Entretanto, a Ucrânia avança com planos para desenvolver alternativas europeias aos sistemas de defesa aérea e às comunicações por satélite Starlink de fabrico norte-americano, com negociações já em curso.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, garantiu esta segunda-feira não ter havido qualquer suspensão na partilha de informações de inteligência com a Ucrânia e apelou ao presidente Volodymyr Zelenskyy para que “se concentre” em pôr termo à guerra com a Rússia.
“Não houve qualquer pausa”, afirmou Rubio aos jornalistas, quando foi questionado sobre as alegações da Ucrânia de que os Estados Unidos tinham interrompido por breves dias o envio de informações de inteligência para ajudar a travar os ataques com mísseis da Rússia.
O líder ucraniano disse aos meios de comunicação dos EUA, no domingo, que a medida tinha sido “desbloqueada pelo lado americano” após uma suspensão de três dias.
Rubio, que está no Uzbequistão para conversações com responsáveis da Ásia Central, afirmou que Donald Trump quer que Zelenskyy e o presidente russo, Vladimir Putin, se concentrem em pôr fim à invasão russa, que já entra no quinto ano.
“Aquilo que ele [Zelenskyy] devia ter como prioridade, e que também queremos priorizar, é pôr fim a esta guerra”, disse Rubio.
“É nisso que queremos que todos se concentrem. É nisso que queremos que os russos se concentrem. É nisso que também devemos concentrar-nos. Foi isso que o presidente definiu como prioridade: tentar pôr fim a esta guerra”, afirmou o chefe da diplomacia norte-americana.
Trump, que afirma ter fechado um acordo com a Rússia para garantir exportações de combustível em troca do levantamento parcial das sanções, tem intensificado nos últimos dias os ataques a Zelenskyy por causa da guerra.
O líder norte-americano escreveu no domingo, na sua plataforma Truth Social, que estava a fazer “grandes progressos” nas negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, mas afirmou: “Zelenskyyy não se importa e, sinceramente, com todo o dinheiro que a Europa, como se sabe, lhe está a dar… ele não quer acabar com esta guerra e provavelmente nunca quis.”
“Zelenskyyy está a usar refinarias de gasóleo na Rússia como alvo, sabendo que estes ataques estão a prejudicar seriamente os mercados mundiais de gasóleo, incluindo os dos Estados Unidos”, disse Trump.
Estados Unidos retomam partilha de inteligência com a Ucrânia
Mas Zelenskyy afirmou estar “agradecido” pelo facto de os Estados Unidos terem retomado a partilha de informações de inteligência, depois de uma pausa ter deixado o país mais vulnerável a ataques russos com mísseis.
“Esteve bloqueada durante algum tempo. E depois foi desbloqueada pelo lado americano. Estamos muito agradecidos por isso. Agora está a funcionar”, disse ao programa “Meet the Press”, da NBC, numa entrevista divulgada no domingo.
“Só os Estados Unidos dispõem deste tipo de informações únicas para nos avisar quando a Rússia usa mísseis balísticos. E não as recebemos durante os ataques com mísseis balísticos que decorreram ao longo de três dias”, acrescentou Zelenskyy.
Na última semana, Kiev informou também restrições aos serviços de satélite operados pela SpaceX, de Elon Musk, dos quais a Ucrânia depende para comunicações em campo de batalha, pouco depois de o presidente norte-americano Donald Trump ter criticado a Ucrânia e lhe ter pedido que deixasse de atacar refinarias de petróleo russas.
Zelenskyy disse acreditar que “foi uma mensagem do governo dos EUA para limitar a velocidade. E, tecnicamente, foi a SpaceX que o fez”.
A administração Trump negou ter estado por detrás de qualquer redução de velocidade e o comentário de Zelenskyy motivou uma rápida repreensão de um alto responsável norte-americano.
“O Presidente (Donald) Trump e o secretário (de Estado, Marco) Rubio disseram de forma categórica que ninguém na administração Trump fez isso. E considero muito irresponsável que o presidente Zelenskyy faça uma acusação desse tipo”, afirmou Bessent à NBC, numa entrevista separada emitida no mesmo programa, no domingo.
Bessent não apresentou qualquer explicação alternativa.
Musk, que também tem sido crítico de Zelenskyy e já lhe pediu “para sair”, disse na quarta-feira que quaisquer perturbações relatadas pela Ucrânia na utilização do sistema de comunicações por satélite Starshield seriam da responsabilidade do governo dos EUA.
Alternativas europeias
Entretanto, a Ucrânia está a avançar com planos para desenvolver alternativas europeias aos sistemas de defesa aérea norte-americanos e às comunicações por satélite Starlink, com negociações em curso e Kiev a esperar progressos bastante mais rápidos do que os céticos antecipam, afirmou na semana passada à Euronews um alto responsável da Presidência ucraniana.
Numa entrevista exclusiva ao programa Europe Today, da Euronews, Ihor Zhovkva, vice-chefe de gabinete do Presidente Volodymyr Zelenskyy, afirmou que a Ucrânia procura reduzir a dependência das capacidades americanas, numa altura em que a incerteza quanto ao apoio de Washington coloca uma pressão crescente sobre a Europa para reforçar as suas próprias defesas.
“Dependemos, naturalmente, das capacidades únicas fornecidas pelos Estados Unidos, sejam sistemas de defesa aérea ou o Starlink”, disse Zhovkva.
“Mas a Ucrânia já iniciou discussões de fundo com países europeus sobre um sistema europeu de defesa aérea.”