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Israel vota em eleição decisiva sem que surja vencedor claro

Apoiantes do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu celebram na sede do Likud em Jerusalém após a primeira sondagem à boca de urna em 28 de outubro de 2026
Apoiantes do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu celebram na sede do Likud em Jerusalém após a divulgação da primeira projeção, a 28 de outubro de 2026 -  Direitos de autor  AP
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De Angela Skujins
Publicado a •Últimas notícias
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Bom dia. Hoje é quarta-feira e chamo-me Angela Skujins. Na newsletter de hoje: nova era incerta da política israelita, despedida de um embaixador polaco e porque a energia é o ponto fraco da defesa europeia. Vamos a isso.

Eleições em Israel: As principais eleições legislativas em Israel mostram o primeiro-ministro israelita em funções, Benjamin Netanyahu, à frente da oposição na manhã de quarta-feira, depois de contados 50% dos votos. Segundo números da Comissão Central de Eleições, o bloco de Netanyahu deverá conquistar 56 dos 120 lugares no parlamento, contra 49 para o bloco da oposição e 15 para os partidos árabes.

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Eylon Levy, antigo porta-voz do governo israelita, acaba de dizer no Europe Today que a elite política enfrenta três opções: formar um governo de unidade, formar um governo minoritário ou avançar para novas eleições. “Todas vão exigir que alguém abdique de promessas de coligação muito sérias.” Veja aqui.

Seguem-se, muito provavelmente, semanas de negociações entre partidos para formar uma coligação governamental e designar um novo primeiro-ministro. Até lá, Netanyahu mantém-se como chefe de governo interino.

O que é claro é que o país continua profundamente dividido em torno da liderança de Netanyahu e ainda marcado pelos ataques de 7 de outubro, liderados pelo Hamas, e pelas guerras que desde então abalaram o Médio Oriente.

Ligar a um aliado: Os líderes da Finlândia e da Noruega falaram com o presidente russo, Vladimir Putin, por telefone durante 90 minutos, na terça-feira, para tentar relançar o processo de paz. Segundo os comunicados, os dois líderes exortaram Putin a pôr termo à invasão em larga escala e a envolver-se em negociações substanciais para alcançar uma solução estável e pacífica.

Como o meu colega Jorge Liboreiro relata, essa conversa foi seguida de uma chamada telefónica com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, que agradeceu à dupla pelo apoio “ativo” e apelou a passos de desescalada.

Importa sublinhar que a iniciativa de Stubb e Støre surge numa altura em que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu preparam uma equipa conjunta de altos responsáveis para ser enviada para a próxima ronda de conversações.

Como escreve Sasha Vakulina, Rússia, Ucrânia e Estados Unidos poderão reunir-se em Abu Dhabi, a 4 de novembro, para conversações. É o que indica um anúncio feito na terça-feira pelo primeiro-ministro polaco, Donald Tusk.

De acordo com Tusk, a data provisória surgiu à medida que líderes europeus coordenaram esforços diplomáticos com Kiev e Washington antes de eventuais negociações. Curiosamente, isto acontece um dia depois das eleições intercalares nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira, 3 de novembro.

O calendário levanta questões sobre o que se segue nos esforços de Washington para pôr fim à guerra de Moscovo.

Para quem não está familiarizado: As intercalares são importantes porque ocorrem a meio do mandato de quatro anos de um presidente e determinam a composição das duas câmaras do Congresso: o Senado e a Câmara dos Representantes.

A votação não só dá aos cidadãos a oportunidade de escolher parlamentares — republicanos ou democratas, por exemplo — como serve também de termómetro do mandato presidencial. No caso do presidente norte-americano Donald Trump, trata-se de um mandato marcado por guerras comerciais, hostilidade em relação à Ucrânia e recuo na arquitetura de segurança transatlântica. Será possível desfazer, nas urnas, os danos acumulados nos últimos 24 meses?

Keith Brannum, investigador e estratega do Truman National Security Project, acaba de dizer no Europe Today que este Congresso tem sido “submisso” a Trump. Os democratas, no entanto, têm sido “muito vocais” na defesa de responsabilizar o presidente. “Vivemos tempos incertos”, afirmou, sem qualquer projeção clara para o futuro. Veja aqui.

