Subiram os preços do petróleo após novos ataques no Médio Oriente aumentarem os receios sobre a oferta. Os preços do gás na Europa mantiveram-se perto de máximos de quatro anos, com bolsas asiáticas mistas e futuros de ações europeias em ligeira baixa.
Os preços do petróleo subiram esta quarta-feira depois de o Irão ter alegadamente atacado dois navios no Estreito de Ormuz, recorrendo a novas táticas para atingir o transporte marítimo, avançou a Reuters. A par disso, o agravamento do conflito entre os rebeldes Houthi e a Arábia Saudita acrescentou novos riscos ao abastecimento de crude.
A Arábia Saudita informou esta quarta-feira que um ataque contra um edifício da Aramco, no leste do reino, provocou um “incêndio limitado” e que destroços de mísseis Houthi intercetados feriram quatro pessoas na capital, Riade.
Os futuros do Brent, referência internacional, avançavam 0,5%, para 106,24 dólares por barril, no início da manhã de quarta-feira na Europa, enquanto os futuros do crude norte-americano West Texas Intermediate subiam igualmente 0,5%, para 94,64 dólares por barril.
As preocupações com a oferta fizeram também subir os preços do gás na Europa para máximos de quatro anos. Os futuros de referência holandeses TTF eram negociados ligeiramente acima dos 86 euros por megawatt-hora na manhã de quarta-feira, um pouco abaixo do anterior máximo, de 87,44 euros.
Nos mercados acionistas, os futuros sobre o Euro STOXX 50 apresentavam ganhos ligeiros na abertura das bolsas europeias.
As bolsas asiáticas mostraram desempenhos mistos, com o interesse nos fabricantes de semicondutores e na inteligência artificial a continuar a sustentar alguns títulos.
O índice de referência Nikkei 225, no Japão, ganhou 0,5%, tal como o Hang Seng, em Hong Kong. O Shanghai Composite recuou 0,3%. O S&P/ASX 200 da Austrália desceu 0,6%. O Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 1%.
Os principais índices de Wall Street terminaram praticamente inalterados, próximos dos máximos, na terça-feira. O primeiro grande conjunto de resultados do terceiro trimestre das empresas norte-americanas superou as expectativas dos analistas, mas as subsequentes subidas e quedas das cotações acabaram por se anular em grande medida.
O S&P 500 cedeu menos de 0,1%, afastando-se ligeiramente do máximo histórico alcançado na semana passada. O Dow Jones Industrial Average caiu 0,3% e o Nasdaq Composite recuou 0,2%.
A Goldman Sachs chegou a disparar mais de 4% na abertura da sessão depois de o banco ter divulgado um lucro entre julho e setembro que superou largamente as previsões dos analistas. Mas o título rapidamente anulou esses ganhos, oscilando entre terreno positivo e negativo antes de encerrar com uma queda de 0,2%.
As expectativas quanto aos lucros das empresas norte-americanas são elevadas. Os analistas antecipam, para o terceiro trimestre, um crescimento anual agregado dos resultados de quase 30% nas empresas do S&P 500, segundo a FactSet.
As empresas precisam de corresponder a essas previsões para justificar cotações em máximos, apesar das preocupações com a inflação elevada, a maior pressão do mercado obrigacionista e os conflitos no Médio Oriente.
Os investidores receiam igualmente que as ações de empresas de semicondutores possam ter subido em excesso, impulsionadas pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.
A chinesa CXMT, fabricante de memórias, que está a fazer progressos capazes de desafiar os grandes nomes do setor, ganhou cerca de 1,0% nas primeiras horas de negociação desta quarta-feira na Ásia. Na Coreia do Sul, as ações da Samsung Electronics também subiram, enquanto a SK Hynix recuou.
No mercado de dívida, os juros das Treasury norte-americanas aliviaram na terça-feira após a queda dos preços do petróleo. A rendibilidade das obrigações do Tesouro a 10 anos desceu para 5,21%, face aos 5,24% registados no final de sexta-feira. Na segunda-feira não houve negociação no mercado obrigacionista dos Estados Unidos devido a um feriado.
No mercado cambial, o dólar norte-americano negociava a 158,30 ienes, enquanto o euro valia 1,1209 dólares.