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ONU manifesta "preocupação" com violência dos protestos estudantis em França

Estudantes concentram-se diante de um liceu bloqueado durante um protesto contra a falta de recursos nas escolas, em Paris, sexta-feira, 9 de outubro de 2026
Estudantes concentram-se diante de um liceu bloqueado, em protesto contra a falta de recursos nas escolas, em Paris, sexta-feira, 9 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  (AP Photo/Teresa Suarez)
Direitos de autor (AP Photo/Teresa Suarez)
De Greta Ruffino
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Segundo o Ministério da Educação francês, 141 dos 3.700 liceus franceses estiveram encerrados na sexta-feira.

As Nações Unidas (ONU) afirmaram esta sexta-feira que acompanham “com preocupação” os protestos de estudantes do ensino secundário em toda a França, numa altura em que as manifestações nacionais entram no quinto dia consecutivo.

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“Estamos a seguir com preocupação os incidentes relacionados com os protestos estudantis e os bloqueios de liceus em França, alguns dos quais se tornaram violentos”, afirmou Shabia Mantoo, porta-voz do organismo da ONU para os direitos humanos.

Desde meados de setembro, quase 7.000 pessoas, 86% das quais menores, foram detidas pela polícia, segundo o Ministério da Justiça de França.

Os estudantes, a maioria com idades entre os 15 e os 18 anos, protestam contra a falta de professores, horários sobrecarregados, instalações escolares degradadas e edifícios pouco preparados para lidar com a subida das temperaturas.

Embora as manifestações tenham sido em grande parte pacíficas, alguns manifestantes atearam fogos e vandalizaram abrigos de autocarro.

A polícia respondeu com gás lacrimogéneo, bastões e granadas de atordoamento, suscitando acusações de uso excessivo da força por parte de organizações de direitos humanos e de estudantes manifestantes.

As autoridades abriram 18 inquéritos internos a alegadas condutas indevidas da polícia.

Estudantes protestam contra escolas com falta de recursos em Paris, quinta-feira, 8 de outubro de 2026.
Estudantes protestam contra escolas com falta de recursos em Paris, quinta-feira, 8 de outubro de 2026. (AP Photo/Aurelien Morissard)

Governo promete agir para responder às reivindicações dos estudantes

Para tentar aliviar as tensões, o ministro da Educação, Edouard Geffray, anunciou na noite de quinta-feira que cerca de 3.000 professores substitutos serão destacados nos próximos dias para colmatar a falta de pessoal nos 114 liceus mais afetados pelos protestos.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu comprometeu-se também a apresentar um plano para responder à crise até ao final de outubro.

Entretanto, o ministro da Economia, Roland Lescure, afirmou que o governo poderá acomodar os pedidos de financiamento adicional para as escolas, apesar das fortes limitações ao orçamento de 2027.

No atual projeto de orçamento, a educação deverá receber o segundo maior aumento de verbas, depois da defesa, com a despesa a subir 1,4% para 90,9 mil milhões de euros.

Marius Mesnil, representante do sindicato de estudantes, afirmou que “estão-nos a oferecer ‘umas migalhas’”, ao mesmo tempo que apelou a uma nova vaga de manifestações na terça-feira.

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