Após uma semana de tensões entre Washington e Kiev, Zelenskyy afirmou que Trump continuava a ser mais fácil de lidar do que Putin, apesar dos apelos do presidente dos EUA a uma nova liderança na Ucrânia e das críticas dirigidas ao líder ucraniano.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy rejeitou a afirmação de Donald Trump de que é mais difícil lidar com ele do que com Vladimir Putin, tendo declarado à Euronews que negociar com o presidente dos EUA é mais fácil do que lidar com o líder russo.
Em declarações na sexta-feira, durante a cimeira da UE em Bruxelas, Zelenskyy foi questionado sobre as críticas de Trump e sobre se os dirigentes europeus apoiam a continuação dos ataques ucranianos a refinarias de petróleo russas, apesar da pressão de Washington para que sejam interrompidos.
“É mais fácil lidar com ele do que com Putin. Falo de Trump”, afirmou Zelenskyy.
“Já tive várias reuniões com o presidente dos Estados Unidos da América e encontramos sempre temas para discutir e decidir.”
As declarações surgem numa altura de tensão entre Kiev e Washington devido aos ataques ucranianos contra infraestruturas petrolíferas russas e à decisão de Trump de aliviar as sanções sobre o gasóleo russo. O presidente norte-americano tem criticado esses ataques, culpando-os por contribuírem para a subida dos preços dos combustíveis a nível mundial.
Zelenskyy afirmou que a prioridade passa por defender os interesses nacionais da Ucrânia, independentemente das pressões externas.
“Defendo exclusivamente os interesses da Ucrânia e do povo ucraniano. Fomos atacados, ocupados, e o nosso povo foi morto. É lógico que tenhamos o direito de nos defender”, disse.
“Tudo isto é plenamente legal e é isso que vamos continuar a fazer. Manteremos a nossa posição.”
Zelenskyy não respondeu diretamente se os líderes europeus apoiaram novos ataques a refinarias russas, reiterando antes o direito da Ucrânia à autodefesa.
Zelenskyy acusa Putin de bloquear esforços de paz
O presidente ucraniano afirmou que o país continua empenhado em pôr fim à guerra por via negocial, mas acusou Putin de não ter qualquer interesse real num acordo de paz.
“Putin não quer negociações neste momento, em formato algum”, declarou, classificando a retórica de Moscovo como 'uma paródia de uma vontade genuína de acabar com a guerra’.
“Ele não quer que a guerra termine. Estou convencido de que é por isso que até o Donbass lhe parece demasiado pequeno.”
Presidente ucraniano alerta contra alívio das sanções à Rússia
Zelenskyy advertiu ainda que aliviar as restrições ao gasóleo russo pode abrir caminho a novas concessões e enfraquecer o esforço ocidental para limitar a capacidade de Moscovo de financiar a guerra contra a Ucrânia.
“Na minha opinião, não podemos aceitar estes negócios de gasóleo, estes acordos, porque a seguir virão negócios de gás. Tenho a certeza absoluta disso. Depois do gás, as sanções serão levantadas também noutras áreas”, afirmou.
“Tudo acabará por recair sobre o sistema bancário, indivíduos e a indústria química.”
Manifestou também preocupação com o futuro dos ativos russos congelados, admitindo que possam estar em risco se os países ocidentais continuarem a fazer concessões a Moscovo.
“Se não for eu a defender isto, quem o fará por nós? Refiro-me no plano diplomático”, disse Zelenskyy.
Os líderes europeus têm procurado manter a pressão sobre Moscovo, apesar da decisão de Washington de aliviar algumas sanções.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou na sexta-feira que a UE não levantará as sanções enquanto a Rússia não puser fim à guerra. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, apelou a um reforço da pressão sobre Moscovo, em vez de novas cedências.