O homem que aparece no vídeo real, identificado pela BBC como William Chapman, acabou por falecer devido aos ferimentos sofridos na sequência do incidente de sábado, informou a polícia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na terça-feira, na sua conta do Truth Social, imagens perturbadoras que mostram um homem a ser mortalmente atacado por um tigre no Reino Unido, o que provocou uma onda de reações negativas nas redes sociais.
Trump legendou o vídeo com a frase: "Nunca se metam com a natureza!"
Mais tarde, publicou outro vídeo curto com imagens aparentemente geradas por IA de pessoas a serem atacadas por grandes felinos, acompanhadas por música de sintetizador.
A gravação original, com 41 segundos, que mostra o homem britânico a ser atacado num parque de vida selvagem no sábado, foi igualmente partilhada na rede X pela conta “Rapid Response 47” da Casa Branca.
Mais tarde, Trump divulgou um vídeo gerado por IA em que surge a lutar e a fazer amizade com um tigre sorridente, ao som da canção “The Lion Sleeps Tonight”.
“Repugnante” e “doentio”: utilizadores das redes sociais reagem ao vídeo de Trump
Vários utilizadores que comentaram a publicação da Casa Branca na X qualificaram o vídeo como “repugnante” e “doentio”, e alguns criticaram-no por considerarem que este desrespeita o homem que morreu no ataque.
“Uma família está de luto e o senhor decide publicar para todo o mundo os últimos momentos de um dos seus familiares”, escreveu um utilizador.
“Votei em si, mas não para isto. Não pode simplesmente pôr um estagiário a gerir a sua campanha nas redes sociais?”, comentou outro.
Trump já enfrentou anteriormente críticas por publicações controversas nas redes sociais, incluindo vídeos gerados por IA que ridicularizam grupos marginalizados e uma imagem em que se apresenta como Jesus Cristo, que acabou por apagar depois de ser criticado por grupos religiosos.
O presidente e a sua administração têm recorrido frequentemente a memes gerados por IA como parte de uma estratégia que o investigador Kurt Sengul, da Universidade Macquarie, na Austrália, descreve como “guerra memética”.
Em declarações à Euronews, no ano passado, Sengul afirmou que este recurso a memes e à inteligência artificial generativa cria um ambiente em que nada parece ser levado a sério.
Segundo ele, a abordagem de Trump transmite a ideia de que quem se sente ofendido por esse tipo de conteúdos é simplesmente “não tem sentido de humor e não sabe encarar uma piada”.