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Que países da Europa foram afetados por ciberataques aos sistemas de refrigeração dos supermercados?

Escoam-se arcas e carregam-se congelados em carrinhos para serem deitados fora no ICA Kvantum, Sjöbo, Suécia, segunda-feira, 2 nov. 2026
Congeladores são esvaziados e produtos congelados são carregados em carrinhos de compras para serem descartados no ICA Kvantum, em Sjöbo, Suécia, 2 de novembro de 2026 -  Direitos de autor  Johan Nilsson /TT News Agency via AP
Direitos de autor Johan Nilsson /TT News Agency via AP
De Jonathan Benton & AFP
Publicado a •Últimas notícias
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Um total de nove países foi afetado por alegados ciberataques que colocaram frigoríficos em modo de descongelação, incluindo Portugal, Bélgica, Estónia, Finlândia, Irlanda e Itália.

Um alegado ciberataque atingiu lojas de alimentação em pelo menos nove países europeus na segunda-feira, 2 de novembro, levando a UE a alertar para uma tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar do bloco.

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Supermercados na Bélgica, Estónia, Finlândia, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Suécia comunicaram problemas de refrigeração que obrigaram alguns retalhistas a deitar fora alimentos depois de as temperaturas terem subido durante a noite.

O incidente ocorre três semanas depois de um ciberataque ter perturbado lojas de alimentação em França e obrigado centenas de estabelecimentos a deitar fora produtos estragados.

Ninguém reivindicou a autoria de nenhum dos incidentes.

O comissário europeu para a Agricultura e a Alimentação, Christophe Hansen, afirmou que o bloco está a encarar os incidentes “muito seriamente”.

“Constituem uma tentativa deliberada de perturbar a nossa cadeia de abastecimento alimentar e de minar a confiança dos consumidores nela, um aviso que devemos levar a sério”, afirmou.

Itália

Em Itália, pelo menos quatro supermercados Coop na Sicília e uma empresa na Toscana foram afetados, segundo meios de comunicação social e a agência nacional de cibersegurança.

O governo italiano ia realizar na terça-feira uma reunião sobre cibersegurança com os serviços de informações.

“O ataque ocorreu às 4h00”, disse Giuseppe Spadaro, responsável do Grupo Radenza, que gere supermercados com a marca Coop, à agência noticiosa italiana ANSA.

Acrescentou que o ataque visou “o nosso sistema de controlo remoto dos espaços de produtos congelados” e entretanto já foi resolvido.

Bélgica

A Bélgica foi um dos países mais afetados, com dezenas de lojas de várias cadeias de retalho alimentar a reportarem falhas de refrigeração. A procuradoria federal abriu uma investigação.

“É um ciberataque, não há outra explicação”, afirmou Mich Vergauwen, porta-voz do Carrefour Bélgica, que reportou perturbações em cerca de 15 das suas 700 lojas.

A Ikea indicou que a sua loja em Mons também sofreu um ciberataque que fez subir a temperatura dos congeladores.

A empresa belga de refrigeração Sabcobel afirmou que começou a proteger as suas instalações após o ataque de outubro em França, mas alguns sistemas ainda não tinham sido atualizados e estiveram entre os afetados na segunda-feira.

As cadeias Delhaize, Colruyt e Intermarché também reportaram problemas de refrigeração em lojas na Bélgica, enquanto quatro supermercados Delhaize no Luxemburgo foram afetados.

Irlanda

Na Irlanda, o retalhista Musgrave indicou que 13 lojas Supervalu foram afetadas por aquilo que descreveu como um incidente informático.

Um pequeno número de mercearias de bairro nos Países Baixos também sofreu perturbações.

Portugal

Em Portugal, o grupo Os Mosqueteiros confirmou à AFP incidentes em sete lojas Intermarché ligados a um ciberataque, que “parece ter visado um prestador de serviços externo responsável pela gestão dos sistemas de refrigeração”.

Suécia

Na Suécia, a Coop confirmou que seis das cerca de 800 lojas foram atingidas.

“Podemos confirmar que se trata de um incidente informático. O problema já foi resolvido e os frigoríficos e congeladores estão a funcionar normalmente”, disse o porta-voz Carlos Cancino à AFP.

Disse que a Coop não sabe quem está por trás do ataque, mas salientou que as lojas afetadas estavam ligadas a uma rede móvel 4G, e não ao sistema 5G atualizado, o que as tornava “mais expostas” a piratas informáticos.

A cadeia sueca Ica referiu ainda que “um número limitado” das suas lojas registou problemas de refrigeração, sem confirmar um ciberataque.

Segundo a porta-voz da Ica, Helena Johansson, as lojas afetadas estavam todas ligadas a um sistema externo de controlo de refrigeração fornecido pelo fabricante dinamarquês Danfoss, o mesmo fornecedor visado no ciberataque de 12 de outubro contra retalhistas franceses.

Remeteu todas as questões para a Danfoss, que ainda não tinha respondido a um pedido de comentário da AFP.

Finlândia

Na Finlândia, foram também detetadas temperaturas irregulares em algumas pequenas lojas de alimentação pertencentes ao grupo Kesko.

“Estamos neste momento a investigar a causa e ainda não excluímos uma interferência através da rede”, declarou à AFP Petri Kayhko, responsável pela segurança corporativa da Kesko.

Roni Kokkola, especialista em segurança da informação no Centro Nacional de Cibersegurança da Agência Finlandesa de Transportes e Comunicações, Traficom, também não excluiu uma interferência cibernética.

“Temos visto isto na Europa nos últimos meses, por isso já se esperava que se propagasse para além de França a outros países”, disse à AFP.

“Atualmente é muito típico que todo o tipo de vulnerabilidades seja explorado de forma cada vez mais ativa e rápida.”

Estónia

Na Estónia, pelo menos um supermercado foi atacado por piratas informáticos que aumentaram a temperatura nas unidades de refrigeração para 50 ºC, noticiou o canal público ERR.

As unidades eram modelos antigos fornecidos pela Danfoss, semelhantes aos visados no ataque em França, disse à ERR Jann Mutso, diretor da Kitman Coldtech, empresa que fabrica e distribui sistemas de refrigeração avançados.

Paolo Falcioni, diretor-geral da associação europeia de eletrodomésticos APPLiA, disse à Euronews: “Num supermercado, a ciberresiliência tem um teste prático. Se o acesso remoto for interrompido, o pessoal consegue ainda verificar as temperaturas e agir para proteger a cadeia de frio? Fabricantes e retalhistas têm ambos um papel em garantir que a resposta é sim.”

“A APPLiA apoia um quadro europeu comum para a cibersegurança dos produtos conectados. A segurança começa na fase de conceção e continua ao longo de toda a vida útil do produto, com atualizações de segurança e um processo claro para lidar com vulnerabilidades.”

“À medida que a Europa implementa o Cyber Resilience Act, precisamos de normas práticas que reflitam a forma como os produtos são utilizados e o que pode acontecer se forem comprometidos”, acrescentou.

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