As ações de mobilização na Praça D. João I, no Porto, têm resultado em momentos de tensão nos últimos dias. À imprensa portuguesa, foi relatada a presença de elementos "de extrema-direita" que se teriam infiltrado no protesto, motivando a sua desmobilização na madrugada desta sexta-feira.
O protesto pelo direito à habitação, que decorria há várias noites no centro da cidade do Porto, foi desmobilizado na madrugada desta sexta-feira por ordem da organização, segundo noticiado pela Lusa.
Em declarações à agência noticiosa, Pedro Manuel, porta-voz dos responsáveis pela manifestação, justificou a decisão com base na “infiltração” de elementos estranhos ao grupo, que teriam a intenção, acrescentou, de criar problemas.
Por sua vez, à televisão pública RTP, o mesmo porta-voz detalhou que a desmobilização se deveu à identificação de "manifestantes de extrema-direita" que se teriam infiltrado no protesto, sendo que um deles, em particular, estaria a "criar confusão" na Praça D. João I.
No total, seriam 11 elementos, que "estavam no meio da multidão" e que "possuíam facas", de acordo com a mesma fonte, sublinhando ainda que a polícia foi avisada dessa situação, sem que tenha optado por intervir.
Pedro Manuel garantiu ainda à RTP que a ordem dada esta sexta-feira aos manifestantes "nada tem a ver com a resistência, com o movimento ou com a polícia".
Entre as reivindicações do movimento por trás da Acampada do Porto estão: a reversão da lei do arrendamento; o fim dos despejos de pessoas sem habitação alternativa; a colocação de um travão à aquisição de habitação por parte de fundos imobiliários e a aplicação de um teto às rendas; e o aumento da habitação pública, entre outras.
Na sequência das ações que têm decorrido no Porto, foi já anunciada também, para sábado, uma "acampada pelo direito à habitação" na capital do país, Lisboa. Terá lugar na Praça do Rossio, a partir das 17 horas locais, seguindo "o exemplo da acampada pela habitação na Puerta del Sol, em Madrid", e de "todas as que se seguiram", com vista a "exigir o direito à habitação para todas as pessoas".
Para o mesmo dia, está também prevista uma nova mobilização no Porto, embora, à agência Lusa, o porta-voz Pedro Manuel tenha informado que a organização está a ponderar a possibilidade de retomar o acampamento já esta sexta-feira.
Mas em declarações à SIC na noite de quinta-feira, Pedro Manuel tinha revelado que seria avaliada, em assembleia popular, a possibilidade de ser escolhido um novo local na cidade do Porto para levar a cabo as próximas concentrações, após as anteriores, na Praça de D. João I, terem contado com a participação de várias centenas de pessoas.
As mais recentes iniciativas ficaram marcadas por vários momentos de tensão, tendo sido denunciados pelo movimento organizador, segundo noticiou anteriormente a Euronews, mais de 30 feridos na madrugada de quinta-feira, fruto de confrontos entre os manifestantes e agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP).
Após o incidente, fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto confirmou à Euronews que "houve necessidade de uma intervenção mais musculada" no local, devido a "comportamentos de resistência à atuação policial" por parte de alguns dos participantes. Já o movimento por trás da "Acampada do Porto pela Habitação" considerou que existiu uma atuação policial "desproporcional e injustificada".
Desacatos que motivaram a criação de uma petição pública, que contava já com a assinatura de mais de 3.800 pessoas à hora de publicação deste artigo, "pela responsabilização política de Pedro Duarte", presidente da Câmara Municipal do Porto, "e pela defesa do direito à manifestação no Porto".
Os promotores manifestaram uma "profunda indignação perante os acontecimentos ocorridos na madrugada de 15 de outubro de 2026, na Praça de D. João I, na cidade do Porto", defendendo que a "responsabilidade pelos acontecimentos e as circunstâncias concretas da operação [policial] devem ser devidamente apuradas".
Algo que aconteceu depois do autarca da cidade ter "declarado que seria 'absolutamente implacável' perante novas tentativas de instalação de tendas naquela praça", detalhou a petição. "Estas declarações, seguidas dos acontecimentos da madrugada, levantam questões legítimas sobre a abordagem política adotada pela autarquia perante este protesto", concluíram os promotores da iniciativa.