O cirurgião torácico Diego González Rivas desenvolveu em La Coruña a técnica Uniportal VATS, um procedimento minimamente invasivo, usado na operação ao sumo pontífice.
A operação ao pulmão do Papa Leão XIV no hospital Gemelli, em Roma, pôs em evidência o contributo da ciência espanhola para a cirurgia torácica. A intervenção, realizada para remover um tumor cancerígeno do pulmão direito, recorreu à técnica Uniportal VATS, desenvolvida pelo cirurgião espanhol Diego González Rivas.
“O Papa já foi operado, encontra-se na enfermaria praticamente sem dores e com uma recuperação muito boa”, afirmou o cirurgião através de um vídeo divulgado nas redes sociais. “O mais interessante, e aquilo que me deixa profundamente orgulhoso, é que foi operado com a nossa técnica Uniportal VATS”.
González Rivas, licenciado em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Santiago de Compostela, explica que se trata de uma técnica desenvolvida em La Coruña, em 2010, e que desde então “se foi expandindo por todo o mundo, até abranger 146 países”.
O médico manifestou satisfação pelo recurso à técnica que desenvolveu e por o ato cirúrgico ter ficado a cargo da equipa do Gemelli, com cujos profissionais, segundo disse, mantém uma relação estreita. “Marca Espanha no Vaticano”, rematou, satisfeito, o clínico.
O sumo pontífice, de 71 anos, submeteu-se na terça-feira a uma operação de cerca de 90 minutos que, segundo informou o Vaticano, decorreu com êxito e conforme o previsto. Leão XIV passou a noite “tranquila” e acordou normalmente, enquanto os médicos aguardam os resultados dos exames para determinar se o cancro se propagou.
Técnica Uniportal VATS: em que consiste
A Uniportal VATS é uma técnica de cirurgia torácica minimamente invasiva que permite operar através de uma única pequena incisão, entre 3 e 5 centímetros. Por essa abertura introduzem-se uma câmara de vídeo, que orienta a intervenção, e instrumentos cirúrgicos específicos.
Este método permite realizar operações complexas, como a remoção de uma parte do pulmão, além de biópsias pulmonares ou pleurais. Entre as principais vantagens contam-se a redução da dor pós-operatória, uma estadia hospitalar mais curta e uma recuperação mais rápida.
Ainda assim, a sua aplicação exige cirurgiões torácicos com experiência tanto em técnicas minimamente invasivas como em cirurgia convencional, capazes de resolver eventuais complicações durante a intervenção e no pós-operatório.