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UE: líderes iniciam negociações decisivas sobre energia, China e orçamento

Líderes da UE reunidos em Bruxelas junho de 2026. Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho, António Costa, surgem ao centro da imagem.
Líderes da UE reúnem-se em Bruxelas, junho de 2026. Ursula von der Leyen e António Costa, presidentes da Comissão e do Conselho, estão no centro da foto -  Direitos de autor  FREDERIC SIERAKOWSKI/
Direitos de autor FREDERIC SIERAKOWSKI/
De Mared Gwyn Jones
Publicado a •Últimas notícias
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Bom dia de Bruxelas, onde os líderes da UE iniciam hoje uma cimeira de dois dias, com a crise energética, as relações comerciais com a China e o próximo orçamento plurianual em cima da mesa.

Mas antes, notícias de última hora: a chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, acaba de dizer ao programa Europe Today que o acordo sobre gasóleo entre os EUA e a Rússia é um “presente para Putin”, ao mesmo tempo que defende o direito da Ucrânia de atacar refinarias de petróleo russas.

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“A questão central é que a Rússia tem de parar esta guerra”, afirmou Kallas. “Se olharmos para o quadro geral, a maior parte do financiamento desta guerra vem do petróleo.”

Questionada pela nossa editora da UE, Maria Tadeo, sobre se o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy tinha razão ao dizer que continuaria a atacar refinarias de petróleo russas, Kallas respondeu: “Sim, se olharmos para o direito internacional, é claro que se trata da defesa da Ucrânia.” Veja aqui.

Guia da cimeira: Dentro de pouco mais de uma hora, os líderes da UE vão abrir uma cimeira de dois dias com um debate sobre os preços da energia, que têm disparado numa altura de hostilidades no Médio Oriente, escreve o meu colega Jorge Liboreiro. O petróleo continua acima dos 100 dólares por barril, apesar de uma libertação coordenada pelos países do G7, e a Agência Internacional da Energia (AIE) avisou na quarta‑feira que a Europa pode enfrentar novas subidas dos preços grossistas do gasóleo nas próximas semanas.

Os líderes italiano e grego apelaram a Bruxelas para que flexibilize as regras orçamentais da UE, permitindo aos governos utilizar “medidas temporárias e direcionadas” para baixar os preços. Mas os Estados mais conservadores em matéria orçamental alertam que aliviar as regras pode agravar os já elevados défices europeus e alimentar maior volatilidade nos mercados.

Depois, China: os líderes deverão depois abordar o crescente défice comercial com a China, uma semana depois de o comissário europeu do Comércio, Maroš Šefčovič, ter alcançado um acordo preliminar para limitar as importações de veículos híbridos chineses para a UE e facilitar o acesso a terras raras.

Mas persiste a sensação de que é preciso ir mais longe. França e Alemanha encontraram um raro terreno comum no dossier, apresentando um “interruptor" que cortaria o acesso da China ao mercado da UE caso o défice se mantivesse insustentável.

Os líderes terão de calibrar cuidadosamente como reequilibrar ainda mais uma relação comercial desequilibrada sem pôr em causa os avanços dos últimos dias ao avançar com novas medidas.

Questões orçamentais: os momentos mais tensos da cimeira deverão surgir ao fim da tarde, quando for colocado em cima da mesa o próximo orçamento comunitário para sete anos. As negociações prometem ser arduas, com dois campos opostos – os “frugais”, por um lado, e os defensores de um orçamento mais ambicioso, por outro – ainda em confronto.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, quer um acordo até ao fim do ano, para garantir que o complexo trabalho legislativo possa ficar concluído antes de janeiro de 2028. Mas uma proposta de compromisso negociada pela Irlanda deixou ambos os lados insatisfeitos.

O choque de posições e a falta de vontade de ceder não auguram nada de bom para a ambição de Costa de conseguir um acordo unânime em dezembro. A decisão inesperada do primeiro‑ministro espanhol, Pedro Sánchez, de convocar eleições antecipadas acrescenta mais uma camada de incerteza.

“Não penso que haja sangue nas paredes, mas é importante, neste tipo de negociações, que os líderes percebam onde estão as contradições”, afirmou outro diplomata sénior. “Não temos pressa. Precisamos de um bom acordo. Não sentimos qualquer pressão de tempo.”

O Jorge tem mais detalhes nesta antevisão imperdível. Pode também acompanhar a nossa cobertura ao minuto, com bastidores e contexto, no blog em direto em inglês.

Zelenskyy ‘traído’: o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que se juntará à cimeira amanhã, disse na quarta‑feira que o país está a perder um aliado chave nos Estados Unidos e admitiu sentir‑se “traído” por Donald Trump, à medida que as relações entre Kiev e Washington atingem um novo mínimo, relata a minha colega Sasha Vakulina.

Questionado pelo apresentador britânico Piers Morgan sobre se a Ucrânia está a perder o apoio americano, Zelenskyy respondeu: “Sim, mas não por nossa causa. Não podemos ser fracos.”

“Dói quando o presidente Trump escolhe um lado que não é o nosso”, disse. Perante a pergunta sobre se se sentia traído, Zelenskyy respondeu: “Sim, de facto”, embora tenha sublinhado que a situação é mais complexa do que os seus sentimentos pessoais.

