Manifestantes e agentes da PSP entraram em confronto durante a madrugada na Praça D.João I no Porto, depois da polícia ter sido mobilizada para retirar as tendas naquele local. Movimento denuncia pelo menos 35 feridos.
Um grupo de manifestantes pelo direito à habitação denunciou uma intervenção policial violenta na madrugada desta quinta-feira, no Porto, quando as autoridades tentaram retirar da Praça D. João I os que ali se encontravam acampados.
Os momentos de maior tensão terão acontecido por volta das 3h00 da madrugada, depois de a polícia chegar ao local para desmobilizar os manifestantes, com o Movimento pela Habitação a denunciar uma intervenção policial "desproporcional e injustificada".
"O movimento denuncia veementemente o uso de força extrema, desproporcional e injustificada durante a intervenção policial na acampada, que se manteve, desde o primeiro momento, pacífica, sem nunca incitar à violência", indicou em comunicado, que indica ainda a existência de 37 feridos como resultado da operação, incluindo dois com fraturas.
Em declarações durante a manhã à CNN Portugal, Leonor Figueiredo, representante do movimento, garantiu que os manifestantes estavam no local "de forma pacífica", não encontrando por isso justificação para a intervenção da polícia.
"Pedro Duarte disse que ia ser implacável e pronto, já vimos, já percebemos a mensagem”, afirmou Leonor Figueiredo, referindo-se às declarações do autarca do Porto na quarta-feira, que garantiu que não iria permitir qualquer acampamento na cidade.
Fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto confirmou à Euronews que "houve necessidade de uma intervenção mais musculada" no local, mas que não era ainda possível indicar mais informação, nomeadamente o número de feridos, remetendo esclarecimentos para mais tarde. A polícia confirmou ainda que o protesto foi desmobilizado totalmente e que "nada mais persiste" no local.
Vários manifestantes permaneciam desde sábado naquela praça da cidade, chegando muitos deles a dormir ao relento, depois de as tendas montadas no protesto inicial terem sido retiradas pela autarquia.
Na quarta-feira e após uma assembleia popular, decidiram manter o protesto devido à crise da habitação e voltar a montar tendas durante a noite.
À CNN Portugal, Pedro Manuel, porta-voz do movimento indicou que a primeira tentativa de retirar os manifestantes aconteceu pelas 2h00 da manhã, "através de carros de limpeza", utilizados para dispersar as pessoas presentes. Pedro Manuel garantiu que não houve qualquer altercação com as autoridades.
"Fizemos um cordão humano pacificamente para que não nos retirassem as tendas". "Esperaram a retirada da comunicação social e foram embora com as viaturas", especificou o porta-voz do movimento.
"Por volta das 3 horas da manhã voltaram, fizemos novamente o cordão pacificamente para garantir o nosso direito à manifestação e manter as tendas", indicou o manifestante. Terá sido nesse momento que, segundo Pedro Manuel, a polícia começou a "hostilizar os manifestantes com brutalidade", numa ação que considerou "criminosa".
Citado pela agência Lusa, o porta-voz garantiu ontem que existe “autorização para amanifestação até dia 20”.
CM do Porto vai ser "absolutamente implacável"
Antes da intervenção policial, a Câmara Municipal já tinha avisado que iria impedir qualquer tipo de acampamento na cidade.
"É evidente que a Praça D. João I não é um parque de campismo, e não vai transformar-se num parque de campismo. Vamos ser absolutamente implacáveis com qualquer tentativa de colocação de tendas naquela zona", declarou o presidente da CM do Porto à margem da conferência Fábrica 2030 no Porto, citado pela agência Lusa.
Pedro Duarte disse que o "direito à manifestação não está em causa", mas "não pode chocar com a liberdade de todos os outros da cidade".
"A lei de Portugal é muito clara, e diz que as manifestações não podem ultrapassar um determinado período, geralmente as 00:30", reforçou.