Notícias de Bruxelas: A embaixadora polaca Agnieszka Bartol vai deixar Bruxelas para assumir um cargo no governo de Tusk, em Varsóvia. Continuará a ser a sua sherpa, apoiando-se em anos de experiência em que construiu uma reputação de negociadora eficaz e se tornou uma favorita entre os jornalistas na capital belga. O polaco Andrzej Domański deverá tornar-se o próximo vice-primeiro-ministro do país.

Mais notícias de Bruxelas: Os comissários europeus da Energia e da Defesa, Dan Jørgensen e Andrius Kubilius, vão hoje manter conversações sobre segurança energética no Berlaymont, reunindo intervenientes-chave, incluindo responsáveis da NATO e grandes empresas do setor.

Segundo uma agenda divulgada, obtida pela minha colega Marta Pacheco, as discussões vão centrar-se na produção de combustível da UE para fins de defesa, em particular na produção de combustível de aviação e na logística para responder a um “possível aumento súbito da procura”.

Caspar Hobhouse, analista de investigação no Instituto da União Europeia para Estudos de Segurança, explicou que os exércitos europeus dependem sobretudo de duas fontes de combustível: combustível de aviação para aeronaves e gasóleo como fonte de energia de reserva para bases militares. “Em caso de conflito militar, a procura é enorme”, disse-me.

"Pouca margem": Garantir estas reservas de combustível está a tornar-se mais difícil devido à guerra no Irão e ao encerramento do Estreito de Ormuz. Sem grandes reabastecimentos, as reservas atuais de combustível da Europa deixariam o continente com “pouca margem” em caso de agressão armada, acrescentou Caspar.

O eurodeputado Riho Terras, antigo comandante das Forças Armadas da Estónia, saudou as conversações, alertando que a agressão é iminente e sublinhando a necessidade de um planeamento adequado. “Temos de estar preparados”, afirmou, incluindo para planos B. “Em 2007 servi no Iraque, então todo o país enfrentou uma grande escassez de energia e recorremos muito a geradores a gasóleo. Em tempos de guerra, é preciso ter alternativas”, recordou Riho.

Investimento financeiro: Um porta-voz da NATO afirmou ser “vital” que a capacidade de produção de combustível da Europa consiga satisfazer simultaneamente necessidades civis e militares, sobretudo em períodos de crise e conflito. Em julho, os aliados aprovaram um plano de programa de 27 mil milhões de euros da Capacidade da Cadeia de Abastecimento de Combustível da NATO, que inclui oleodutos ao longo dos corredores oriental e sudeste da aliança para assegurar abastecimentos para “preparação para combate”.

O que resultará destas conversações? Acompanhe a Euronews para mais atualizações.

Vida após Vučić: Depois de 14 anos de governação do Partido Progressista Sérvio (SNS), o statu quo foi quebrado na segunda-feira, quando os resultados eleitorais começaram a chegar e anunciaram uma nova era para o país dos Balcãs Ocidentais. Uma era marcada sobretudo pelo afastamento do antigo presidente Aleksandar Vučić, pelo regresso de uma imprensa livre e pela redefinição das relações com a UE.

Nos dias que se seguiram a estas eleições sísmicas, os observadores assistiram, nas redes sociais, a cenas em que a principal pivô da estação pública Rádio Televisão da Voivodina (RTV) pede desculpa aos telespectadores pela última década de alegada cobertura parcial.

Na terça-feira, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, telefonou a Ilija Srdanović, líder do movimento político Lista Estudantil, para afirmar que se espera uma rápida formação de parlamento e governo. Sobretudo, transmitiu-lhe que “o lugar da Sérvia é na União Europeia”.

Marko Prelec, especialista em Balcãs no International Crisis Group, disse há pouco ao Europe Today que a nova elite política “procura claramente” melhores relações com a Europa e com a própria UE. Mas a forma como isso se irá concretizar continua por definir. Veja.

Enquanto a UE tenta encontrar o tom certo nas conversações com a China para reduzir um défice comercial impressionante, parece que uma estrela francesa do futebol irritou responsáveis em Pequim.

Enxaqueca com Mao: A estrela francesa Kylian Mbappé perdeu vários dos seus maiores contratos de patrocínio na China depois de um vídeo, divulgado online, em que parece brincar com Mao Tsé-Tung, fundador da República Popular da China, ter desencadeado uma reação negativa à qual já apresentou um pedido de desculpas.

