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Alemanha nos documentos sobre OVNIs do Pentágono: que papel desempenha

Na sexta-feira, 8 de maio de 2026, documentos sobre OVNIs divulgados pelo Pentágono são fotografados em Washington.
Na sexta-feira, 8 de maio de 2026, em Washington, fotografam-se dossiers sobre OVNIs divulgados pelo Pentágono Direitos de autor  AP Photo
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De Nela Heidner
Publicado a Últimas notícias
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O New York Times acompanha há anos a divulgação de dossiês sobre OVNIs nos EUA. Os novos documentos não tratam só de avistamentos e recuam até à II Guerra Mundial, onde a Alemanha surge repetidamente.

Objetos luminosos no céu, relatórios militares enigmáticos e dossiês mantidos sob sigilo durante décadas: novos documentos sobre OVNIs oferecem uma visão de alguns dos casos mais intrigantes das últimas décadas.

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Uma parte central destes arquivos históricos são relatos de pilotos aliados dos últimos meses da Segunda Guerra Mundial. Descreviam objetos voadores luminosos, que se deslocavam a alta velocidade e acompanhavam os seus aviões sobre a Alemanha. Esses fenómenos ficaram mais tarde conhecidos como “Foo Fighters”.

Na pasta (fonte em alemão) (fonte em inglês) lê-se literalmente:

Na noite de 22 de dezembro de 1944, duas luzes elevaram-se do solo perto de um avião da 415th Night Fighter Squadron, atingiram a sua altitude, posicionaram-se durante cerca de dois minutos atrás da cauda e “afastaram-se de novo” – sempre, segundo a tripulação, sob “controlo total”. O radar terrestre confirmou que não havia aeronaves inimigas na área.

Esses encontros repetiram-se várias vezes. Ao longo de um período de seis semanas, tripulações da 415th sobre a Alemanha e França relataram luzes vermelhas, verdes, alaranjadas e de cor âmbar que voavam em formação com os seus aparelhos, acompanhavam as manobras de evasão e aproximavam-se até cerca de 30 metros. Os pilotos chamaram a estes fenómenos “Foo Fighters”.

O Air Ministry britânico analisou os relatos e concluiu, num memorando classificado como secreto em março de 1945, que “todo o assunto continua algo enigmático”.

Em separado, pilotos reportaram também a observação de um cilindro de alumínio com cerca de 3,6 metros de comprimento, a aproximadamente 2 700 metros de altitude. Sob fogo das aeronaves, o objeto perdeu parcialmente a forma e apresentou um brilho vermelho, mas não se desintegrou. Os serviços de informação classificaram-no como provável “bomba de flak” alemã.

Para as luzes misteriosas, ninguém encontrou uma explicação clara. O dossiê permaneceu sob sigilo durante 80 anos.

1945: Dossiê com relatos de pilotos de combate sobre “fenómenos enigmáticos” (Foo Fighters), objetos cilíndricos suspensos e luzes invulgares.
1945: Dossiê com relatos de pilotos de combate sobre “fenómenos enigmáticos” (Foo Fighters), objetos cilíndricos suspensos e luzes invulgares. Department of War

As forças armadas analisaram várias hipóteses explicativas. Uma possibilidade era tratar-se de armas secretas alemãs até então desconhecidas ou de aviões experimentais com propulsão por foguetes ou jato de novo tipo. As investigações, porém, não encontraram provas conclusivas.

Estados Unidos: relatórios do FBI e “OVNIs nazis”

Entre os documentos divulgados contam-se também relatórios históricos do FBI das décadas de 1940 e 1950, onde surgem informações sobre alegados desenvolvimentos alemães de aeronaves em forma de disco. Alguns destes indícios referem-se a possíveis projetos secretos de investigação na área de Berlim e em regiões perto da fronteira austríaca.

Estes relatos não resultam, contudo, de análises técnicas ou de dossiês militares confirmados, baseiam-se sobretudo em declarações de informadores, rumores e indicações dos serviços de informações da imediata pós-guerra. Refletem sobretudo quais eram, na altura, as pistas que as autoridades consideravam dignas de seguimento.

