Os maiores bancos de Wall Street anunciaram na terça-feira mais um trimestre sólido, mas alertaram que juros e inflação podem pesar.
Lucros mais elevados em quatro dos maiores bancos dos Estados Unidos deram novos sinais de resiliência económica, numa altura em que os consumidores continuam a pagar as suas dívidas e as empresas mantêm fortes investimentos em inteligência artificial.
Mas, apesar de JPMorgan Chase, Citigroup, Wells Fargo e Goldman Sachs terem registado lucros superiores aos de há um ano, deixaram avisos sobre o impacto a longo prazo de taxas de juro mais altas e sobre a pressão que a subida dos preços poderá exercer sobre os consumidores se a inflação não for controlada.
O JPMorgan Chase, maior banco norte-americano em ativos, registou um lucro de 15,3 mil milhões de dólares no terceiro trimestre, o equivalente a 5,57 dólares por ação, acima dos 14,4 mil milhões de dólares, ou 5,07 dólares por ação, no mesmo período do ano anterior. Os resultados ficaram, porém, abaixo das previsões dos analistas, já que Wall Street esperava que o banco ganhasse 5,93 dólares por ação.
Foi uma rara surpresa negativa nos resultados do JPMorgan e do seu presidente executivo, Jamie Dimon. A última vez que o banco falhou as expectativas dos analistas foi há quase três anos. A instituição registou 658 milhões de dólares em perdas com títulos de investimento e um aumento de 12% nos custos. As receitas nos mercados de rendimento fixo recuaram 4% face ao ano anterior, embora o conjunto das receitas de mercados tenha subido 15%.
“A economia dos EUA continuou a ser alimentada por um forte investimento empresarial e por um consumo privado robusto”, afirmou Dimon em comunicado. “No entanto, grandes défices orçamentais, uma inflação persistente, preços dos ativos elevados, taxas de juro em subida e condições geopolíticas em mudança continuam a alterar o cenário de fundo.”
Os grandes bancos costumam abrir a época de resultados trimestrais, e esta é uma fase crucial para o mercado acionista, já que lucros empresariais sólidos têm ajudado a levar o S&P 500 a níveis recorde.
Segundo a empresa de dados FactSet, os analistas esperam que as empresas do S&P 500 registem um aumento global de quase 30% nos lucros por ação face a um ano atrás. Se tal se confirmar, será o terceiro trimestre consecutivo com crescimentos superiores a 25%.
O Goldman Sachs, cujos lucros do terceiro trimestre dispararam graças a uma subida de 72% nas receitas do negócio de ações face ao ano anterior, revelou também que as receitas em obrigações, câmbios e matérias-primas caíram 24% face ao segundo trimestre. O banco apresentou um lucro de 5,29 mil milhões de dólares, ou 17,01 dólares por ação, contra 4,1 mil milhões de dólares, ou 12,25 dólares por ação, um ano antes.
O mercado obrigacionista registou uma forte volatilidade durante o verão, à medida que os investidores se mostraram cada vez mais preocupados com a despesa pública e a inflação. As yields das obrigações do Tesouro norte-americano a 10 e 30 anos subiram para níveis que não se viam há vários anos. A subida dos preços do gasóleo, da tecnologia e dos alimentos deu à Reserva Federal motivos para aumentar as taxas de juro no mês passado, apesar da pressão da Casa Branca contra nova subida.
O Citigroup indicou que os lucros do terceiro trimestre aumentaram 40% face ao ano anterior, superando as expectativas de Wall Street. O banco registou receitas mais elevadas na banca de investimento e na gestão de patrimónios, enquanto os lucros na divisão de cartões de crédito ficaram praticamente inalterados.
O Wells Fargo apresentou um lucro de 5,95 mil milhões de dólares, ou 1,87 dólares por ação, acima das previsões de Wall Street. O banco sediado em São Francisco tem visto os seus lucros subir de forma constante nos últimos trimestres, depois de os reguladores federais terem levantado o limite aos ativos imposto na sequência do escândalo das práticas de vendas, há quase uma década.