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Estados Unidos: Trump critica houthis após ataque a instalação da Saudi Aramco

ARQUIVO: Combatentes Houthi fardados marcham num comício que assinala a independência do Sul do Iémen do domínio britânico, em Saná, 30 nov. 2015
FILE: Combatentes Houthi fardados marcham em manifestação pelo aniversário da independência do sul do Iémen do colonialismo britânico, Sanaá, 30 nov. 2015 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Aleksandar Brezar
Publicado a •Últimas notícias
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Edifício da Aramco em Dhahran ardeu e quatro pessoas ficaram feridas por destroços de mísseis em Riade, após ataques houthis ao aeroporto da capital matarem 13, o pior na Arábia Saudita desde 2015.

A Arábia Saudita afirmou esta quarta‑feira que um ataque contra um edifício da Aramco, no leste do reino, provocou um “incêndio limitado”, numa altura em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou os houthis do Iémen por “se estarem a portar muito mal”.

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Um responsável do Ministério da Energia saudita explicou que um edifício administrativo da gigante petrolífera Aramco, em Dhahran, foi atingido na noite de terça‑feira, originando um “incêndio limitado”, mas “sem feridos nem mortos”.

Por seu lado, a agência de defesa civil saudita indicou esta quarta‑feira que destroços de dois mísseis houthi intercetados feriram quatro pessoas na capital, Riade, e danificaram 15 casas.

Horas antes, na terça‑feira, a coligação tinha atingido instalações petrolíferas em várias zonas do oeste do Iémen, em resposta ao ataque mais mortífero em anos em território saudita.

Os bombardeamentos na capital iemenita controlada pelos houthis, Sanaá, e nas províncias de Dhamar e Saada, no oeste do país, tiveram como alvo instalações usadas para “alimentar o esforço de guerra” dos houthis e “ameaçar o reino, o Iémen, o sul do mar Vermelho e as vias marítimas”, escreveu o porta‑voz da coligação, Turki al‑Maliki, na plataforma X.

Pouco depois, ouviu‑se uma forte explosão na capital saudita, acompanhada de um alerta enviado por telemóvel aos residentes, informando que “a cidade de Riade enfrenta uma ameaça aérea hostil”.

Enquanto caminhava numa grande avenida de Riade, uma testemunha contou que “vi um projétil a cortar o céu” sobre um centro comercial, deixando “um rasto de luz amarelada seguido de um rasto de fumo. Depois, ouvimos uma explosão”.

“As pessoas estavam calmas, ninguém falava. Estávamos com medo e todos a olhar para o céu”, acrescentou, sob condição de anonimato.

Testemunhas relataram novas explosões em Riade esta quarta‑feira.

Na sequência dos ataques houthi contra aeroportos e infraestruturas energéticas sauditas nos últimos dias, a coligação liderada pela Arábia Saudita emitiu a primeira ordem de evacuação na capital iemenita desde que a guerra voltou a intensificar‑se em julho, antes de atacar uma instalação da Yemen Petroleum Company na periferia de Sanaá.

Uma notícia de última hora no canal de televisão Al‑Masirah, ligado aos houthis, afirmava que a “agressão saudita” tinha visado a empresa petrolífera.

Antes disso, os houthis tinham lançado uma nova ameaça de atacar o aeroporto internacional de Riade, uma refinaria e uma instalação da Aramco em Dammam caso o bombardeamento prosseguisse, apelando aos civis para que se mantivessem afastados desses locais.

Vários países emitiram avisos de viagem para os seus cidadãos na Arábia Saudita, o mais recente dos quais a França, que recomendou evitar os aeroportos de Riade, Jidá e Dammam.

Trump acusa houthis de “se portarem muito mal”

O ataque ao aeroporto internacional de Riade no sábado provocou 13 mortos e a suspensão das operações, no pior incidente desde 2015.

Levou mesmo o presidente norte‑americano, Donald Trump, a admitir que pondera juntar‑se aos bombardeamentos sauditas contra os houthis.

Na terça‑feira, escreveu na sua plataforma Truth Social que “os houthis estão a portar‑se muito mal”, acusando‑os de agirem “provavelmente a mando do Irão”.

“Pensei que tinham aprendido a lição há um ano, quando os bombardeámos sem piedade”, acrescentou Trump, atribuindo a responsabilidade das suas ações a Teerão.

“Estiveram calados durante muito tempo, mas agora voltaram a aparecer, provavelmente a mando do Irão, que é uma nação em declínio, sem marinha, sem força aérea, com a pior economia do mundo e 301% de inflação, de uma forma muito desagradável, atingindo a Arábia Saudita e a tentar deliberadamente fazer subir os preços do petróleo, provavelmente antes das eleições nos Estados Unidos, nada agradável.”

Os houthis advertiram os Estados Unidos contra uma intervenção, com o membro do gabinete político Mohammed Al Bukhaiti a afirmar que passariam a atingir interesses norte‑americanos na região.

Bukhaiti explicou que o objetivo da campanha contra alvos sauditas era enviar uma mensagem ao príncipe herdeiro “de que já não pode manter a agressão contra o Iémen a partir de uma posição segura”.

Governo saudita, liderado pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, prometeu mais cedo, na terça‑feira, que “não permitirá que a sua segurança ou a liberdade de navegação no mar Vermelho e no estreito de Bab el‑Mandeb sejam ameaçadas”.

Coligação liderada pela Arábia Saudita apoia militarmente, desde 2015, o governo iemenita internacionalmente reconhecido contra os houthis, numa guerra civil prolongada que desencadeou uma grave crise humanitária.

No Iémen, a retoma dos combates estava a aumentar o risco de surtos de doenças infeciosas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, os casos suspeitos de cólera triplicaram no país em três semanas, e a organização alertou que o aumento da carga de doença estava a sobrecarregar hospitais que já tratam feridos do conflito.

Outras fontes • AFP

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