Encontra-nos
Publicidade

CEO da Ryanair chama "inútil" a Ursula von der Leyen e exige taxa a companhias dos EUA e China

Ursula von der Leyen é a presidente da Comissão Europeia
Ursula von der Leyen é presidente da Comissão Europeia -  Direitos de autor  Euronews
Direitos de autor Euronews
De Simon Ormiston
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Ryanair corta um milhão de lugares na Bélgica este inverno: Michael O’Leary alerta para fortes aumentos de tarifas em 2027 e exige que as companhias aéreas estrangeiras paguem a sua parte.

O presidente executivo da Ryanair, Michael O’Leary, classificou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, como “inútil”, acusando-a de falar de competitividade sem fazer nada para a concretizar.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Numa entrevista à Euronews, O’Leary afirmou: “Tem aquele grupo de tolos no Parlamento Europeu a redesenhar mais regras pensadas para aumentar o custo das viagens aéreas, quando os consumidores querem tarifas mais baixas.”

O’Leary criticou as taxas ambientais da UE que se aplicam apenas a voos dentro do bloco. Companhias aéreas americanas, asiáticas e chinesas estão isentas, embora, segundo ele, sejam responsáveis por mais de metade das emissões da aviação europeia.

“Taxar os americanos”

“Ninguém, além do Parlamento Europeu e de Ursula von der Leyen, desenharia um sistema estúpido como este. Se levarem a sério a competitividade, taxem os americanos quando aterram aqui na Europa.”

As rotas de longo curso, operadas por companhias europeias, americanas, asiáticas e chinesas, estão abrangidas por um regime de compensação de carbono das Nações Unidas com exigências mais baixas. Segundo a organização de controlo de tráfego aéreo Eurocontrol, estes voos representam apenas 6% das partidas, mas mais de metade das emissões de CO2 da aviação europeia.

Em julho, a Comissão propôs alargar a taxa da UE a alguns voos que partem da Europa a partir de 2029.

Rotas como Frankfurt–Dubai e Frankfurt–Istambul serão integradas no mercado de carbono, enquanto ligações mais longas, como Frankfurt–Tóquio, ficarão excluídas, de acordo com a proposta da Comissão. Voos que aterram vindos dos Estados Unidos e da China continuarão isentos.

“Ursula von der Leyen tem medo de fazer seja o que for além de falar. Sabe, é inútil”, afirmou O’Leary ao programa Europe Today . “A Europa tem um roteiro para ser mais competitiva, chama-se Relatório Draghi. Dois anos depois, nenhuma das recomendações foi aplicada e Ursula von der Leyen esconde-se no Berlaymont, sem fazer nada além de proferir discursos.”

O responsável defendeu uma taxa “justa e razoável” sobre todos os voos que aterram ou descolam da Europa.

O antigo primeiro-ministro italiano Mario Draghi publicou o relatório em setembro de 2024. O documento alertava que a UE enfrentava uma “agonia lenta” sem reformas radicais e apelava a até 800 mil milhões de euros por ano em investimento adicional.

No mês passado, um relatório da Joint European Disruptive Initiative indicou que o bloco implementou 26% das recomendações apontadas por Draghi e concluía que “o progresso é real, mas não acompanha o ritmo do mundo”.

“Bélgica, França e Alemanha não são competitivas”

O’Leary esteve em Bruxelas para apresentar o programa de inverno da Ryanair. A companhia vai cortar um milhão de lugares e 20 rotas na Bélgica depois de o governo de Bart De Wever ter aumentado a taxa sobre viagens aéreas em dois euros, para sete euros por bilhete. O valor ficou abaixo da proposta inicial de subida para dez euros, após pressão do setor, mas não foi suficiente para satisfazer a Ryanair.

“Estamos a deslocar aeronaves para países que são competitivos”, afirmou O’Leary. “A Bélgica não é competitiva. A França não é competitiva. A Alemanha é desesperadamente pouco competitiva.”

Ainda assim, a nova taxa belga é inferior à de países vizinhos. Os Países Baixos já cobram 30,25 euros por passageiro em partida e a Alemanha aplica 13,03 euros à maioria dos voos europeus.

A redução de rotas de inverno da Ryanair segue estratégias semelhantes da sueca SAS e da easyJet, que também diminuíram o número de voos este ano.

O’Leary avisou os passageiros para que esperem tarifas mais altas. A Ryanair fixou o preço do combustível deste ano em cerca de 67 dólares por barril, através de acordos antecipados, o que a protege da subida dos custos do petróleo. O responsável prevê que esse valor duplique no próximo ano, quando essa proteção terminar.

“Garantimos que não haverá sobretaxas de combustível”, afirmou O’Leary, “mas não há dúvida de que as tarifas aéreas vão subir de forma significativa em 2027 devido a preços de petróleo muito mais altos.”

O alerta surge numa altura em que a guerra no Médio Oriente está a fazer disparar o preço do petróleo. O Brent, referência internacional, encerrou sexta-feira nos 109,86 dólares por barril, o valor mais elevado desde maio, e já ultrapassou os 110 dólares, à medida que ataques a petroleiros ameaçam o abastecimento a partir do Golfo Pérsico.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

França: cresce pressão sobre Macron enquanto país tenta recuperar-se da violência

CEO da Ryanair chama "inútil" a Ursula von der Leyen e exige taxa a companhias dos EUA e China