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Uma linha de defesa antimíssil nos Balcãs: Itália reforça papel no Kosovo

Soldados italianos da KFOR em Mitrovica, no Kosovo - 2022
Militares italianos da KFOR em Mitrovica, no Kosovo - 2022 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Stefania De Michele
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Roma prepara um documento para alargar a cooperação militar com o Kosovo, apostando na missão KFOR da NATO e na segurança dos Balcãs.

Em Itália, a segurança dos Balcãs volta a estar no centro do debate: com um general italiano à frente da missão KFOR da NATO, Roma prepara um novo documento para reforçar a cooperação militar com o Kosovo. A iniciativa, que surgiu do encontro em Pristina entre Guido Crosetto, ministro da Defesa italiano, e Ejup Maqedonci, o seu homólogo kosovar, acompanha o regresso de Itália ao comando da força internacional numa fase ainda marcada pelas tensões entre Pristina e Belgrado.

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Segundo o portal kosovar Arbresh.info, o Ministério da Defesa italiano está a preparar um documento para alargar e aprofundar a colaboração bilateral no setor da defesa. Maqedonci foi informado dos preparativos em curso e discutiu com o ministro italiano as possibilidades de reforçar ainda mais as relações militares entre os dois países.

KFOR: general Roberto Vergori assume o comando

A passagem de testemunho trouxe de volta um general italiano à liderança da KFOR, após um ano de comando turco. O general de divisão Roberto Vergori substituiu o general turco Özkan Ulutaş durante uma cerimónia no quartel-general da missão, em Camp Film City, na capital do Kosovo.

Com Vergori, este é o décimo quinto comandante italiano da força internacional, ativa desde 1999 para contribuir para um ambiente seguro e para a liberdade de circulação no Kosovo. Participam na missão cerca de 4.600 militares de 31 países, sendo o contingente italiano o mais numeroso: cerca de 900 elementos.

A cerimónia contou com a presença de Crosetto, Maqedonci e do vice-comandante da Força de Segurança do Kosovo, o general Enver Cikaqi. O ministro kosovar agradeceu a Ulutaş pela contribuição para a paz e a segurança do país e desejou boa sorte ao novo comandante, reiterando o compromisso de Pristina em prosseguir a colaboração com a KFOR e com os parceiros internacionais.

Segurança nos Balcãs: Roma aposta numa presença a longo prazo

Roma considera a estabilidade dos Balcãs uma componente da segurança europeia e tenciona manter o seu empenho, mesmo na eventualidade de uma futura redução da presença da KFOR.

"Continuaremos mesmo quando a KFOR reduzir o seu envolvimento no Kosovo", declarou Crosetto, indicando entre os objetivos também o reforço das capacidades de vigilância e de prevenção de ameaças. O ministro referiu a possibilidade de instalar radares na região para proteger os países da zona e contribuir para a segurança italiana.

A evolução das capacidades balísticas também explica a preocupação italiana. Crosetto citou os ataques contra aeroportos na Arábia Saudita, atribuídos aos houthis do Iémen, defendendo que a velocidade atingida pelos mísseis demonstra o quão complexas se tornaram as ameaças que os Estados têm de se preparar para enfrentar. Segundo o ministro, estes desenvolvimentos tornam ainda mais importante reforçar a vigilância e a cooperação com os países amigos, de modo a identificar os riscos e prevenir possíveis ataques.

Entre as capacidades tecnológicas italianas que poderiam enquadrar-se neste contexto, destacam-se os radares da família Kronos e a aeronave CAEW, um sistema aéreo de vigilância e alerta precoce que regressou recentemente de uma missão na Arábia Saudita. São instrumentos com funções diferentes, mas que têm em comum a contribuição para a recolha de informações e a vigilância do espaço aéreo.

