Encontra-nos
Publicidade

Protestos pela habitação: manifestantes decidiram dormir ao relento no Rossio após desmontarem tendas

Manifestantes voltaram à praça do Rossio na quarta-feira à noite
Manifestantes voltaram à praça do Rossio na quarta-feira à noite -  Direitos de autor  DR
Direitos de autor DR
De Joana Mourão Carvalho
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

Protesto em Lisboa decorreu até ao início da madrugada de forma pacífica, apenas com um momento de maior tensão, quando um homem decidiu entrar na zona onde estavam montadas as tendas dos manifestantes com uma bandeira de Israel.

Numa noite de outono já fria, com os termómetros a rondar cerca de 10°C, centenas de manifestantes decidiram dormir ao relento na praça do Rossio, em Lisboa, retirando as dezenas de tendas que tinham montado na quarta-feira, num protesto pelo direito à habitação.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

A decisão foi tomada após a organização do protesto ter levado a votos três propostas: tirar as tendas e desmobilizar; tirar as tendas e dormir na rua de forma organizada ou manter as tendas e fazer um cordão humano à volta do acampamento.

A proposta para desmontar as tendas e dormir ao relento foi a mais votada, com 338 votos.

Os manifestantes tinham prometido voltar a colocar tendas na Praça D. Pedro IV durante uma assembleia popular na terça-feira à noite, após um votação de mão no ar para restabelecer o acampamento a partir desta quarta-feira.

Já esta quarta-feira o protesto decorreu até ao início da madrugada de forma pacífica, apenas com um momento de maior tensão, quando um homem irrompeu pela concentração a empunhar uma bandeira de Israel.

A situação deu origem a insultos e confrontos físicos, levando a polícia a intervir para retirar o homem do local.

Os protestos e acampadas contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e alastraram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades portuguesas.

No Porto, os manifestantes desmantelaram o acampamento por conta própria na terça-feira de madrugada, perante a ameaça de uma nova intervenção policial.

Na passada quinta-feira, manifestantes e o corpo de intervenção da PSP entraram em confronto durante a madrugada na Praça D. João I no Porto, depois de a polícia ter sido mobilizada para retirar as tendas naquele local. Várias pessoas ficaram feridas na sequência da carga policial.

Em Lisboa, as autoridades removeram dezenas de tendas do Rossio ao início da manhã de terça-feira e detiveram 55 manifestantes, que serão presentes a juiz dia 27.

Além do aumento dos custos de habitação, os manifestantes contestam a nova lei do arrendamento, proposta pelo Governo de Luís Montenegro que está agora em discussão na especialidade no Parlamento.

A proposta inclui a flexibilização do limite máximo dos aumentos anuais das rendas e a facilitação do despejo de inquilinos que não cumpram com o pagamento das rendas.

O governo defende que o objetivo é fortalecer a confiança entre inquilinos e proprietários e impulsionar o mercado de arrendamento. Já os manifestantes e os partidos da oposição afirmam que as medidas são "desumanas" e colocam os inquilinos numa posição mais vulnerável.

As manifestações em Portugal surgem na sequência de uma onda de ações em várias cidades europeias contra o aumento dos custos do combustível, o descontentamento com o estado da educação, o declínio dos serviços públicos e a crise da habitação.

A assembleia popular aprovou, também na quarta-feira à noite, uma nova manifestação e marcha contra a crise na habitação, em Lisboa, no próximo sábado. No Porto, haverá também um protesto.

Em Lisboa, a marcha começa às 15h00, narotunda do Marquês de Pombal e segue em direção à praça D. Pedro IV, no Rossio, onde têm decorrido os protestos.

No Porto, há também a intenção de uma grande manifestação à mesma hora.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Atores estrangeiros exploram motins na Europa mas não os incitaram, dizem autoridades europeias

Portugal: milhares protestam em Lisboa contra crise da habitação

Milhares de pessoas protestam em Portugal pela habitação e prometem nova acampada