Sede da Aramco atingida, voos suspensos e preços do petróleo em alta; FMI alerta que impacto económico dos ataques à Arábia Saudita pode sentir-se em todo o mundo.
O Fundo Monetário Internacional alertou, esta quarta‑feira, que os ataques à Arábia Saudita podem prejudicar economias em todo o mundo, depois de um ataque ter danificado a sede da gigante petrolífera Aramco.
A diretora‑geral do FMI, Kristalina Georgieva, sublinhou a importância da Arábia Saudita para a economia mundial.
“Nesse sentido, estes acontecimentos podem ter efeitos negativos para todos, em todo o lado”, afirmou nas reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial, em Banguecoque.
O ministério da Energia saudita indicou que um edifício administrativo na sede da Aramco, em Dhahran, foi atingido na noite de terça‑feira, provocando um incêndio de dimensão limitada. Acrescentou que não houve mortos nem feridos.
Os rebeldes houthi, alinhados com o Irão, reivindicaram a responsabilidade. O grupo também atacou aeroportos sauditas em novos combates com a coligação liderada pela Arábia Saudita.
Os três últimos pisos do edifício, incluindo o gabinete do presidente‑executivo Amin Nasser, ficaram gravemente danificados, disse à Reuters uma pessoa com conhecimento direto da situação.
Duas fontes afirmaram que as operações no complexo decorrem normalmente, embora alguns trabalhadores tenham sido instruídos a trabalhar a partir de casa. Outra fonte disse que parte do trabalho foi transferido para escritórios no estrangeiro.
A Aramco controla plataformas, refinarias, terminais de exportação e oleodutos a partir de um centro na sua sede. A empresa não respondeu, até ao momento, ao pedido de comentário da agência noticiosa.
Os preços do petróleo subiram esta quarta‑feira, com o Brent a ser negociado acima de 106 dólares por barril. As ações da Aramco desceram 0,5% nas primeiras negociações.
O transporte aéreo também foi afetado. A Lufthansa suspendeu os voos para Riade até, e incluindo, 18 de novembro, segundo a mais recente informação da companhia.
A Arábia Saudita tenciona permitir que executivos participem online na conferência Future Investment Initiative, na sequência dos ataques ao aeroporto de Riade, avançou a Reuters, citando duas pessoas familiarizadas com os planos. O evento está previsto para mais tarde este mês.
Arábia Saudita: recuperação depende do transporte marítimo
A economia saudita já estava sob pressão devido à guerra com o Irão e às perturbações na navegação pelo estreito de Ormuz.
O FMI prevê que encolha 3,3% este ano, antes de crescer 7,9% em 2027.
O fundo publicou essas projeções na terça‑feira, mas tinha‑as preparado antes do ataque mortal de sábado ao aeroporto de Riade.
O cenário de recuperação assume que o estreito de Ormuz vai reabrir gradualmente a partir de março de 2027, com a navegação a regressar às condições pré‑guerra em outubro.
O oleoduto saudita Este‑Oeste transporta petróleo até Yanbu, no mar Vermelho, permitindo que as exportações contornem o estreito de Ormuz. Segundo o FMI, isso reduziu os danos económicos em comparação com alguns países vizinhos.
Georgieva afirmou que os esforços do reino para desenvolver atividades fora do setor petrolífero também ajudaram a proteger a economia do impacto da guerra.
Advertiu que os países mais pobres, dependentes de energia importada, estão entre os mais atingidos pela subida dos custos. Apelou aos governos para ajudarem as pessoas confrontadas com faturas mais elevadas de alimentos e energia.