Primeiro-ministro ucraniano diz à Euronews que limites da UE ao trigo e aos cereais da Ucrânia têm de ser transitórios, com condições claras de saída, não uma restrição permanente.
A Ucrânia só deve enfrentar restrições temporárias aos produtos agrícolas após aderir à União Europeia, afirmou o primeiro-ministro ucraniano, Sergii Koretskyi, na Cimeira do Alargamento da Euronews, alertando contra isenções permanentes no mercado único do bloco.
“Compreendemos as preocupações dos agricultores europeus e estamos preparados para um debate aberto e prático. As medidas transitórias podem fazer parte do alargamento, mas devem responder a riscos específicos, ser adequadas e ter condições claras de revisão e de saída”, afirmou Koretskyi.
No mês passado, a Comissão Europeia propôs excluir alguns produtos agrícolas ucranianos, nomeadamente trigo e outros cereais, do mercado da UE mesmo depois de Kiev se tornar membro de pleno direito, na sequência de pressão de vários Estados-membros.
“Não podem transformar-se numa restrição permanente nem num segmento separado do mercado único”, acrescentou o primeiro-ministro. Sublinhou que os agricultores ucranianos terão de investir fortemente para cumprir as normas alimentares da UE, ao mesmo tempo que reconstroem após os ataques da Rússia.
Desde que Koretskyi assumiu o cargo de primeiro-ministro, em julho, a candidatura da Ucrânia à adesão ganhou impulso. Kiev criou uma equipa conjunta de trabalho com a Comissão para acelerar as negociações.
A Ucrânia passou recentemente a integrar o grupo dos quatro países “na linha da frente” da adesão, a par de Montenegro, Albânia e Moldova. A Comissão vai publicar na quarta-feira um roteiro para estes países, definindo os passos rumo à adesão.
Para Koretskyi, a adesão à UE é uma das principais razões pelas quais a Ucrânia continua a combater a Rússia pela sua liberdade, e a entrada de Kiev na União reforçará de forma significativa a segurança do bloco.
“A adesão da Ucrânia à UE está no centro da política do governo. É a esperança de um futuro melhor e de uma solidariedade que traz paz, segurança e recuperação económica para a Ucrânia e para o continente”, afirmou.
O primeiro-ministro pretende abrir todos os capítulos de negociação que ainda faltam este ano e criar as condições para começar a encerrar vários durante a presidência lituana, na primeira metade de 2027.
“Percebi que estes são objetivos ambiciosos. Não estamos a pedir atalhos. Estamos a pedir vias credíveis, baseadas no mérito, com marcos claros e decisões tomadas em tempo útil quando esses marcos forem alcançados”, disse.