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UE deve retomar negociações sobre acordo comercial mais abrangente com a China, defende eurodeputado

Eurodeputados viajam à China entre 27 e 29 de outubro.
Deputados europeus deslocam-se à China entre 27 e 29 de outubro -  Direitos de autor  AP Photo
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De Peggy Corlin
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Enquanto eurodeputados se preparam para visitar Pequim, o responsável pelo comércio no Parlamento Europeu defende um acordo mais amplo que recupere partes do pacto de investimento congelado e enfrente práticas comerciais chinesas desleais em vários setores.

A União Europeia deve procurar um acordo comercial amplo com a China, eventualmente incluindo investimento, em vez de continuar a negociar setor a setor, afirmou esta quarta-feira um alto responsável do Parlamento Europeu.

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Bernd Lange, socialista alemão que preside à Comissão do Comércio Internacional do Parlamento, lançou o apelo antes de uma visita a Pequim na próxima semana por 12 eurodeputados, numa altura em que Bruxelas e a China procuram aliviar tensões comerciais crescentes.

As duas partes chegaram a um acordo sobre automóveis híbridos em 9 de outubro, mas a UE considera que é insuficiente para corrigir um desequilíbrio comercial que deixa o bloco com um défice de cerca de mil milhões de euros por dia nas trocas com a China.

Bruxelas e Pequim tinham antes negociado um Acordo Global de Investimento, mas o Parlamento Europeu congelou a sua ratificação em 2021 depois de a China ter imposto sanções de retaliação em resposta a medidas da UE sobre violações de direitos humanos.

“É necessário ter um acordo mais abrangente”, disse Lange aos jornalistas. “Também sou a favor de chegar a um acordo bastante depressa. Negociar para sempre não faz sentido.”

Lange acrescentou que a discussão deve incluir o investimento. Sobre o acordo de investimento, afirmou ainda: “Talvez seja útil voltar a olhar para esse acordo, em particular na parte relativa ao investimento.”

China: ameaça à indústria vai além do setor automóvel

No início deste mês, a Comissão Europeia anunciou um acordo segundo o qual a China aceitou reduzir para metade as suas exportações de automóveis híbridos para a UE nos próximos quatro anos.

Ao abrigo do acordo, a UE vai introduzir quotas específicas por país que permitem a entrada anual de 350 mil automóveis híbridos chineses no mercado europeu, com uma taxa fixa de ajustamento anual de 6%.

A Comissão apresentou o acordo como uma “primeira fase” da negociação, que continuará a nível técnico até às próximas conversações políticas, previstas para março de 2027.

Mas o eurodeputado liberal francês Pascal Canfin, que se juntará a Lange na viagem, alertou que a UE precisa de olhar para além das indústrias individuais. Defendeu que as negociações da Comissão em nome dos 27 Estados-membros devem abordar práticas comerciais desleais mais amplas, que ameaçam fabricantes europeus em vários setores.

“Estamos disponíveis para negociar setor a setor, mas, ao mesmo tempo, olhamos para coisas que não constituem uma ameaça apenas setorial”, disse Canfin. “Há o risco de práticas horizontais desleais que poderiam ter um impacto muito prejudicial nas nossas indústrias.”

Durante a visita à China, de 27 a 29 de outubro, os eurodeputados vão reunir-se com representantes do Ministério do Comércio chinês e membros da Assembleia Popular Nacional. Também deverão encontrar-se com representantes de empresas de alta tecnologia em Hangzhou.

Lange destacou outros temas que, na sua opinião, deveriam ser cobertos por um futuro acordo com Pequim, incluindo restrições chinesas às exportações, já que Pequim impõe exigências rigorosas de licenciamento às empresas europeias que pretendem exportar terras raras, essenciais para a indústria europeia, subsídios considerados desleais nos setores químico e da maquinaria, e um acréscimo de 20% no preço das propostas europeias nos concursos públicos.

A UE procura um equilíbrio delicado nas relações com Pequim, promovendo o diálogo e, ao mesmo tempo, aplicando medidas de defesa comercial para proteger a sua indústria.

Na semana passada, os líderes europeus deram à Comissão um mandato político para introduzir quotas unilaterais destinadas a proteger os setores químico e da maquinaria, perante a urgência das ameaças colocadas pela concorrência chinesa.

Alguns Estados-membros, como Espanha, defendem porém uma abordagem mais branda em relação a Pequim, procurando garantir investimento chinês.

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