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Ucrânia: Kallas diz que ataques a refinarias russas são legítima defesa

Volodymyr Zelenskyy e Kaja Kallas falam durante a reunião informal do Conselho da UE dos Negócios Estrangeiros em Kiev, Ucrânia, em 31 de março de 2026.
Imagem de arquivo: Volodymyr Zelenskyy e Kaja Kallas falam durante a reunião informal do Conselho dos Negócios Estrangeiros da UE, em Kiev, Ucrânia, 31 de março de 2026. -  Direitos de autor  AP Photo
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De Luca Bertuzzi & Sasha Vakulina
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A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, considerou legítimos os ataques ucranianos a refinarias russas e Kiev promete retomá-los apesar da trégua energética anunciada por Trump.

A alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Kaja Kallas, defendeu os ataques da Ucrânia contra refinarias de petróleo russas como um meio legítimo para pôr fim à guerra da Rússia, afirmando que a forma mais rápida de os travar é terminar o conflito.

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“Se olharmos para o direito internacional, é claro que [atingir refinarias] é em defesa da Ucrânia, porque é daí que vem o financiamento desta guerra que mata ucranianos todos os dias”, afirmou em entrevista exclusiva à Euronews.

As declarações surgem depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter anunciado um acordo para a Rússia fornecer mais de 300 000 toneladas de gasóleo, numa altura de aperto energético global, seguido de um “cessar-fogo energético” ao abrigo do qual Rússia e Ucrânia deixariam de atacar as infraestruturas energéticas dos dois lados.

“Se olharmos para o quadro geral, a maior parte do financiamento desta guerra vem do petróleo. E é por isso que a Ucrânia também os [as refinarias] está a atacar, enquanto a Rússia mira a infraestrutura energética dentro da Ucrânia para provocar o máximo de sofrimento possível à população ucraniana no próximo inverno”, acrescentou.

Kallas salientou, contudo, que a guerra tem um agressor e uma vítima bem definidos e que os Estados Unidos devem juntar-se aos europeus na pressão sobre a Rússia, e não sobre a Ucrânia, já que a UE vai continuar a apoiar Kiev, que não se rendeu.

Chamas e fumo são vistos a elevar-se da refinaria de petróleo de Moscovo, no sudeste da cidade, após um ataque de grande escala com drones ucranianos, domingo, 20 de setembro de 2026
Chamas e fumo são vistos a elevar-se da refinaria de petróleo de Moscovo, no sudeste da cidade, após um ataque de grande escala com drones ucranianos, domingo, 20 de setembro de 2026 UGC via AP

Volodymyr Zelenskyy afirmou que Kiev vai retomar os ataques contra refinarias de petróleo russas, acusando Washington de suspender a partilha de informações de inteligência e de perturbar os serviços de internet por satélite Starlink numa altura de intensificação dos ataques russos contra a Ucrânia.

“O bloqueio (aos ataques às refinarias) acabou. Terminámos”, disse Zelenskyy ao Financial Times numa entrevista publicada apenas algumas horas antes da cimeira da UE.

Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, a Ucrânia intensificou de forma significativa a campanha contra a infraestrutura petrolífera da Rússia, atingindo, só em setembro, 12 grandes refinarias.

De acordo com a Agência Internacional de Energia (AIE), apenas cinco das 32 principais refinarias da Rússia tinham escapado a ataques de drones ucranianos até ao final de agosto, havendo instalações atingidas até 15 vezes desde que a Rússia lançou a invasão em grande escala em 2022.

Zelenskyy confirmou que a Ucrânia interrompeu durante três dias os ataques contra infraestruturas energéticas russas a pedido de Washington, enquanto Moscovo continuou a atacar a infraestrutura ucraniana e a matar civis.

Segundo o presidente ucraniano, responsáveis norte-americanos avisaram ainda os seus homólogos ucranianos de que a partilha de informação de inteligência seria suspensa se Kiev não parasse os ataques, embora a perturbação subsequente tenha sido apresentada como um problema técnico.

Recusou também a ideia de que as interrupções dos serviços Starlink tenham sido acidentais.

“Não foi um problema técnico, foi vontade”, afirmou Zelenskyy.

Já o Kremlin respondeu com sarcasmo pouco dissimulado, sugerindo na prática que ainda não está em vigor qualquer cessar-fogo energético.

“O que foi anunciado? Quais são os limites do cessar-fogo energético? O que significa? Algo disto foi especificado?”, questionou na quarta-feira o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

“É por isso que o trabalho nesta direção continua”, acrescentou.

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