famosas”, prosseguiu, acrescentando: “Pessoalmente, não acho normal sair às 17h45 – ou melhor, às 18h”.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, dirigiu-se ao país na noite de quarta-feira, numa tentativa de aliviar a crise, prometendo apresentar até ao final de outubro um plano do governo para responder à situação e negando que as forças de segurança tenham sido “instruídas para confrontar alunos do ensino secundário”.

“O seu papel é proteger bens, mas sobretudo pessoas, garantir que a lei é respeitada e permitir o acesso às escolas”, afirmou.

O ministro da Educação, Édouard Geffray, anunciou também esta quinta-feira que apresentará “um plano de emergência” para responder às ausências de professores “nas próximas horas ou dias”.

Por vezes, os protestos degeneraram em confrontos violentos com a polícia de choque, causando vários feridos graves, incluindo um adolescente que perdeu uma mão.

Sindicatos, organizações de direitos humanos e estudantes acusam os agentes de recorrerem a força desproporcionada, mas o ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, defendeu a resposta às manifestações e afirmou que as autoridades vão “continuar a fazer o que estamos a fazer: manter a ordem e intervir de forma proporcional sempre que surjam atos de violência”.

Ainda assim, França decidiu suspender temporariamente o uso de granadas de atordoamento na gestão das manifestações.

Anne Savinel-Barras, presidente da Amnistia Internacional França, saudou a decisão, mas defendeu que são necessárias medidas adicionais.

“As manifestações não devem ser campos de batalha. As granadas de atordoamento são concebidas para chocar, desorientar e semear o pânico, muitas vezes em multidões densas nas manifestações”, afirmou. “Algumas podem provocar perdas auditivas permanentes, bem como mutilações irreversíveis devido à onda de choque e aos estilhaços.”

Desde o início dos protestos, foram detidas milhares de pessoas, a maioria menores.

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