Decorre ao largo da costa romena, no mar Negro, uma operação de busca e salvamento após novo ataque com drone a navio comercial, que a Comissão Europeia e a Roménia apontam como nova escalada russa.
Um navio mercante foi atingido por um drone ao largo da costa romena na manhã de sexta-feira, causando a morte de um marinheiro; três continuam desaparecidos e nove foram resgatados, depois de a embarcação se ter incendiado e adernado, num incidente que o presidente da Roménia, Nicușor Dan, descreveu como “um novo exemplo das trágicas consequências da agressão da Rússia contra a Ucrânia”.
A guarda-costeira romena liderou uma ampla operação de busca e salvamento a 13 milhas náuticas a leste do maior porto do país, Constanta, em busca dos marinheiros desaparecidos, mas o mau tempo e a fraca visibilidade impediram o recurso a helicópteros de resgate, disseram as autoridades romenas à Euronews Romania.
A Autoridade Naval da Roménia informou que o navio, identificado como o Khoryv, com pavilhão das Ilhas Comores, emitiu um sinal de socorro após o ataque com drone, por volta das 10h locais (menos duas horas em Lisboa).
A embarcação sofreu “grandes danos e adernou, com risco iminente de afundar”, segundo a Autoridade Naval romena.
A tripulação do navio era composta por dez cidadãos ucranianos e três cidadãos do Azerbaijão. O Ministério do Interior romeno indicou que “dez foram resgatados por outro navio comercial na área, nove com vida e um já sem vida, enquanto outros três continuam desaparecidos”, de acordo com a Euronews Romania.
Dan afirmou num comunicado que “este ataque é um novo exemplo das trágicas consequências da agressão da Rússia contra a Ucrânia”, sinalizando que a Roménia considera que o ataque teve origem na Rússia.
“É altura de a Rússia levar a sério as iniciativas de paz dos Estados Unidos e da Europa, aceitar as propostas de cessar-fogo e pôr fim à guerra”, declarou o presidente romeno.
O primeiro-ministro romeno, Luca Niculescu, afirmou que “o que aconteceu hoje, mais uma vez, no Mar Negro, fora das águas territoriais da Roménia, é inaceitável e constitui uma violação flagrante do direito internacional e, em particular, da liberdade de navegação, resultado da escalada da Rússia”.
Niculescu adiantou que “continuaremos os esforços com os nossos aliados e a coordenação com a Bulgária e a Turquia para garantir a liberdade de navegação e a segurança marítima”.
O ataque ocorreu mesmo à saída das águas territoriais romenas. O novo ministro da Defesa, Ștefan Radu Oprea, explicou que o exército só pode intervir quando os drones entram no espaço aéreo da Roménia.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou estar “profundamente alarmada com mais uma escalada russa no Mar Negro”.
“Estes ataques irresponsáveis visam vidas inocentes e desafiam abertamente o direito internacional”, afirmou em comunicado.
“Os meus pensamentos estão com a família e os entes queridos do marinheiro que foi morto. E com as famílias dos três tripulantes que continuam desaparecidos. A minha gratidão vai para as equipas de salvamento que trabalham incansavelmente para os encontrar.”
Este é o mais recente ataque com drones no Mar Negro, ao largo das costas da Roménia e da Bulgária, no flanco oriental da NATO, depois de uma série de incidentes semelhantes nas últimas semanas, que provocaram vítimas e a destruição de navios.
A Roménia e a Bulgária solicitaram o apoio da NATO com sistemas de vigilância e controlo, bem como capacidades de resposta a ataques com drones no Mar Negro.
Niculescu afirmou que “o nosso país deverá beneficiar de meios adicionais, na sequência dos esforços da Roménia ao nível da NATO”.
A chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, disse esta terça-feira no Parlamento Europeu que os alegados ataques de drones russos contra navios civis no Mar Negro estão a aumentar a pressão sobre o abastecimento alimentar mundial.
A Alta Representante da UE para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança referiu que navios foram atacados seis vezes em dez dias, descrevendo a situação como “uma escalada perigosa e inaceitável”.
Kallas acusou o Kremlin de tentar sufocar as receitas da Ucrânia numa altura em que as tropas russas fazem poucos progressos no campo de batalha.