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Roménia denuncia sete desaparecidos após incêndio num petroleiro com bandeira de San Marino no Mar Negro

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Barcaça navega com armazém danificado ao fundo após autodestruição de drone marítimo no porto de Constança, mar Negro, 5 junho 2026
Barcaça navega com armazém danificado ao fundo após autodetonação de drone marítimo no porto de Constanta, mar Negro, 5 junho 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Gavin Blackburn
Publicado a •Últimas notícias
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Estes incidentes voltaram a colocar em causa a capacidade da Europa para proteger a navegação e as infraestruturas críticas no Mar Negro, mais de um ano depois de a UE ter lançado uma estratégia para reforçar a segurança na região.

A Roménia informou que sete pessoas estão desaparecidas após um incêndio ter deflagrado numa embarcação com pavilhão de São Marinho na manhã de quinta-feira, o mais recente incidente no Mar Negro, que tem sido palco de uma série de ataques com drones.

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A embarcação, denominada "Wine Trader", comunicou um incêndio por volta das 7h00 locais (06h00 em Portugal continental), a cerca de 13 milhas náuticas a sudeste da cidade romena de Sulina, informou a Autoridade Naval romena em comunicado de imprensa.

"Havia 12 pessoas a bordo do navio. Cinco delas estão em segurança, enquanto sete continuam desaparecidas", acrescentou.

Estava em curso uma operação de busca e salvamento, envolvendo um navio e um helicóptero, precisou também a Autoridade Naval.

As autoridades romenas não revelaram se o incêndio foi causado por um drone.

O incidente ocorre depois de a Roménia ter anunciado, na quarta-feira, que estava a investigar um possível novo ataque com um drone a um petroleiro ao largo da sua costa no Mar Negro.

As equipas de socorro acorreram em auxílio ao "Yara J", com pavilhão das Ilhas Comores, após o início do incêndio, mas a tripulação do navio conseguiu extinguir o fogo por conta própria.

"Quer tenha sido atingido por um drone ou não, está atualmente em curso uma investigação", afirmou o ministro da Defesa, Radu Miruta, ao canal de televisão Digi24.

Petroleiros e navios de carga fundeados no mar de Mármara à espera de atravessar o Bósforo em direção ao mar Negro, em Istambul, 7 de outubro de 2026
Petroleiros e navios de carga fundeados no mar de Mármara à espera de atravessar o Bósforo em direção ao mar Negro, em Istambul, 7 de outubro de 2026 AP Photo

"Trata-se de uma questão de grande gravidade, tendo em conta que tais incidentes estão a ocorrer em águas territoriais romenas", afirmou.

Drones suspeitos de serem russos atingiram vários navios ao largo da Roménia e da vizinha Bulgária desde a semana passada, num efeito colateral da guerra na Ucrânia.

Pelo menos 163 embarcações civis e comerciais foram atingidas no Mar Negro nos primeiros oito meses deste ano, de acordo com a Câmara de Comércio Marítimo da Turquia.

Ataques no mar Negro

Entretanto, também na quarta-feira, a Bulgária afirmou que a Rússia estará provavelmente por detrás dos ataques com drones que, na última semana, atingiram quatro navios no Mar Negro, afundando dois, embora não haja forma de provar a responsabilidade de Moscovo.

As equipas de salvamento continuam à procura de 11 tripulantes desaparecidos depois de ataques com drones na terça-feira terem afundado dois navios na zona económica exclusiva da Bulgária e em águas adjacentes, enquanto outros cinco tripulantes foram resgatados.

Um dos navios está registado na Guiné-Bissau, mas o outro, o Chelsea-3, pertence a interesses ucranianos, está registado em Odessa e navega sob a bandeira de Malta, Estado-membro da União Europeia.

“Não faz sentido a Ucrânia atacar os seus próprios navios e tripulações, tendo em conta que o resultado de todos estes ataques favorece a Rússia e, de facto, a lógica aponta nesse sentido. O problema é que não o conseguimos provar”, declarou o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, no Parlamento.

Quatro dos marinheiros resgatados do HS Dignity a bordo de um rebocador de salvamento da Marinha búlgara a caminho do porto de Varna, 13 de outubro de 2026
Quatro dos marinheiros resgatados do HS Dignity a bordo de um rebocador de salvamento da Marinha búlgara a caminho do porto de Varna, 13 de outubro de 2026 AP Photo

Na terça-feira, Radev convocou a embaixadora russa em Sófia, que afirmou não dispor de qualquer informação do Ministério da Defesa russo, mas não excluiu a possibilidade de “estes ataques serem uma provocação de uma terceira parte”.

O navio de carga Dignity, com pavilhão da Guiné-Bissau, afundou-se na terça-feira depois de ter sido atingido por um ataque militar. Quatro marinheiros, três cidadãos sírios e um egípcio foram resgatados e chegaram ao porto de Varna, indicou o governador distrital, Mario Smarkov.

“Os quatro apresentavam-se em relativamente boas condições e não tinham sofrido ferimentos”, acrescentou. Um quinto marinheiro deverá chegar mais tarde, esta quarta-feira.

Smarkov afirmou que prosseguem as buscas pelos 11 tripulantes desaparecidos.

A Bulgária pediu assistência internacional para a investigação dos ataques contra navios comerciais, bem como apoio da NATO para reforçar os sistemas de vigilância e controlo e a capacidade de resposta a ataques com drones.

Segurança no Mar Negro

Os incidentes reavivaram o escrutínio sobre a capacidade da Europa para proteger a navegação e as infraestruturas críticas no Mar Negro, mais de um ano depois de a UE ter lançado uma estratégia para reforçar a segurança na região.

Quando a Estratégia para a Segurança no Mar Negro foi apresentada em maio de 2025, a chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, alertou para o facto de a região estar a sofrer os efeitos colaterais da invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia.

“A região do Mar Negro é o principal alvo de ações híbridas. A União Europeia pretende reforçar a cooperação para combater ciberataques, desinformação e outras ações hostis”, afirmou.

“As violações recorrentes do espaço aéreo e os ataques contra portos e rotas marítimas de comércio ilustram esta realidade.”

Um membro da tripulação de um avião caça-submarinos da Marinha francesa a sobrevoar o mar Negro, 9 de abril de 2025
Um membro da tripulação de um avião caça-submarinos da Marinha francesa a sobrevoar o mar Negro, 9 de abril de 2025 AP Photo

A política visava garantir a segurança deste corredor marítimo, bem como proteger infraestruturas e ativos críticos, como instalações offshore e cabos submarinos.

O plano previa igualmente a criação de um Centro de Segurança Marítima do Mar Negro, destinado a coordenar apoios e reforçar a cooperação entre guardas costeiras, entre outras actividades.

O centro teria também a missão de analisar dados de sensores no fundo do mar e alertar os aliados para perigos potenciais e ameaças iminentes.

Outras fontes • AP, AFP

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