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Apesar de gastos recorde em defesa, Europa arrisca falhar prontidão militar até 2030

Soldados participam no desfile militar durante as celebrações do 105.º aniversário da República da Estónia, em Tallinn, Estónia, 24 de fevereiro de 2023.
Militares participam no desfile militar durante as celebrações do 105.º aniversário da República da Estónia, em Tallinn, Estónia, 24 fevereiro 2023 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Angela Skujins
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Uma fuga do programa de trabalho da Comissão Europeia para o próximo ano traça um cenário preocupante para as ambições de defesa da UE para o fim da década.

A ambição europeia de estar militarmente preparada até 2030 está “em risco”, apesar da vontade política sem precedentes e de um aumento acentuado da despesa em defesa, segundo um projeto preliminar do programa de trabalho da Comissão Europeia, a que a Euronews teve acesso.

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“As nossas fronteiras externas, as infraestruturas críticas e os valores que sustentam o nosso ‘modo europeu de vida’ estão cada vez mais sob ameaça”, lê-se no documento, que aponta as ameaças híbridas como exemplo.

O documento de oito páginas deverá ser aprovado e publicado na quarta-feira pela Comissão, definindo as prioridades do executivo da UE para 2027. A defesa surge como um dos maiores desafios.

A advertência reforça o primeiro Relatório Anual sobre Prontidão de Defesa da Agência Europeia de Defesa, que destacou lacunas persistentes nas capacidades militares da Europa.

Enquanto a Europa investe milhares de milhões nas suas capacidades militares, 418 mil milhões em 2025, e enfrenta o ambiente de segurança mais perigoso desde a Guerra Fria, o relatório alerta que as ambições de se defender ainda não se traduziram em forças destacáveis, sustentáveis e interoperáveis.

O programa de trabalho da Comissão sublinha o desafio. “Precisamos, por isso, de fazer mais para alcançar estes objetivos e para reforçar a nossa resiliência, preparação e capacidade de responder rapidamente a crises, ou pior”, indica.

Os desafios de defesa da Europa foram também agravados pela decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de reduzir a presença militar americana na Europa, que inclui a retirada de meios estratégicos essenciais, no âmbito da revisão do dispositivo de forças.

O comissário da UE para a Defesa, Andrius Kubilius, tem sublinhado que o bloco deve desenvolver as suas próprias capacidades estratégicas de apoio, infraestruturas e capacidades críticas que permitem às forças de combate serem projetadas e operarem de forma eficiente, para colmatar esta lacuna. Contudo, fazê-lo poderá custar 500 mil milhões de euros.

Bruxelas apresentou várias propostas para apoiar os esforços dos 27 Estados membros da UE para se rearmarem até 2030, um prazo que vários serviços de informação identificaram como um possível momento em que a Rússia poderia testar a NATO.

“Vamos criar um novo Instrumento Europeu para Capacidades Estratégicas de Apoio, como meios críticos de suporte e multiplicadores de força, desde o transporte estratégico e o reabastecimento em voo até ao espaço e à defesa cibernética, em cooperação com os Estados membros”, refere o documento.

A Comissão irá igualmente avançar com propostas apresentadas pela sua presidente, Ursula von der Leyen, no discurso sobre o Estado da União, em Estrasburgo.

“Para responder à natureza em mutação das múltiplas ameaças à segurança da Europa, a UE deverá criar um Protocolo Europeu de Emergência em Matéria de Segurança, que ajude a permitir que os Estados membros que enfrentem uma ameaça direta e credível possam beneficiar de uma resposta europeia rápida e comum”, acrescenta o documento.

“Vamos também explorar a possibilidade de criar um Conselho Europeu de Segurança com os nossos parceiros mais próximos.”

O protocolo, que von der Leyen descreveu como o equivalente, para o bloco, ao Artigo 4 da NATO, ainda não recebeu apoio unânime.

O instrumento foi apresentado em resposta ao aumento das ameaças híbridas que põem à prova a determinação da Europa, desde um drone carregado de explosivos encontrado perto de carga ucraniana sensível num aeroporto alemão até navios comerciais que afundam no mar Negro após ataques de drones.

Tem havido também uma série de incursões de drones ao longo da ala leste da Europa, o que levou a NATO a criar o seu programa de defesa multidomínio Eastern Sentry.

Apesar da vontade política e do forte aumento do investimento em tecnologia antidrones em toda a UE, que segundo relatos terá aumentado seis vezes entre 2024 e 2025, prevê-se que apenas um terço dos programas europeus antidrones venha a produzir resultados até 2030.

Manter o apoio à Ucrânia e às suas prioridades de defesa, num novo ano de agressão russa, é também um ponto central da agenda do programa de trabalho da Comissão.

“Continuaremos a investir e a reforçar as nossas capacidades de defesa, nomeadamente no domínio da defesa aérea e antimíssil, dos sistemas de drones e antidrones e da munição”, indica o programa de trabalho.

A Ucrânia prevê canalizar até mil milhões de euros do seu empréstimo - Ukraine Support Loan - de 90 mil milhões de euros para um programa da UE concebido para aproximar a sua indústria de defesa dos parceiros europeus, com foco na defesa aérea e antimíssil, nos drones, nos sistemas antidrones e na munição.

Luca Bertuzzi contribuiu para esta reportagem.

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