Chegada do Grande Prémio de Espanha faz subir até 1 000 % os preços dos arrendamentos temporários de luxo em Madrid e em Valdebebas, com alguns apartamentos a anunciar-se por 20 000 euros durante a prova
Madrid prepara-se para a chegada da Fórmula 1 à cidade com uma competição paralela à desportiva: a escalada dos preços do alojamento. O Grande Prémio de Espanha, que se disputará de 11 a 13 de setembro no circuito Madring, disparou o custo dos arrendamentos temporários nas zonas próximas ao traçado, assim como nalguns dos bairros mais exclusivos do centro da capital.
Nas últimas semanas ainda era possível encontrar ofertas de casas para arrendar em Valdebebas, onde se situa o circuito, junto ao Ifema, por preços que chegavam aos 20.000 euros para estadias de apenas alguns dias. Nalguns casos, os proprietários limitavam expressamente a disponibilidade ao período da competição.
“A 1 minuto a pé do circuito Madring: vive o GP de Fórmula 1 de Espanha 2026 a partir do chalé de luxo melhor localizado de Madrid”, lia-se num dos anúncios que ainda na passada terça-feira se podia encontrar (fonte em espanhol) na plataforma AirBNB, no qual eram pedidos 11.400 euros por quatro dias numa “casa pensada para grupos VIP”.
A subida dos preços torna-se particularmente evidente quando comparada com os valores habituais da zona. Algumas destas casas chegam a multiplicar por várias vezes o custo de um arrendamento mensal convencional, que neste bairro ronda os 2.500 euros por mês, aproveitando a forte procura concentrada num único fim de semana.
“Há proprietários de casas que, mesmo vivendo nelas, as põem a arrendar”, comentava em declarações à ‘Antena 3’ Mario Serrano, fundador e diretor da Inmobiliaria Valdebebas. “Graças à Fórmula 1, o bairro de Valdebebas passou a estar no centro das atenções”.
Até 500 euros por um lugar de garagem
A pressão sobre o alojamento estende-se até aos lugares de estacionamento. Em Valdebebas foram registadas ofertas de até 500 euros por um lugar de garagem para este próximo fim de semana.
A forte procura está igualmente ligada às previsões de afluência. Já foram vendidas mais de 120.000 entradas e, segundo as estimativas dos organizadores, mais de 80.000 espetadores chegarão de fora da Comunidade de Madrid, entre eles cerca de 45.000 provenientes de outros países.
O impacto económico previsto ajuda a explicar o interesse empresarial suscitado pela prova. Um relatório da PwC, citado (fonte em espanhol) pela própria organização do Grande Prémio, estima em 467 milhões de euros o impacto económico da competição na região e prevê a criação de cerca de 8.850 postos de trabalho.
Alojamento para equipas, patrocinadores e clientes VIP
A proximidade ao circuito tornou-se numa das principais vantagens competitivas das casas anunciadas. Em muitos anúncios sublinha-se a possibilidade de ir a pé para o circuito, de ter vistas sobre o traçado ou de evitar os previsíveis problemas de mobilidade que surgirão durante a realização do Grande Prémio.
De acordo com imobiliárias citadas pela imprensa local, grande parte desta procura vem das escuderias e dos patrocinadores, bem como do pessoal da organização e de clientes VIP; todos eles perfis com uma capacidade de gasto muito superior à da maioria dos espetadores.
O fenómeno não se limita às habitações. Os hotéis também aumentaram as tarifas perante a chegada dos milhares de visitantes que se prevê que viajem até Madrid por causa da corrida. Uma análise da Simon-Kucher, citada pelo canal ‘Antena 3’, aponta para um preço médio de 1.071 euros por noite durante o fim de semana do Grande Prémio, mais 147% do que na semana anterior.
Centro de Madrid, ponto de encontro para visitantes ‘prime’
Embora o circuito fique na zona do Ifema, ou seja, nos arredores do centro da cidade, o mercado de arrendamento de luxo está sob uma pressão particularmente forte no centro histórico da capital. A imobiliária Barnes, especializada em habitação de alto standing, calcula que as rendas ‘prime’ chegaram a registar aumentos de até 1.000% face a uma semana normal, segundo referem meios de comunicação locais.
Os bairros de Salamanca, Chamberí, Chamartín e os Jerónimos estão entre as zonas onde este efeito é mais evidente. Segundo a imobiliária, o visitante de elevado poder de compra nem sempre privilegia ficar instalado junto ao circuito, preferindo localizações centrais e bairros considerados de luxo.
“Este lugar único tem um estilo próprio. Desfruta do Grande Prémio de Madrid a partir de uma localização privilegiada e com o máximo conforto”, lia-se num anúncio publicado (fonte em espanhol) na AirBNB, no qual se oferecia um “alojamento inteiro” de cinco quartos, no bairro de Chamartín, por 17.100 euros, de sexta a segunda-feira.
Um pouco mais em conta é o apartamento que, para essas mesmas datas, se arrenda no bairro de Salamanca por 14.600 euros, e que se publicita (fonte em espanhol) como “ideal para desfrutar do Grande Prémio com uma experiência de alto nível”.
Assim, a chegada da Fórmula 1 a Madrid não só pôs em marcha uma nova competição desportiva na capital espanhola como, pelo menos durante os próximos dias, a proximidade ao circuito, a disponibilidade de um lugar de garagem ou o facto de dispor de amplos espaços em pleno centro histórico se tenham tornado elementos-chave da outra grande corrida que se vive estes dias na cidade: a daqueles que procuram tirar o máximo rendimento às suas casas graças à realização do Grande Prémio.