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BEI duplica financiamento climático para 30 mil milhões de euros com custos do mau tempo a dispararem

Foto AP/Emma Da Silva, arquivo
Foto AP/Emma Da Silva, Arquivo -  Direitos de autor  Firefighters battle a forest fire near Blagon during wildfires in southwestern France, July 29, 2026.
Direitos de autor Firefighters battle a forest fire near Blagon during wildfires in southwestern France, July 29, 2026.
De Marta Pacheco
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Os 30 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento para o clima sinalizam mudança da mitigação climática para a proteção económica, uma semana antes de a Comissão Europeia apresentar o seu plano de resiliência nesta área

O Banco Europeu de Investimento (BEI) prevê duplicar o financiamento destinado à adaptação às alterações climáticas para pelo menos 30 mil milhões de euros até 2030, numa altura em que a Europa reforça os esforços para proteger infraestruturas, recursos hídricos e agricultura do crescente custo económico dos fenómenos meteorológicos extremos.

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“A adaptação climática é uma escolha óbvia”, afirmou a presidente do BEI, Nadia Calviño, sublinhando que cada euro investido na prevenção poupa 10 euros em danos e reparações.

Incêndios florestais, cheias e ondas de calor provocaram, no verão de 2025, perdas económicas estimadas em 43 mil milhões de euros em toda a União Europeia, segundo um estudo conjunto do Banco Central Europeu (BCE) e da Universidade de Mannheim. O mesmo estudo projeta que o impacto económico acumulado possa atingir 126 mil milhões de euros até 2029.

Mais de 600 000 hectares arderam em toda a UE este ano, mais do dobro da média de longo prazo das últimas duas décadas, numa altura em que as temperaturas atingiram valores recorde em toda a Europa só em junho.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou um plano europeu para ondas de calor durante o seu discurso inaugural sobre o Estado da União, em setembro, após um verão marcado por pelo menos 35 000 mortes adicionais associadas a ondas de calor.

De reduzir emissões a limitar danos

Anunciado na quinta-feira, o financiamento de 30 mil milhões de euros do BEI marca uma nova ênfase na preparação para as consequências das alterações climáticas, em paralelo com os esforços para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa.

Apresentando-se por vezes como o banco do clima da Europa, o BEI reconheceu explicitamente que o investimento não acompanha as crescentes necessidades de adaptação climática.

“Embora a compreensão dos riscos físicos relacionados com o clima tenha aumentado significativamente nos últimos anos, o investimento em adaptação continua limitado por escassos projetos em preparação, lacunas de capacidade e barreiras de financiamento”, lê-se no segundo plano de adaptação climática do BEI.

“Acelerar a adaptação exigirá uma preparação mais sólida dos projetos, melhor capacidade técnica e maior mobilização de capital público e privado.”

O plano de financiamento visa investimentos em redes de energia, edifícios públicos, sistemas de água e agricultura, ao mesmo tempo que ajuda as empresas da UE a levar tecnologias de adaptação climática ao mercado.

O pacote de financiamento combinará empréstimos, garantias e apoio consultivo, com foco em tornar os projetos de adaptação mais fáceis de identificar e financiar, incluindo para empresas de menor dimensão. O BEI irá também desenvolver ferramentas para ajudar autoridades públicas e empresas a avaliar os riscos climáticos locais.

A iniciativa confere à política climática uma dimensão económica e de competitividade direta, numa altura em que os governos enfrentam a perspetiva de custos crescentes devido a secas, cheias, ondas de calor e incêndios florestais. Coloca também o braço financeiro da UE como instrumento para mobilizar investimento em tecnologias de resiliência.

No entanto, o anúncio deixa em aberto como serão distribuídos os 30 mil milhões de euros entre países e setores e quanto investimento privado adicional se espera que o plano venha a captar.

Procura de financiamento

Os países da União Europeia (UE) já enfrentam margens orçamentais reduzidas, com as negociações sobre o próximo orçamento plurianual a azedar na mais recente reunião de líderes europeus, a 15 e 16 de outubro.

O comissário para a Ação Climática, Wopke Hoekstra, reconheceu recentemente a situação orçamental apertada, mas sustentou que o investimento antecipado é mais barato do que pagar repetidamente pelos danos climáticos.

“Todas as evidências mostram que fazer os investimentos antecipadamente é muito mais barato do que ser atingido por incêndios, ser atingido por cheias e depois pagar pelos danos. Isso é simplesmente muito mais caro”, afirmou Hoekstra.

Espera-se para a próxima semana o quadro de resiliência climática da UE concebido pela Comissão, que deverá trazer mais clareza sobre a Aliança de Seguro Climático, igualmente destacada por Ursula von der Leyen no seu discurso inaugural de setembro.

Paul Fox, responsável sénior de investigação e defesa de políticas na organização de supervisão Finance Watch, afirmou que o seguro é essencial para o funcionamento da economia e que excluir as regiões mais expostas está a tornar-se uma falha de mercado que a UE deve enfrentar.

“Os serviços postais chegam às comunidades em toda a Europa não porque todas as localidades sejam rentáveis, mas porque prestam um serviço de que as pessoas precisam. O seguro contra riscos naturais deve ser garantido com o mesmo princípio. Dá às pessoas a segurança para construírem as suas vidas e a confiança para investirem no futuro”, afirmou Fox.

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