A autora de sucesso de “Conversations With Friends” e “Normal People” está a ser obrigada a retirar os seus livros de venda no Reino Unido pelo apoio à organização Palestine Action
Sally Rooney, a conceituada e muito lida autora irlandesa responsável por “Conversations With Friends”, “Normal People” e “Intermezzo”, afirmou que já não pode vender livros no Reino Unido.
Rooney disse estar a ser obrigada a retirar os seus livros de venda devido ao apoio público que presta à organização Palestine Action, o que significa que deixa de poder receber direitos de autor das vendas no Reino Unido.
A editora de Rooney, Faber, afirmou: “A legislação atualmente em vigor no Reino Unido criou circunstâncias em que a Faber não consegue transferir para Sally Rooney os rendimentos obtidos no país pela sua obra. Vender o trabalho de uma autora e não poder entregar-lhe os rendimentos é uma situação inaceitável para uma editora.”
“Assim, e em total acordo com a Sally, decidimos que já não podemos fornecer as suas obras no Reino Unido, em qualquer formato”, informou a editora britânica, acrescentando que continuará a vender os seus livros noutros países e regiões.
O Reino Unido proibiu o grupo Palestine Action no ano passado, depois de o governo britânico ter avisado Rooney de que o seu apoio poderia violar a legislação antiterrorista. A organização, qualificada como “terrorista” pelas autoridades britânicas, não está proibida na Irlanda, onde Rooney vive.
Milhares de pessoas protestaram contra a proibição e foram detidas, com organizações de direitos humanos a condenarem a medida por considerarem que criminaliza a dissidência. Acredita-se que mais de 3 700 pessoas tenham sido detidas no Reino Unido, desde que o grupo foi banido em julho de 2025, por alegado apoio à Palestine Action.
O objetivo declarado da Palestine Action, no seu site, é pôr fim à “participação global no regime genocida e de apartheid de Israel”.
Em comunicado, Rooney afirmou: “'Em julho de 2025, o grupo de protesto de ação direta Palestine Action foi incluído na lista de organizações terroristas no Reino Unido. No mês seguinte, escrevi um artigo de opinião em que manifestei a intenção de continuar a apoiar a Palestine Action, que não é uma organização proscrita ou de qualquer forma proibida aqui na República da Irlanda'.”
“Como consequência, o cumprimento dos contratos para publicar a minha obra no Reino Unido poderá agora constituir um crime grave. Após um processo de consulta e reflexão, e com o meu total acordo, a minha editora Faber decidiu, por isso, que já não pode disponibilizar os meus livros no Reino Unido. Tenho feito todos os esforços para ser honesta com o público sobre as minhas convicções e intenções e estou totalmente preparada para aceitar as consequências.”
Huda Ammori, cofundadora da Palestine Action, afirmou: “O facto de Sally Rooney não poder publicar a sua obra no Reino Unido representa um novo patamar na ofensiva crescente contra a liberdade de expressão desencadeada pela proscrição da Palestine Action … [Ela] assumiu uma posição corajosa e de princípio desde o momento em que foram anunciados os planos para proibir a Palestine Action. Recusou comprometer as suas convicções, mesmo a um custo pessoal e profissional considerável.”
Ammori acrescentou: “A sua obra devia ser celebrada e amplamente disponível, não afastada das prateleiras das livrarias britânicas porque se recusa a ser cúmplice na repressão da solidariedade com o povo palestiniano. Nenhum autor deveria ter de escolher entre os seus princípios e a sua liberdade de publicar.”