EUA de olho em ativos congelados: entretanto, o Financial Times noticia também que os negociadores norte‑americanos propuseram que os países europeus descongelassem parte dos ativos estatais russos imobilizados e os transferissem para um veículo financeiro controlado por Washington, como forma de desbloquear conversações de paz estagnadas.

O plano terá sido apresentado durante conversações em Miami na semana passada e foi rejeitado de imediato pelas delegações europeias. O controlo sobre estes ativos imobilizados dá à Europa uma alavanca crucial, e a possibilidade de os canalizar diretamente sob a forma de empréstimo à Ucrânia será discutida nas conversações de amanhã, aqui em Bruxelas. O FT tem mais.

Interrupções no Starlink: Zelenskyy descreveu também ontem à noite a perturbação na ligação Starlink da Ucrânia como um “grande erro”, avisando que “as pessoas vão morrer” se o serviço não for restabelecido. Operações militares ucranianas foram perturbadas na quarta‑feira por ligações Starlink instáveis e por restrições de velocidade, segundo unidades das forças armadas ucranianas.

O conselheiro presidencial Serhii Beskrestnov confirmou um limite de velocidade de cerca de 160 km/h no serviço militar Starshield, construído sobre o Starlink. A perturbação também afetou operações com drones, incluindo intercetores utilizados para defender o país de ataques aéreos russos.

No final do dia, o serviço terá estabilizado, embora o limite de velocidade se mantivesse em vigor. Continuavam a existir dúvidas sobre quem impôs inicialmente as restrições e quem autorizou a melhoria posterior.

O antigo ministro da Defesa Mykhailo Fedorov agradeceu publicamente a Elon Musk à medida que a conectividade melhorou. Mas o diretor-executivo da SpaceX apontou o presidente Donald Trump como autoridade máxima, afirmando que os sistemas Starshield são controlados pelo governo dos EUA e que as decisões sobre restrições cabem às forças armadas americanas e, em última análise, ao próprio presidente.

França: Marine Le Pen ataca Comissão Europeia e diz que país não pode continuar a financiar a Ucrânia

A candidata presidencial da extrema‑direita francesa, Marine Le Pen, aproveitou uma visita a Bruxelas na quarta‑feira para atacar a Comissão Europeia, dizendo que quer retirar poderes à UE e limitar a contribuição líquida de França para o orçamento do bloco a 5 mil milhões de euros por ano.

“Ser pró‑França não significa ser anti‑Europa”, afirmou aos jornalistas numa conferência de imprensa organizada após uma reunião do grupo de extrema‑direita Patriots for Europe.

“[A Comissão] é como a rã que se enche de ar para parecer maior do que o boi”, disse.

Sobretudo, a líder de extrema‑direita – cujo partido Rassemblement National lidera as sondagens antes das presidenciais de abril do próximo ano – afirmou também que França não pode continuar a financiar a Ucrânia devido ao estado “perigoso” da economia francesa. O país enfrenta os custos de financiamento mais elevados em quase 25 anos, com as yields das obrigações a 10 anos a subir 100 pontos base desde o início do ano.

Mais das nossas redações

Eurodeputados pedem à UE que proteja o Tribunal Penal Internacional de sanções dos EUA. Deputados de todo o espetro político defendem que a UE deve ativar o Estatuto de Bloqueio para impedir que empresas europeias cumpram medidas impostas pela administração norte‑americana, qualificadas como um “ataque de uma potência estrangeira”. Vincenzo Genovese traz mais informações.

Regras da UE sobre metano enfrentam atraso de um ano, gerando contestação ambiental. A Comissão Europeia propôs adiar por um ano as regras de cumprimento em matéria de metano, com ambientalistas a advertirem que a medida pouco fará para baixar os preços da energia e a acusarem Bruxelas de usar a segurança energética e a competitividade para justificar o enfraquecimento do Pacto Ecológico. Marta Pacheco temtodos os detalhes.

Também estamos atentos a

A nossa atenção está hoje totalmente centrada na cimeira do Conselho Europeu. Eis como se prevê que decorra o dia:

  • Os três principais grupos políticos europeus vão reunir os respetivos líderes em encontros preparatórios logo de manhã, antes de a cimeira começar por volta das 10h00 CET - menos uma hora em Lisboa. O grupo de extrema‑direita Patriotas pela Europa e os líderes dos chamados países de Visegrád 4 – Chéquia, Hungria, Polónia e Eslováquia – já realizaram reuniões preliminares ontem à noite.
  • Espera‑se que os seis países chamados “frugais” da UE se juntem ao pequeno‑almoço para discutir as negociações sobre o orçamento de longo prazo da União antes do arranque da cimeira.
  • Ao longo do dia, os líderes vão discutir energia, economia e orçamento. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, deverão realizar uma conferência de imprensa a partir da cimeira pelas 19h30 CET, menos uma hora em Portugal continental.
  • Os líderes voltam a reunir‑se ao jantar para debater o alargamento.

É tudo por hoje. Jorge Liboreiro, Sasha Vakulina e Vincenzo Genovese contribuíram para esta newsletter.

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