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Kaja Kallas acusa EUA de pressionarem a Ucrânia a "render-se nos termos de Putin"

Alta Representante Kaja Kallas
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De Jorge Liboreiro
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"Os negociadores americanos têm vindo a tentar forçar a Ucrânia a render-se há quase dois anos", afirmou Kaja Kallas, num contexto de tensões crescentes entre a UE e os EUA.

A alta representante Kaja Kallas acusou os Estados Unidos de pressionarem a Ucrânia a capitular em termos exclusivamente favoráveis ao presidente russo Vladimir Putin, precisamente no momento em que se iniciava uma nova ronda de negociações de paz em Oslo, na Noruega.

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“Os negociadores americanos têm tentado empurrar a Ucrânia para a rendição há já quase dois anos, um ano e meio neste momento”, afirmou, terça-feira, perante o Parlamento Europeu.

“A razão pela qual a Ucrânia não se rendeu nas condições de Putin é o apoio que tem recebido da Europa.”

Kallas defendeu ainda que a presença europeia é necessária à mesa de negociações para ‘equilibrar’ as posições assumidas pela Casa Branca, que se têm vindo a aproximar cada vez mais dos interesses de Moscovo.

As relações entre os Estados Unidos e a Europa deterioraram-se desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, concluiu com Putin um acordo de fornecimento de gasóleo e aliviou as sanções até abril de 2027 sem obter quaisquer concessões russas em troca.

Trump apelou à realização de novas eleições na Ucrânia, proibidas em tempo de guerra, e queixou-se de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, era “mais difícil de gerir” do que Putin. Zelenskyy, por seu lado, afirmou que se sente traído por Trump.

“Acredito que já foram dados passos para convencer a Ucrânia a capitular”, disse Zelenskyy, numa entrevista recente à Bloomberg.

Kallas fez soar o alarme sobre estes últimos desenvolvimentos ao intervir no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, onde vários eurodeputados se queixaram de que a Europa não dispõe de uma estratégia de paz.

“Isso não corresponde à verdade”, respondeu Kallas, aludindo a um documento que apresentou às capitais da UE com exigências que a Europa deverá esperar ver cumpridas por Moscovo num futuro acordo.

“Se a Rússia está a apresentar exigências e pedidos maximalistas, também devemos colocar as nossas exigências máximas em cima da mesa para equilibrar estas negociações e, ao mesmo tempo, enviar uma mensagem clara a Moscovo: em tudo aquilo em que está interessada – como o levantamento das sanções – a Europa tem de estar à mesa, porque se trata de decisões europeias.”

“Não vamos ceder estas coisas gratuitamente, porque não está em causa apenas alcançar a paz, mas garantir que essa paz seja duradoura e justa”, acrescentou.

Kallas acusou a Rússia de pôr em risco a segurança no mar Negro com o bloqueio armado, transformando os alimentos em arma e tentando provocar uma fome global. Roménia e Bulgária reportaram recentemente ataques de drones russos ao largo das suas águas territoriais.

A alta representante criticou ainda Moscovo por recusar uma trégua energética e intensificar a campanha de bombardeamentos contra a Ucrânia antes do inverno.

“A Ucrânia quer a paz mais do que ninguém, porque está sob bombardeamentos há já quatro anos e entra agora no quinto ano”, afirmou.

“E a Europa também quer a paz. Não é correto dizer que não queremos paz. Quem não quer paz é a Rússia. Temos de ser muito lúcidos quanto a isto.”

Kallas tem sido uma das vozes europeias mais críticas da aproximação de Trump a Moscovo. Na semana passada, disse à Euronews que o acordo sobre o gasóleo foi um presente para Putin.

Bruxelas insiste que, apesar das divergências crescentes, o diálogo com os Estados Unidos deve continuar a influenciar o processo de paz e a defender os interesses da Ucrânia.

Altos responsáveis da Comissão Europeia, da NATO, da Alemanha, de França, do Reino Unido e da Polónia viajaram para Oslo esta terça-feira para participarem na mais recente ronda de negociações.

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