Os documentos não fornecem provas de que a Alemanha nazi tenha realmente desenvolvido “discos voadores” operacionais com desempenhos de voo extraordinários. Historiadores enquadram muitas destas narrativas no contexto de especulações sobre armas secretas alemãs, guerra psicológica e a procura, por parte dos Aliados, de tecnologia alemã avançada.

Nos memorandos da SHAEF e do Air Ministry de 1944/45 são descritas repetidamente, entre outras, luzes vermelhas, verdes, alaranjadas e de cor âmbar que pareciam mover-se de forma controlada, voavam em formação com os aviões e por vezes aproximavam-se a curta distância.

Alguns observadores mencionam objetos em forma de seta. Apesar desta diversidade, surgem padrões recorrentes: muitos dos corpos voadores descritos parecem não ter asas, rotores ou sistemas de propulsão convencionais identificáveis. São-lhes atribuídas propriedades invulgares, como permanecer aparentemente imóveis no ar, acelerar de forma súbita ou executar manobras difíceis de conciliar com as tecnologias conhecidas.

Estados Unidos: formas luminosas e manobras de voo inexplicáveis

Investigações posteriores, como o programa da Força Aérea dos EUA Project Blue Book (1947-1969), também registaram uma grande variedade de relatos de observações. Testemunhas descreveram, entre outros, formas geométricas luminosas, objetos em forma de disco ou de flecha e fenómenos sem asas, rotores ou sistemas de propulsão tradicionais visíveis. Alguns relatos referem objetos que pareciam permanecer imóveis no ar, acelerar abruptamente ou executar manobras de voo difíceis de explicar com as tecnologias aeronáuticas então disponíveis.

Para além dos documentos históricos, os arquivos reúnem numerosos registos mais recentes. Desde a revelação pública, em 2017, do programa AATIP (Advanced Aerospace Threat Identification Program) do Pentágono, os Estados Unidos alargaram as investigações sobre os chamados UAP (Unidentified Anomalous Phenomena).

O Departamento de Defesa criou novas estruturas para recolher e avaliar observações invulgares feitas por militares. O Pentágono divulgou ainda várias imagens de objetos voadores não identificados até então classificadas, incluindo vídeos filmados por pilotos da Marinha em 2004 e 2015, com fenómenos que inicialmente não puderam ser identificados de forma inequívoca.

Em alguns documentos, militares relatam, após encontros a curta distância, queixas físicas como náuseas, dores de cabeça, irritações cutâneas ou sintomas neurológicos. O que está por detrás destas observações não esclarecidas continua a ser motivo de debate. As hipóteses vão desde fenómenos técnicos conhecidos e erros de interpretação até explicações de alcance mais vasto.

Registado por um F/A-18 em 21 de janeiro de 2015, ao largo da costa da Califórnia. O vídeo mostra um objeto alongado que voa a alta velocidade contra a direção do vento.
Registado por um F/A-18 em 21 de janeiro de 2015, ao largo da costa da Califórnia. O vídeo mostra um objeto alongado que voa a alta velocidade contra a direção do vento. Navy UAP

Esta nova transparência na gestão dos documentos do Pentágono é acompanhada com atenção na Europa. Especialistas de segurança e defesa seguem as iniciativas dos EUA, uma vez que fenómenos aéreos invulgares são cada vez mais vistos como um possível tema de segurança e de recolha de informações.

Entre história e especulação

Os arquivos agora divulgados revelam sobretudo uma realidade: o interesse por fenómenos de voo invulgares vem de longe e está estreitamente ligado a acontecimentos históricos como a Segunda Guerra Mundial. A Alemanha surge nos documentos, mas os registos não fornecem provas de naves extraterrestres ou de “discos voadores” secretos alemães.

Mostram antes como forças armadas e serviços de informações tentam há décadas explicar observações invulgares – e como daí nasceram mitos que perduram até hoje.

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