A UEFA decidiu antecipar o início do jogo para as 16h30 de quarta-feira, devido à convocatória para uma greve geral lançada pelos sindicatos franceses para quinta-feira, 5 de novembro.
De volta à cena europeia nesta época, o Stade Rennais (Rennes) deveria receber os gregos do Olympiakos, na quinta-feira, 5 de novembro, a contar para a 4.ª jornada da Liga Europa. Mas será na véspera, na quarta-feira, 4, que os dois clubes vão defrontar-se.
Uma decisão tomada pela UEFA tendo em conta a perspetiva de uma greve geral em França na próxima semana, num contexto de manifestações em massa relacionadas com o custo de vida. A instância do futebol europeu indicou ter sido informada pelas autoridades francesas de que a segurança habitual em torno do jogo em Rennes, na Bretanha, não poderia ser garantida a 5 de novembro.
O pontapé de saída do encontro será dado às 16h30, a fim de evitar uma sobreposição com os dois jogos da Liga dos Campeões previstos para as 18h45: Fenerbahçe contra o Liverpool e o AEK de Atenas contra o Real Madrid.
Adeptos do Rennes indignados
Um horário que provocou a ira dos adeptos do Rennes. "Compreendo as limitações relacionadas com a mobilização das forças de segurança devido à greve anunciada, mas um horário mais adequado para quem trabalha teria sido bem-vindo", afirmou Romain, um adepto do Rennes de 33 anos, à Euronews. "Um jogo às 16h30, numa quarta-feira, não é fácil para toda a gente."
Embora ele consiga, como confidencia à Euronews, organizar-se com o seu empregador para estar presente no estádio, não é o caso de toda a gente. No X, Quentin afirma estar "furioso" por ter "pago por um jogo ao qual [ele] não poderá assistir".
"16h30? Onde está o respeito? Pensaram nas pessoas que trabalham? Nas pessoas que compraram o bilhete com antecedência?", questiona Julie, na mesma rede social.
"Como sempre, o adepto é a última preocupação das instâncias", resmunga outro internauta.
Sob a publicação do clube a anunciar a alteração da data e do horário do jogo, as reações mordazes foram numerosas, com alguns a falar de "vergonha", enquanto outros afirmam que esta decisão é uma "falta de respeito" para com os adeptos.
Muitos jogos adiados
Os sindicatos franceses convocaram uma greve geral para 5 de novembro, no âmbito de manifestações generalizadas que tiveram início quando os estudantes deram a conhecer as suas preocupações relativamente às condições de vida nas instituições de ensino.
Nos sábados de 17 e 24 de outubro, foram organizadas manifestações nacionais. Enquanto o "ato I" foi marcado por graves atos de vandalismo e saques à margem dos cortejos, o "ato II", uma semana depois, deu origem a menos confrontos nas ruas, tendo as manifestações autorizadas decorrido, de um modo geral, de forma pacífica. No que diz respeito a um novo dia de mobilização, este sábado, 31 de outubro, Emmanuel Macron afirma, no entanto, estar a preparar-se para um dia "de risco". "Nunca mais um 17 de outubro. O 24 de outubro é um modelo", declarou durante uma visita a Marselha.
A mobilização social também afetou o campeonato francês de futebol. A Liga de Futebol Profissional (LFP) já adiou vários jogos. Inicialmente marcado para domingo, 25 de outubro, o jogo entre o PSG e o Olympique de Lyon foi remarcado para o dia seguinte.
Para este fim de semana, já foram anunciadas novas alterações na Ligue 1, numa altura em que a polícia e as autoridades públicas têm de lidar com marchas e manifestações organizadas. O OGC Nice recebe o Stade Rennais na sexta-feira, 30 de outubro; o Olympique Lyonnais defronta o SCO Angers no domingo, 1 de novembro; e o FC Lorient defronta o Stade Brestois na segunda-feira, 2 de novembro.