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Malta: viagens sem passaporte, agentes de IA e longevidade marcam cimeira global do WTTC

Termina em Malta a 26.ª edição da cimeira global do WTTC
Termina em Malta a 26.ª edição da Cimeira Global do WTTC -  Direitos de autor  World Travel & Tourism Council
Direitos de autor World Travel & Tourism Council
De Dianne Apen-Sadler
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Termina em Malta a 26.ª cimeira global do World Travel & Tourism Council: o que ficou por ver no ‘Davos das viagens’

Centenas das maiores figuras mundiais do turismo reuniram-se esta semana em Malta, na 26.ª edição da Cimeira Global do World Travel & Tourism Council (WTTC), para discutir os desafios e oportunidades que o setor enfrenta.

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Abrangendo tudo, desde o turismo de luxo e a longevidade até à experiência futura nos aeroportos e à forma como os destinos podem crescer de modo sustentável, os painéis ofereceram uma ideia clara das áreas em que governos e empresas se irão concentrar nos próximos anos.

A Euronews Travel acompanhou o encontro no terreno – eis alguns dos pontos que podem ter escapado.

Justin Trudeau: turismo é o melhor antídoto para um mundo cada vez mais fechado

O antigo primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, foi o principal orador deste ano, juntando-se à presidente e CEO do WTTC, Gloria Guevara, em palco para discutir “como aproveitar as oportunidades que se avizinham”.

Referindo-se diretamente à “Trump Slump”, Trudeau afirmou que, nos últimos anos, “os Estados Unidos não têm sido muito eficazes a fazer com que os viajantes se sintam bem-vindos”.

E disse: “Há neste momento, em países por todo o mundo – e vemos isso em maior ou menor grau em certos países ou governos –, uma tendência para incentivar as pessoas a fechar-se, a voltar-se para dentro, a serem mais insulares e desconfiadas ou em oposição ao resto do mundo. Esse não é necessariamente um caminho produtivo para o planeta, e o melhor contraponto a isso é o turismo.”

“Trata-se de conhecer pessoas diferentes. De querer viajar, ser curioso em relação ao mundo, ser empático. Estes são os instintos que as pessoas precisam de desenvolver e é isso que torna a vossa indústria tão importante.”

Questionado sobre qual o único destino que recomendaria visitar no Canadá, Trudeau apontou Montréal, a sua cidade natal.

“Em Montréal, adoramos bons restaurantes, adoramos boa arte. Enchemos os nossos verões de festivais e, no inverno, vale a pena vir ver a neve”, acrescentou.

Viajar sem usar passaporte será possível dentro de cinco anos

Num painel sobre a implementação da identidade digital e a transformação da experiência nas fronteiras, o CEO dos Aeroportos do Dubai, Paul Griffiths, afirmou que os passaportes deixarão de ser necessários para viajar dentro de cinco anos.

A barreira não é a tecnologia, mas sim a falta de coordenação entre os diferentes sistemas que têm de estar ligados para que isso aconteça, acrescentou.

Os participantes imaginaram um futuro em que os viajantes não terão de usar o passaporte ao passar fronteiras, ao levantar carros de aluguer ou mesmo ao fazer check-in nos hotéis.

A inteligência artificial já está a ser usada para planear férias – o próximo passo é permitir que agentes reservem toda a viagem.

Segundo Christie Travers-Smith, diretora de Parcerias Estratégicas EMEA na Google Inc., os turistas em todo o mundo estão a tornar-se “viajantes supercapacitados” ao utilizarem IA para planear as suas viagens.

O próximo grande passo para a IA passa por criar confiança suficiente para que os clientes entreguem os dados do cartão de crédito e deixem que agentes de IA façam as reservas por eles.

Setor de luxo abre caminho, mas “longevidade como norma” deve ser objetivo de todos os hotéis

As experiências radicais de Bryan Johnson trouxeram o tema da longevidade da margem para o centro do debate nos últimos anos, e os grupos hoteleiros de luxo têm estado atentos, introduzindo terapias como oxigenoterapia hiperbárica e saunas de infravermelhos.

Mas Tim Gray, fundador da Health Optimisation, defende que “longevidade como norma” é a meta a que todos os grupos hoteleiros devem aspirar.

Na prática, isso significa permitir que os viajantes mantenham os princípios básicos da recuperação – comer bem, dormir bem, manter-se hidratados e ativos – mesmo longe de casa. E começa com pequenos detalhes, como instalar estores opacos, eliminar luzes intermitentes e garantir que os mini-bares têm opções mais saudáveis.

Todas as ferramentas mais sofisticadas servem apenas para “potenciar” esses fundamentos. Depois de experimentarmos a oxigenoterapia hiperbárica da HPO.TECH na cimeira do WTTC, é fácil perceber como os viajantes afetados pelo jet lag podem beneficiar.

Medir o sucesso pelo valor, e não pelo volume

Durante muitos anos, o principal indicador de sucesso na indústria do turismo foi o número de visitantes que chegavam a um destino.

Hoje, os indicadores em foco estão a mudar – os governos estão a passar do “volume ao valor”, segundo Michelle Fridman, secretária de Turismo de Jalisco, no México.

“Procuramos turistas melhores: que fiquem mais tempo, que gastem mais dinheiro, que consumam produtos locais”, afirmou Fridman, num painel sobre gestão responsável dos destinos.

“Ainda mais importante, procuramos aqueles que respeitam e se interessam pela nossa identidade.”

Acrescentou que Jalisco é “o destino mais mexicano e queremos que continue a ser assim”.

A ideia foi partilhada pelos restantes intervenientes, com Miguel Sanz, diretor-geral da Turespaña, a afirmar que o seu papel é agora mais o de um “curador de turismo”, procurando atrair para Espanha um tipo diferente de viajante.

O tema foi aprofundado no painel dedicado ao “viajante orientado para o impacto”, em que Mark Weingard, CEO & fundador da Iniala, sublinhou ser importante que o setor não se concentre em excesso na captação de viajantes de alto valor “porque aí estamos quase a ser elitistas” e “a dizer que só os mais ricos podem viajar”.

“Ao mesmo tempo, penso que é muito importante posicionarmos o turismo de forma a beneficiar as cidades onde existe, a não destruir a cultura nem os bairros e a garantirmos que o trabalho que fazemos na hotelaria reverte efetivamente para a comunidade”, acrescentou.

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