Os confrontos eclodiram depois de a liderança parlamentar rejeitar as exigências da oposição para debater dez dias de manifestações estudantis que têm agitado a capital, Tirana.
Deputados do parlamento da Albânia envolveram-se em confrontos esta quinta-feira, quando parlamentares da oposição tentaram interromper uma sessão, enquanto a assembleia prosseguia a votação de legislação num clima de tensão no país.
Os confrontos começaram depois de a direção do parlamento rejeitar exigências da oposição para debater dez dias de manifestações estudantis que têm marcado a capital, Tirana.
Deputados da oposição exibiram fotografias de estudantes feridos pela polícia em protestos anteriores e bloquearam a tribuna parlamentar, enquanto a assembleia avançava com a votação de legislação em pleno caos.
À porta do parlamento, grandes grupos de estudantes concentraram-se nas entradas do edifício, numa altura em que os protestos entravam no décimo dia consecutivo.
Há quase duas semanas que os manifestantes se têm confrontado repetidamente com a polícia no centro da cidade, atirando pedras, very-lights, engenhos incendiários e fogo-de-artifício. Os agentes têm respondido com bastões, canhões de água e gás lacrimogéneo.
Reivindicações dos estudantes
Estudantes do ensino secundário e universitário exigem propinas mais baixas, maior investimento público na educação e o fim da corrupção no sistema de ensino.
Entretanto, juntaram-se a um movimento mais amplo contra o governo, que reclama a demissão do primeiro-ministro socialista Edi Rama. Rama, porém, prometeu resistir.
“Uma vaga de pedras, uma tentativa de derrubar o governo e de mudar quem está no poder através da imposição da violência, algo que nunca será permitido, de forma alguma ou por qualquer razão”, afirmou, depois de se reunir na terça-feira com professores e representantes das escolas.
Para o primeiro-ministro albanês, queixas legítimas estão a ser aproveitadas por quem incita deliberadamente à violência.
Os protestos estudantis seguem-se a meses de manifestações organizadas pelo movimento Flamingo, surgido em oposição a um grande projeto de turismo de luxo na costa adriática sul da Albânia, associado a uma empresa de investimentos fundada por Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Mas a Albânia não é caso único. Governos por toda a Europa enfrentam pressão nas ruas devido à subida dos preços dos combustíveis, à degradação dos serviços públicos, ao subfinanciamento das escolas e a uma crise da habitação cada vez mais profunda.
França e Itália têm registado protestos semelhantes, enquanto em Espanha e Portugal surgiram acampamentos de tendas contra o custo incomportável da habitação. Também na Grécia estavam previstas manifestações esta semana.