Suspeita-se que a Rússia esteja por detrás de uma recente vaga de ataques contra navios comerciais na região do Mar Negro.
A Euronews obteve imagens do navio com bandeira da Libéria que foi alvo de drones marítimos ao largo da costa búlgara, no Mar Negro, a 28 de outubro.
O incidente foi o quinto ataque com drones registado na zona económica exclusiva do país membro da NATO, no mês passado.
O navio-tanque Contship Jet, gerido por interesses gregos, seguia do porto israelita de Haifa para Constanța, na Roménia, quando foi atingido por três drones marítimos.
Os 18 tripulantes, 14 filipinos e quatro ucranianos, foram resgatados por navios da Marinha búlgara e da polícia de fronteira e levados para a cidade portuária de Varna para exames médicos.
A Procuradoria Militar do Distrito da Bulgária anunciou, no dia seguinte, a abertura de uma investigação preliminar sobre o ataque. Suspeita-se que a Rússia esteja por detrás da recente vaga de ataques contra navios comerciais no Mar Negro.
Alguns dos contentores a bordo transportavam baterias de iões de lítio, líquidos inflamáveis, gases e outros materiais perigosos, informou o site maritime.bg. Equipas da Marinha indicaram não terem encontrado sinais de poluição depois de recolherem amostras em vários pontos das águas territoriais búlgaras.
O incidente ocorreu numa altura em que os ministros da Defesa da Bulgária, Roménia e Turquia se reuniam na capital búlgara, Sofia, para discutir a segurança na região do Mar Negro.
Num comunicado após o encontro, os três países da NATO condenaram veementemente os ataques contra navios no Mar Negro e apelaram a uma “cessação imediata dos ataques que ameaçam navios comerciais, infraestruturas marítimas e a segurança das atividades marítimas”.
Concordaram também em reforçar a partilha de informações de inteligência, as capacidades de alerta precoce e a coordenação na região.
A recente sucessão de incidentes ao largo das costas da Roménia e da Bulgária levou alguns membros da Aliança a questionar se o Presidente russo, Vladimir Putin, procura testar o apoio da Aliança à Ucrânia, que continua a combater a invasão em grande escala lançada por Moscovo.
O primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, disse no parlamento do seu país, no início deste mês, que “a lógica aponta nesse sentido … O problema é que não o conseguimos provar”.
Em resposta aos ataques, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, afirmou em 15 de outubro, numa publicação na plataforma X, que a Aliança tinha “reforçado” a sua “postura ao longo da ala oriental, incluindo com o aumento das capacidades de combate a drones”.