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Nancy Sinatra critica Trump por usar "My Way" do pai: "É um sacrilégio"

«Isto é sacrilégio»: Nancy Sinatra critica Donald Trump por usar «My Way» do pai Frank
"Isto é sacrilégio": Nancy Sinatra critica Donald Trump por usar "My Way" do pai Frank Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De David Mouriquand
Publicado a Últimas notícias
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Donald Trump publicou recentemente um excerto de Frank Sinatra a cantar o seu tema emblemático "My Way". Sem contexto, só o vídeo. Agora, Nancy, filha de Frank, reage publicamente...

Donald Trump gosta de publicar mensagens noturnas na Truth Social, e estas têm-se tornado cada vez mais bizarras.

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Quer seja a ameaçar o Irão com a destruição total ou a publicar uma imagem altamente polémica em que se apresenta como Jesus, há uma regra que devia aplicar-se a toda a gente: depois da meia-noite, o melhor é afastar-se do ecrã e ir dormir a sério.

Numa das publicações mais recentes, Trump partilhou um excerto de Frank Sinatra a cantar o tema emblemático "My Way".

Sem contexto. Sem desabafo. Apenas o célebre Blue Eyes a fazer o que faz melhor.

A publicação deixou muita gente apreensiva, sobretudo tendo em conta a atual turbulência geopolítica. Seria apenas Trump a desfrutar das doces melodias de Swoonatra ou estaria a tentar dizer-nos alguma coisa?

O comentador Harry Sisson respondeu à publicação escrevendo: “Porque é que Donald Trump está a publicar um vídeo de Frank Sinatra a cantar 'My Way' em plena noite? Pelos vistos, a situação com o Irão está MESMO muito má…”

Alguns ficaram alarmados por verem o quase octogenário a publicar quando devia estar a descansar, enquanto outros se concentraram na letra de "My Way" escrevendo: “O presidente Trump partilhou um excerto de Frank Sinatra a interpretar My Way. ‘And now, the end is near / And so I face the final curtain… I did it my way'. A sugerir alguma coisa?”

Seja como for, a filha do “Sultan of Swoon”, Nancy Sinatra, criticou duramente Trump por partilhar imagens do pai.

Na rede X, Nancy escreveu: “Isto é um sacrilégio.”

A cantora, atriz e escritora respondeu depois a um utilizador que perguntou se era possível fazer alguma coisa em relação à publicação de Trump: “Infelizmente, não. As únicas pessoas que podem fazer alguma coisa são os editores.”

Nancy Sinatra também voltou a partilhar comentários de fãs que lembraram que Frank, que morreu aos 82 anos em 1998, não teria concordado com a atuação de Trump enquanto presidente.

“@NancySinatra confirmará mais uma vez que o pai detestava Donald Trump”, lia-se numa das mensagens, enquanto outra acrescentava: “Trump pode adorar Sinatra, mas Sinatra não gostava de Trump.”

A utilização de música por Trump continua a gerar polémica.

De Creedence Clearwater Revival a Tom Petty, passando por Neil Young, The Rolling Stones, Adele, Foo Fighters, Céline Dion, The White Stripes, ABBA e muitos outros, vários artistas já criticaram Trump por usar as suas canções sem autorização.

Entre outros casos, Bruce Springsteen contestou, em 2016, o facto de Trump usar 'Born in the U.S.A.' como hino patriótico, quando a canção é, na realidade, uma crítica dura ao tratamento dado aos veteranos do Vietname; Rihanna exigiu que Trump deixasse de tocar 'Don’t Stop the Music' depois de a música ter sido usada num comício em 2018; e os R.E.M. indignaram-se com a utilização dos temas 'Losing My Religion', 'Everybody Hurts' e 'It’s the End of the World as We Know It (And I Feel Fine)' em comícios.

Em 2020, o espólio de Leonard Cohen divulgou um comunicado a criticar a utilização não autorizada, por parte de Trump, de 'Hallelujah' na Convenção Nacional Republicana, depois de ter recusado explicitamente o pedido de autorização. O espólio acrescentou, com alguma ironia, que só teria considerado aprovar, realisticamente, a canção de Cohen 'You Want It Darker'.

Do ponto de vista jurídico, os políticos norte-americanos dispõem de alguma margem quando se trata de usar canções como bem entendem, o que deixa muitos músicos desesperados.

Com efeito, os políticos nos Estados Unidos nem sempre precisam da autorização dos artistas, já que as campanhas podem comprar pacotes de licenciamento a organizações de direitos musicais, o que lhes dá acesso legal a milhões de canções para comícios políticos.

Os artistas têm, no entanto, o direito de retirar a sua música dessa lista.

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