Encontra-nos
Publicidade

Marine Le Pen disposta a debater com Zelenskyy após prometer cortar ajuda à Ucrânia

Marine Le Pen quer cortar a ajuda à Ucrânia
Marine Le Pen quer cortar a ajuda à Ucrânia -  Direitos de autor  Ludovic Marin, Pool Photo via AP: AP Photo/Aurelien Morissard
Direitos de autor Ludovic Marin, Pool Photo via AP: AP Photo/Aurelien Morissard
De Nina Borowski
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

A candidata do Rassemblement National disse estar pronta a “debater” com o presidente ucraniano o apoio francês a Kiev, que tenciona terminar se chegar ao poder. Volodymyr Zelenskyy acusou-a de desconhecer os detalhes da cooperação militar entre Paris e Kiev.

A ajuda francesa à Ucrânia entra na campanha presidencial de 2027. Marine Le Pen, que pretende pôr‑lhe termo se chegar ao Eliseu, declarou‑se pronta a debater diretamente a questão com Volodymyr Zelenskyy.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O presidente ucraniano reagira às suas declarações, considerando que “Madame Le Pen não domina bem certos detalhes” da cooperação militar franco‑ucraniana.

Esta troca à distância, feita através dos média, suscitou também reações entre vários adversários políticos da candidata do Rassemblement National.

Na quinta-feira, como convidada da CNews, Marine Le Pen afirmou que estava disposta a deslocar-se à Ucrânia para discutir o tema com o presidente ucraniano: "Podemos debater este assunto quando ele entender", declarou. "Se o senhor Zelenskyy quiser conversar, irei com todo o gosto à Ucrânia. No entanto, quero dizer-lhe que já não temos meios financeiros para prestar ajuda", acrescentou.

“Não tenho nada, a título pessoal, contra Zelensky”

“Não tenho nada, a título pessoal, contra Zelenskyy”, fez ainda questão de sublinhar numa mensagem publicada na rede social X, reproduzindo a sua intervenção na CNews.

Mais cedo, na quarta‑feira, interrogada pela televisão flamenga VRT News, a candidata de extrema‑direita denunciara o custo do apoio francês à Ucrânia, que estima em 6 mil milhões de euros por ano. Um montante que corresponde aproximadamente à média anual da ajuda francesa à Ucrânia desde fevereiro de 2022, incluindo as ajudas bilaterais e as contribuições para os mecanismos europeus.

“A partir da minha eleição, durante seis meses manteremos as ajudas […] para não colocar ninguém contra a parede. Mas depois deixaremos de prestar ajuda financeira à Ucrânia, porque já não temos meios para o fazer”, declarou.

Ucrânia também contribui para a defesa de França, diz Zelenskyy

Numa entrevista ao Financial Times publicada na quinta‑feira, Volodymyr Zelenskyy defendeu os benefícios da cooperação militar entre França e a Ucrânia, nomeadamente no domínio das tecnologias de armamento.

França “só tem a ganhar” com esta parceria, garantiu. “Damos algo em troca”, insistiu.

Zelenskyy sublinhou em particular que a experiência adquirida pelo seu exército no campo de batalha permite a França testar e melhorar os seus meios militares em condições reais de combate.

Citou os sistemas de defesa antiaérea franco‑italianos SAMP/T, modificados várias vezes para se adaptarem às realidades do terreno, bem como os mísseis franco‑britânicos Scalp/Storm Shadow. Uma cooperação “ganha‑ganha”, segundo o dirigente ucraniano.

França reafirma apoio à Ucrânia

Em Bruxelas, após uma reunião com o seu homólogo ucraniano, Emmanuel Macron voltou na quinta‑feira a reafirmar o apoio de França à Ucrânia.

Perante a intensificação dos ataques russos, o presidente francês considerou “fundamental” fornecer a Kiev “todos os meios necessários” para se defender e proteger a sua população e as suas infraestruturas, garantindo que “França continuará a assumir as suas responsabilidades”.

O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Jean‑Noël Barrot, também reagiu às declarações de Marine Le Pen, considerando que pôr fim à ajuda francesa à Ucrânia seria “a forma mais segura de ver a guerra aproximar‑se das nossas fronteiras”.

Adversários de Marine Le Pen contestam posição sobre ajuda

Gabriel Attal, candidato da Renaissance às presidenciais, criticou também a posição de Marine Le Pen na Franceinfo, acusando‑a de querer “deixar que os ucranianos sejam massacrados”.

“O apoio à Ucrânia não é uma operação humanitária para nos sentirmos bem, é a nossa própria defesa”, insistiu o antigo primeiro‑ministro.

O eurodeputado Raphaël Glucksmann, vencedor das primárias social‑democratas, denunciou igualmente uma “capitulação” e uma “submissão” perante Vladimir Putin.

“Se cortarmos a ajuda à Ucrânia, isso significa que submetemos toda a Europa a Vladimir Putin”, declarou na France 5 o candidato de centro‑esquerda às presidenciais, considerando que Marine Le Pen “não deve, em circunstância alguma, chegar ao poder”.

Já o candidato de Horizons, Édouard Philippe, qualificou como “traição” as declarações de Marine Le Pen numa mensagem publicada no X.

“Dizer que França deixará de ajudar a Ucrânia no fim de 2027 é enfraquecê‑la ainda mais no momento em que – mais do que nunca – devemos cerrar fileiras em seu redor”, escreveu.

As declarações de Marine Le Pen suscitaram também reações para lá dos seus concorrentes na corrida ao Eliseu.

O advogado liberal Charles Consigny, comentador do programa Les Grandes Gueules na RMC e antigo candidato dos Republicanos às legislativas de 2022, considera que a posição de Marine Le Pen serve os interesses de Vladimir Putin.

“Putin espera impacientemente pela vitória de Marine Le Pen”, sustenta no X.

No campo do RN, a deputada Laure Lavalette defendeu o fim do apoio financeiro francês a Kiev. “Já não podemos ajudar a Ucrânia. Os cofres estão vazios”, afirmou na RMC, antes de reconhecer que desconhecia o montante da contribuição francesa.

Alemanha lidera contribuição europeia à ajuda à Ucrânia

De acordo com os números do Kiel Institute, um instituto de investigação alemão, a França dedicou no total 27 mil milhões de euros ao apoio à Ucrânia desde o início da invasão russa, dos quais 7,9 mil milhões em ajuda bilateral e 19 mil milhões através de mecanismos europeus.

Em termos absolutos, a Alemanha continua a ser o principal contribuidor europeu da ajuda à Ucrânia, com mais de 50 mil milhões de euros empenhados desde fevereiro de 2022, à frente de França, Itália e Países Baixos.

Em percentagem do PIB, porém, a ajuda bilateral é mais elevada na Dinamarca e na Estónia.

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Ucrânia: Kallas diz que ataques a refinarias russas são legítima defesa

Ucrânia: conselheiro de Zelenskyy denuncia restrições noturnas ao Starlink

França: governo ataca duramente o contra-orçamento de Marine Le Pen