Que tecnologias estão em causa

Trata-se de uma perspetiva estratégica, ainda não de um contrato industrial. Em destaque está a família de radares Kronos, desenvolvida e produzida pela Leonardo. Em particular, o Kronos Grand Mobile High Power é um radar multifunções na banda C baseado na tecnologia AESA, que permite orientar eletronicamente o feixe de radar e acompanhar simultaneamente vários alvos. Concebido para a vigilância e a defesa aérea e antimísseis, o sistema tem um alcance de vigilância declarado superior a 300 quilómetros e é capaz de detetar e rastrear até mesmo mísseis balísticos táticos. A versão GM HP foi selecionada para o sistema italo-francês SAMP/T NG e para um programa de reforço das capacidades de defesa aérea italianas.

KRONOS® GRAND MOBILE, um radar multifuncional de alto desempenho
KRONOS® GRAND MOBILE, um radar multifuncional de alto desempenho Leonardo

Diferente é a função da aeronave CAEW da Força Aérea, baseada no Gulfstream G550 e equipada com radares e sensores para vigilância aérea de 360 graus, alerta precoce e coordenação de operações. A plataforma foi desenvolvida com sistemas de missão israelitas. Ambos os exemplos ajudam a contextualizar as capacidades tecnológicas disponíveis, mas o ministro Crosetto não especificou qual o modelo de radar que tenciona eventualmente instalar nos Balcãs. Não é, portanto, possível determinar, neste momento, se o projeto diz respeito aos Kronos, a outros sensores terrestres ou a uma rede integrada de sistemas diferentes.

Tensões entre Pristina e Belgrado continuam a ser fator de risco

A cooperação militar entre Itália e o Kosovo desenvolve-se num contexto em que a estabilidade interna deste país dos Balcãs não pode ser dada como garantida. As tensões políticas e os protestos relacionados com as condenações por crimes de guerra impostas aos antigos dirigentes do Exército de Libertação do Kosovo (UCK) voltaram a chamar a atenção para a fragilidade do quadro político.

Além disso, as zonas setentrionais de maioria sérvia continuam a ser sensíveis, onde as relações entre as autoridades de Pristina e Belgrado continuam a ser fonte de atrito.

A KFOR desempenha, há mais de 25 anos, uma função de segurança e de interposição, com a missão de contribuir para prevenir uma escalada e promover um ambiente estável. Para Itália, o reforço das relações com as instituições kosovares acompanha, portanto, a participação na missão da NATO e insere-se numa estratégia mais ampla de cooperação com os parceiros da região.

Itália entre o Kosovo e a Sérvia: o papel do diálogo europeu

Itália reforça a cooperação militar com o Kosovo, mas sem fechar a porta a Belgrado. Tendo reconhecido a independência do Kosovo em fevereiro de 2008, contribui para a segurança do país através da KFOR e considera o diálogo entre o Kosovo e a Sérvia essencial para evitar novas escaladas nos Balcãs Ocidentais.

Roma apoia o percurso de integração europeia da região e a normalização das relações entre Pristina e Belgrado através do processo promovido pela União Europeia. Entre as questões ainda em aberto encontra-se a criação da Associação de Municípios de maioria sérvia no Kosovo, prevista nos acordos apoiados a nível europeu e que continua a estar no centro das tensões políticas.

A Sérvia continua, portanto, a ser um interlocutor importante para Itália a nível económico e diplomático. Manter aberto o diálogo com Belgrado é considerado fundamental para a estabilidade regional e para a perspetiva europeia dos Balcãs Ocidentais, também à luz das relações entre a Sérvia e a Rússia.

A linha italiana visa, portanto, conciliar o apoio à segurança do Kosovo, a cooperação com os parceiros da NATO e a procura de uma solução política para os litígios entre Pristina e Belgrado. Um equilíbrio que atribui um papel central à diplomacia europeia: a normalização das relações continua, de facto, a ser um elemento fundamental do percurso de aproximação à União Europeia para ambas as partes.

Novo documento visa consolidar as relações militares

O documento bilateral em preparação poderá conferir uma estrutura mais sólida à colaboração entre Roma e Pristina, num momento em que Itália considera essencial manter-se atenta à segurança dos Balcãs Ocidentais. O reforço das relações com as instituições kosovares vem, assim, juntar-se à liderança da KFOR e ao empenho diplomático para promover a estabilidade regional, sem renunciar ao diálogo com Belgrado.

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