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Apple supera previsões, mas margens pressionadas por memória inquietam investidores

Arquivo – O CEO da Apple, John Ternus, fala durante o anúncio de novos produtos na quarta-feira, 9 de setembro de 2026, em Cupertino, Califórnia, EUA.
Arquivo – Presidente executivo da Apple, John Ternus, fala durante anúncio de novos produtos, 9 de setembro de 2026, em Cupertino, Califórnia, EUA. -  Direitos de autor  AP Photo/Jeff Chiu
Direitos de autor AP Photo/Jeff Chiu
De Doloresz Katanich com AP
Publicado a •Últimas notícias
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Resultados melhores do que o esperado da Apple no último trimestre do exercício fiscal de 2026 ficaram ofuscados pela subida dos custos dos chips de memória e por uma previsão de menor crescimento dos serviços

Apple Inc. registou receitas superiores ao esperado nos três meses até 26 de setembro de 2026, impulsionadas por vendas de iPhone recorde para um trimestre de setembro.

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No entanto, as ações caíram cerca de 3% nas transações após o fecho na segunda-feira, à medida que os investidores ponderavam os resultados fortes face à pressão sobre as margens de lucro.

As receitas aumentaram 12% para 114,5 mil milhões de dólares (102,1 mil milhões de euros), face a 102,5 mil milhões de dólares (91,4 mil milhões de euros).

A empresa sediada em Cupertino, Califórnia, obteve um lucro de 30,71 mil milhões de dólares (27,4 mil milhões de euros), ou 2,10 dólares por ação, no período de julho a setembro. Representa um aumento de 12% face aos 27,47 mil milhões de dólares (24,5 mil milhões de euros), ou 1,85 dólares por ação, no mesmo período do ano anterior.

Em média, os analistas esperavam lucros de 1,99 dólares por ação, com receitas de 113,4 mil milhões de dólares (101,1 mil milhões de euros), segundo uma sondagem da FactSet. Ambos os valores superaram essas estimativas.

No entanto, parte da melhoria dos lucros resultou de reembolsos de tarifas aduaneiras, que acrescentaram 0,05 dólares (0,04 euros) por ação aos resultados e aumentaram a margem bruta da empresa em cerca de um ponto percentual para 47,9%.

O trimestre incluiu apenas os primeiros dias de vendas dos modelos premium iPhone 18 Pro. O novo telefone dobrável da Apple, o iPhone Duo, começou a ser vendido no atual trimestre, pelo que as suas vendas não foram incluídas nestes resultados.

As receitas do iPhone subiram 17,5% para 57,6 mil milhões de dólares (51,4 mil milhões de euros), enquanto as vendas de Mac aumentaram quase 24%. As receitas do iPad caíram 10,4% e o segmento de wearables, equipamentos para o lar e acessórios recuou 7,9%.

Trata-se do primeiro relatório de resultados da Apple desde que o CEO John Ternus assumiu a liderança em 1 de setembro, sucedendo a Tim Cook.

Ternus destacou uma recuperação na Grande China, onde as receitas aumentaram 21% no trimestre e 28% no ano fiscal completo. Indicou que as vendas de iPhone e Mac impulsionaram o crescimento trimestral.

No entanto, Jesse Cohen, analista sénior da Investing.com, afirmou numa nota citada pela MarketWatch que as receitas provenientes da China, de wearables e de dispositivos para o lar ficaram todas abaixo do esperado pelos analistas.

Perspetivas de vendas mais fortes, mas margens mais reduzidas

Na teleconferência de resultados, a Apple indicou que espera que as receitas aumentem entre 7% e 10% face ao ano anterior no trimestre de dezembro. A empresa afirmou que isso fará deste o seu trimestre com maiores receitas.

Já o crescimento das receitas de serviços deverá abrandar para entre 8% e 9%, face aos 9,8% do trimestre de setembro, quando atingiram um recorde de 31,6 mil milhões de dólares (28,2 mil milhões de euros). A Apple apontou pressões relacionadas com licenciamento de terceiros e movimentos cambiais.

A Apple espera que a subida dos custos de memória e os gastos com o lançamento da Siri com IA pressionem a sua margem bruta para entre 45% e 46% no trimestre de dezembro, abaixo dos 46,3% previstos pelos analistas. Os preços mais elevados dos chips de memória explicam a maior parte desta pressão.

“Onde os investidores ficaram desiludidos foi na margem”, afirmou Ben Barringer, responsável pela investigação em tecnologia na Quilter Cheviot.

“À medida que esses benefícios tarifários forem desaparecendo, a margem será atingida e, por isso, a orientação é para que recue.”

No entanto, a empresa espera que as receitas cresçam entre 7% e 10% no trimestre, acima dos 6,1% antecipados pelos analistas.

A Apple já aumentou os preços de vários produtos este ano. Além disso, está a tentar limitar o impacto dos custos mais elevados de memória, utilizando stocks comprados a preços mais baixos e reduzindo a despesa noutros componentes.

Despesas da Apple em IA em foco

Durante muito tempo criticada por ficar atrás na área da IA, a Apple está a trabalhar com parceiros para melhorar os seus serviços, mantendo relativamente baixos os seus gastos de capital.

Em setembro, o fabricante do iPhone confirmou que os modelos que alimentam a nova Siri foram desenvolvidos com a Google, na sequência de um acordo plurianual anunciado em janeiro.

Barringer afirmou que a menor exposição da Apple ao boom de gastos em IA lhe deu alguma proteção durante a recente correção tecnológica, embora a sua valorização se mantenha exigente.

“A Apple não está tão dependente da evolução das ações ligadas à IA como alguns dos hyperscalers, e certamente não enfrenta as mesmas pressões sobre os fluxos de caixa. Isto é benéfico no curto prazo, mas a empresa precisa de garantir que isso não a deixe para trás no longo prazo.”

Os gastos de capital da Apple caíram 29% para 9 mil milhões de dólares (8 mil milhões de euros) no conjunto do ano fiscal, embora as despesas em investigação e desenvolvimento tenham aumentado 32% para 45,8 mil milhões de dólares (40,8 mil milhões de euros). A empresa não revela que parte destes montantes é destinada à IA.

Para comparação, Microsoft, Alphabet, Amazon e Meta deverão gastar mais de 700 mil milhões de dólares (624 mil milhões de euros) em investimento de capital este ano, grande parte em infraestruturas de IA, segundo estimativas de analistas.

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