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Itália: chuva torrencial e inundações na Ligúria, Lombardia e Toscana

Ponte destruída na Lombardia
Ponte destruída na Lombardia Direitos de autor  vigilfuoco.tv
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De Andrea Barolini
Publicado a Últimas notícias
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Várias regiões foram atingidas por uma perturbação que provocou trovoadas excecionais, rajadas de vento fortes e tempestades de relâmpagos.

Em poucas horas, o calor extremo que há semanas castigava o norte de Itália deu lugar a precipitações excecionais, inundações e a uma queda acentuada das temperaturas. As zonas mais afetadas foram a Ligúria, a Lombardia e o norte da Toscana.

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A vaga de calor no mar, que elevou a temperatura do Mediterrâneo acima dos 33 graus Celsius ao largo da ilha espanhola de Maiorca, forneceu o “combustível” para a perturbação que se abateu sobre a região, segundo os dados registados pela agência meteorológica espanhola AEMET (fonte em espanhol). Assim, quando chegou o primeiro fluxo de ar mais fresco e instável, o choque com as massas de ar quente que permaneciam sobre as regiões setentrionais, juntamente com a humidade acumulada no mar, desencadeou os primeiros fenómenos extremos do final de verão.

Ligúria regista 40 mil relâmpagos em 24 horas

A Ligúria foi a primeira a sofrer as consequências. Segundo a Proteção Civil, caíram 40 mil relâmpagos sobre a região. Um deles atingiu na manhã de quinta-feira, 20 de agosto, um comboio Frecciabianca que tinha partido da estação de Génova com destino a Roma, obrigando à paragem da composição e à saída dos passageiros.

Na capital regional, as trovoadas provocaram danos significativos sobretudo nos estabelecimentos balneares, em particular entre Cogoleto e Arenzano, onde cabines, espreguiçadeiras e chapéus de sol foram arrastados pela força do vento.

Também a agricultura registou perdas importantes. A confederação de agricultores Coldiretti disse que no interior do Tigullio verifica-se uma situação considerada “alarmante”, sobretudo para a olivicultura: “O quadro que se desenha é o de um ano perdido para a colheita da azeitona, recebemos igualmente relatos de perdas no setor vitivinícola.”

Outro relâmpago atingiu o centro de controlo do tráfego ferroviário da estação de Ventimiglia, na zona de Ponente, levando à suspensão da circulação de comboios.

No mar em frente a Tigullio formou-se ainda aquilo a que os meteorologistas chamam uma “supercélula”, que gerou precipitações extraordinárias em poucos minutos. Em 24 horas caíram 200 milímetros de chuva em Chiavari e Lavagna, enquanto se formava uma tromba de água na zona de Rapallo. Várias estradas ficaram inundadas nos três municípios, com danos em infraestruturas e lojas. Também caíram árvores nas colinas de Sestri Levante.

Na parte norte da Toscana, foram registados mais de 23 mil relâmpagos. O Laboratório de Monitorização e Modelação Ambiental para o Desenvolvimento Sustentável (Lamma) explicou que “em doze horas registaram-se 60 a 70 milímetros (de precipitação por metro quadrado) nas províncias de Massa-Carrara, Lucca e Grosseto, e de 40 a 50 milímetros nas zonas de Siena, Pisa e Livorno”.

Quanto aos ventos, registaram-se rajadas até 106 km/h na costa pisana, 103 km/h na província de Florença, 93 km/h na Gorgona, 92 km/h em Viareggio e 86 km/h na zona de Arezzo. Em Grosseto, o vento destapou o teto de um edifício.

Lombardia enfrenta chuvas torrenciais e retira 350 pessoas

Na Lombardia, as áreas mais atingidas foram as províncias de Brescia, Sondrio e Bérgamo. Em Sonico, uma enxurrada arrastou para a estrada nacional 42, blocos de pedra e detritos, provocando o colapso de uma ponte. Na zona de Bérgamo, cerca de 350 pessoas foram retiradas devido a estes fenómenos meteorológicos extremos. Nos Alpes Orobie, perto do Lago de Como, foram registada até 250 milímetros de chuva (por metro quadrado), segundo o Centro Regional de Hidrometeorologia e Clima da Arpa Lombardia.

Na Alta Val Brembana, ainda na província de Bérgamo, desmoronou-se um talude ao longo de uma estrada provincial, enquanto a queda de árvores danificou vários automóveis estacionados. Na manhã de sexta-feira, 21 de agosto, seis municípios (Valleve, Carona, Foppolo, Branzi, Valbondione e Gandellino) continuavam isolados. Por fim, um parque de campismo em Isola di Fondra foi evacuado por estar em risco devido a um possível deslizamento de terras.

Impacto das alterações climáticas nos fenómenos meteorológicos extremos

Embora sejam necessárias análises específicas (fonte em italiano) para atribuir um acontecimento meteorológico isolado ao aquecimento global, a comunidade científica avisa há décadas que o aumento da temperatura média global, provocado pelas atividades humanas, a começar pela queima de carvão, petróleo e gás, vai aumentar a frequência, intensidade e duração dos fenómenos meteorológicos extremos.

Não se trata apenas de ondas de calor, secas e incêndios como os que nas últimas semanas atingiram França e Espanha, mas também de precipitações excecionais e inundações, como as registadas nas últimas horas no norte de Itália.

Em particular na Europa, o aquecimento climático parece estar a ser mais rápido do que a média mundial, o que aumenta a probabilidade de ocorrência destes fenómenos. Segundo o serviço europeu de monitorização climática Copernicus, o recorde de temperatura média para o período junho–julho, estabelecido em 2022, foi ultrapassado este ano devido às ondas de calor extremo que, desde o fim de maio, atingiram a Europa ocidental, fazendo subir a temperatura média bimestral para 21,62 °C.

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