“O meu comentário foi pouco ponderado e percebo agora que feriu muitas pessoas na China e em comunidades chinesas em todo o mundo”, declarou Mbappé num comunicado que publicou em francês, chinês e inglês, na terça-feira. “Peço desculpa a todos aqueles que se sentiram magoados pelas minhas palavras.”

Ken Early, comentador desportivo irlandês, lembrou no Europe Today que não é a primeira vez que uma polémica política interfere com o que se passa dentro de campo. “O jogador alemão Mesut Özil, que então alinhava pelo Arsenal, em 2019, escreveu nas redes sociais sobre a situação do povo uigur na China”, recordou.

“Nesse caso, a resposta foi: ‘Muito bem, o Arsenal já não vai passar na televisão chinesa’.” Veja aqui.

Europa mostra que está pronta para falar com a Rússia

Depois de meses de disputas internas, a Europa envia os sinais mais fortes de que está pronta para falar diretamente com a Rússia, pôr fim à invasão em larga escala da Ucrânia e definir o futuro da arquitetura de segurança do continente.

O presidente finlandês Alexander Stubb e o primeiro-ministro norueguês Jonas Gahr Støre avançaram e realizaram uma chamada telefónica com o presidente russo, Vladimir Putin, para discutir o iminente relançamento do processo de paz.

Embora Stubb e Støre não tivessem mandato para falar em nome da Europa — agiram como “líderes dos respetivos países” — a iniciativa de terça-feira colocou imediatamente a dupla nórdica como interlocutores de primeira linha. No seu resumo, o Kremlin indicou que os três “acordaram manter contactos telefónicos diretos no futuro”.

O movimento-surpresa de Stubb e Støre surge numa altura em que a Comissão Europeia e o Conselho Europeu preparam uma equipa conjunta de altos funcionários para ser enviada para a próxima ronda de conversações, prevista para Abu Dhabi, no início de novembro.

É significativo que Bruxelas declare abertamente a intenção de realizar as negociações num formato multilateral, que reúna europeus, ucranianos, norte-americanos e russos à mesma mesa e ao mesmo tempo. Ainda mais significativo é o facto de a Rússia, em vez de rejeitar a presença europeia, estar agora a procurá-la ativamente.

Na sua última análise, Jorge explica porque é que a Europa está mais preparada do que nunca para ampliar o seu papel diplomático e fazer ouvir a sua voz face à Rússia.

Mais das nossas redações

Proposta de "associação" de Von der Leyen ao Canadá gera batalha de palavras com capitais da UE. No mês passado, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fez uma proposta surpreendente ao Canadá: tornar-se o primeiro “membro associado” da UE. Agora, o termo revela-se difícil de aceitar para vários Estados-membros, incluindo a própria Alemanha.

Noruega diz que ciberataques “bem-sucedidos” contra o país triplicaram nos últimos seis meses. A Autoridade Nacional de Segurança do país afirmou que o rápido crescimento da tecnologia de inteligência artificial representa também um “risco sério” para empresas e organizações norueguesas. Leia mais desta história assinada por Nathan Rennolds.

Centro Europeu de Controlo de Doenças envia peritos para a Nigéria enquanto casos de Ébola ultrapassam 10 000 na República Democrática do Congo. Com o surto de Ébola a continuar a propagar-se para além do epicentro na República Democrática do Congo — onde ultrapassou os 10 000 casos — o ECDC enviou uma equipa, liderada pela sua principal especialista em inteligência epidémica, para a Nigéria, o quarto país africano a registar um caso de Ébola. Giedre Peseckyte tem os detalhes.

Também estamos atentos a

  • Membros da comissão das Liberdades Cívicas e da Justiça do Parlamento Europeu dão uma conferência de imprensa na Hungria após uma missão de averiguação.
  • A comissária europeia para o Ambiente Jessika Roswall estará em Erevan, na Arménia, para a Conferência da ONU sobre Biodiversidade (COP17). Vai dar uma conferência de imprensa às 14h30 CET - menos uma hora em Lisboa.
  • A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, prossegue a sua visita a Malta.
  • O comissário europeu da Justiça, Michael McGrath, intervém na reunião da Task Force Freeze and Seize.

Por hoje é tudo. Jorge Liboreiro e Sasha Vakulina contribuíram para esta newsletter.

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