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Ucrânia e Europa enviam líderes a Miami para conversações de paz lideradas pelos EUA

Volodymyr Zelenskyy com os enviados especiais norte-americanos em Kiev.
Volodymyr Zelenskyy com os enviados especiais dos EUA em Kiev -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Jorge Liboreiro
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Os EUA acolhem uma ronda de negociações de paz em Miami com responsáveis ucranianos e europeus. O presidente Zelenskyy procura garantir um cessar-fogo limitado que possa abranger o mar Negro, as infraestruturas energéticas ou ambos.

Altos responsáveis da Ucrânia e da Europa viajaram para Miami, na Florida, para participarem numa nova ronda de negociações de paz destinada a pôr fim à invasão em larga escala da Rússia, numa nova vaga de escalada que tem devastado cidades ucranianas e provocado dezenas de mortos civis.

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As conversações, previstas para sexta-feira e sábado, terão como anfitriões Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados especiais dos Estados Unidos, e vão analisar várias opções para quebrar o impasse diplomático antes de um inverno que se antecipa como o mais duro desde o início da guerra.

As recentes deslocações de Steve Witkoff e Jared Kushner a Moscovo e Kiev vão enquadrar as deliberações.

Entre essas opções está um cessar-fogo específico, abrangendo o mar Negro, uma rota comercial vital para o transporte de cereais para países de baixos rendimentos e/ou infraestruturas energéticas, que Moscovo tem atingido a um ritmo incessante. Kiev tem respondido na mesma moeda, atacando as refinarias de petróleo russas.

“Ainda não estou pronto para dizer o que poderá ser realista ou mais realista. Em princípio, compreendo, mas não quero dizer nada para que a Rússia, como sempre, faça o contrário só por despeito”, declarou na quinta-feira o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, numa mensagem de voz enviada aos jornalistas.

“Vamos esperar para ver. Estamos a assistir a uma intensificação de conversações e reuniões por parte dos Estados Unidos”, acrescentou.

“Eu próprio falei três vezes nos últimos dias com a parte americana e estou confiante num resultado positivo da reunião entre os nossos negociadores.”

Zelenskyy indicou que a sua equipa será composta por Kyrylo Budanov e Sergiy Kyslytsya, chefe e adjunto da Presidência; Davyd Arakhamia, líder do partido no poder no Parlamento; e Rustem Umerov, chefe do Serviço de Informações Externas.

Prevê-se que regressem a Kiev na manhã de segunda-feira para informarem o presidente.

“Há questões de que não podemos falar, mas temos de permanecer sensatos, unidos e apoiar as nossas Forças Armadas. A paz não se alcança com grandes declarações, é um trabalho difícil e coletivo, e é nisso que estamos a trabalhar”, escreveu Budanov nas redes sociais antes da viagem.

Do lado europeu, estarão presentes os conselheiros de segurança nacional dos chamados E3: França, Alemanha e Reino Unido. Os três países lideram a “Coalition of the Willing” para fornecer futuras garantias de segurança à Ucrânia.

A Comissão Europeia também participará, confirmou um porta-voz à Euronews. A NATO enviou o seu chefe de gabinete, Geoffrey van Leeuwen, adiantou um responsável.

A Rússia não participará.

Zelenskyy reage a declarações de Rubio sobre “impasse diplomático”

Esta reunião em Miami surge depois de várias notícias indicarem que Washington está a explorar acordos comerciais com Moscovo que poderiam ser assinados mesmo antes de ser alcançado um acordo de paz definitivo. Esses relatos alarmaram ucranianos e europeus, que há muito receiam que os interesses económicos se sobreponham à diplomacia na visão da Casa Branca.

Zelenskyy reagiu depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, ter afirmado que a guerra estava presa num “impasse diplomático”, com risco de uma escalada que se possa alargar.

“Não se pode, por um lado, negociar com os russos futuros projetos económicos e, por outro, dizer que nos encontramos numa espécie de impasse diplomático”, afirmou, durante uma visita ao local de um ataque russo.

Zelenskyy apelou ainda aos Estados Unidos para alargarem o uso do serviço de satélite Starlink dentro do território russo, de forma a ajudar a Ucrânia a atingir lançadores de mísseis balísticos.

Os responsáveis europeus têm participado ativamente no processo liderado pelos EUA, argumentando que a sua arquitetura de segurança está diretamente em causa. Após o corte da ajuda americana, o continente é agora o principal fornecedor de apoio financeiro e militar à Ucrânia.

No entanto, o ceticismo quanto às intenções de Moscovo é profundo. O Kremlin voltou a afastar a possibilidade de uma reunião tripartida ao nível dos líderes.

“Não podemos depositar demasiadas esperanças nestas conversações porque não vemos que a Rússia esteja minimamente preparada para negociar de boa-fé”, afirmou na sexta-feira um alto responsável da UE.

“Mas, com uma pressão americana mais forte, espera-se, sobre a Rússia, e com a influência europeia nessas conversações, existe também uma via que pode conduzir a um cessar-fogo parcial, que a Ucrânia vem pedindo e está pronta a assumir.”

Sasha Vakulina e Shona Murray contribuíram para esta reportagem.

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