Apple apresentou na quarta-feira a nova geração de iPhones, incluindo um modelo dobrável muito aguardado, o Duo.
O novo CEO da empresa, John Ternus, que sucedeu a Tim Cook em 1 de setembro, apresentou os mais recentes produtos da Apple na sede da empresa em Cupertino, na Califórnia.
Depois de passar em revista outras atualizações do iPhone, do Apple Watch e dos AirPods, Ternus disse ao público presente no Steve Jobs Theater que “na verdade há mais uma coisa”, numa referência à expressão de marca de Jobs, que o lendário fundador da empresa, já falecido, foi buscar à série policial dos anos 70 “Columbo”.
O telemóvel dobrável tem “o maior ecrã alguma vez num iPhone e, mesmo assim, cabe no bolso”, afirmou Ternus.
O aparelho desdobra-se para um ecrã de 7,6 polegadas, 80% maior do que o do novo iPhone 18 Pro. Permite usar uma Apple Pencil no telemóvel, uma funcionalidade até agora reservada aos utilizadores de iPad. O Duo, disse Ternus, “vai redefinir a experiência de utilização de um telemóvel dobrável”.
O Duo permite dividir o ecrã para usar duas aplicações diferentes no dispositivo, ou duas janelas do mesmo site para, por exemplo, comparar preços. Com um preço inicial de 1.999 dólares (cerca de 1.719 euros), é o iPhone mais caro de sempre.
O Duo “ia sempre ofuscar os restantes anúncios da Apple neste evento”, afirmou Ben Wood, diretor de análise da CCS Insight. “O aparelho traz um novo design distintivo à gama de iPhones e assinala a entrada da empresa no segmento, ainda de nicho, dos smartphones dobráveis.”
Wood acrescentou que, embora seja certo que haverá procura pelo Duo, cujo preço é inferior ao previsto por alguns analistas, os modelos dobráveis continuam a representar menos de 5% do mercado global de smartphones.
Novos modelos do iPhone 18
Segundo Ternus, o iPhone 18 Pro e o 18 Pro Max trazem melhorias na bateria, na câmara e no desempenho. Os preços começam nos 1.199 e 1.299 dólares, respetivamente. Os clientes podem fazer pré-encomendas a partir de 12 de setembro e os telemóveis chegam às lojas em 18 de setembro, embora o Duo só fique disponível em 23 de outubro.
Os novos modelos oferecem uma autonomia prolongada, com 45 horas de reprodução de vídeo no Pro Max, e um carregamento mais rápido. A câmara disponibiliza aquilo a que a Apple chama “efeitos cinematográficos” a partir de vídeos comuns gravados com o telemóvel, bem como novas opções de controlo manual e “seguimento inteligente de foco”, que permite manter o foco num único objeto em movimento, como uma criança durante um jogo de futebol.
Com estes telemóveis, a Apple aposta também nas novas capacidades de inteligência artificial da Siri, sublinhando a privacidade e a segurança para se diferenciar de rivais que já vão mais longe na integração da IA.
Muitos dos principais concorrentes da Apple, como a Samsung, a Motorola e a Google, já lançaram smartphones dobráveis. A Apple, porém, não costuma apressar-se na adoção de novas tecnologias.
“Este lançamento de um modelo dobrável segue à risca o manual da Apple: esperar que o produto resolva os seus problemas iniciais e que o mercado dê sinais de viabilidade, para depois entrar e moldar a categoria”, afirmou o analista da Forrester, Dipanjan Chatterjee. Mas, acrescentou, a questão é saber se a empresa conseguirá alargar a procura por aquilo que continua a ser uma categoria de produto de nicho.
Face às gerações anteriores, o iPhone 18 custa cerca de mais 100 dólares (86 euros), em parte devido à escassez global de chips de memória. O preço do iPhone 17 varia entre 799 dólares (687 euros) e 1.999 dólares (1.719 euros), consoante o modelo.
No início deste ano, a Apple apresentou avanços em inteligência artificial, incluindo melhorias no assistente Siri, reforçando o foco na privacidade e na utilização no dia a dia, numa altura em que a empresa tenta recuperar terreno face aos rivais na IA.
Ternus assume protagonismo
Segundo Chatterjee, a intervenção principal de Ternus foi a oportunidade para definir o tom da sua visão sobre o futuro da Apple.
“John Ternus herda talvez o mais bem-sucedido gigante da tecnologia de consumo dos tempos modernos. Isso é, ao mesmo tempo, uma vantagem e um peso para ele. A execução, a escala e a capacidade de monetização aperfeiçoadas por Tim Cook colocam a fasquia muito alta, e Ternus tem de prolongar esse percurso”, afirmou Chatterjee. “Mas terá de manter esse ímpeto enquanto prepara a Apple para se reinventar num futuro próximo, quando o iPhone, ou qualquer smartphone, aliás, deixar de ser o principal canal dos consumidores para o mundo.”
Wood assinalou que, com todo o entusiasmo em torno do Duo, a chegada oficial de Ternus ao cargo de CEO “pareceu ser uma notícia menos marcante” do que esperava.
“Este evento assinala uma transição suave a partir de Tim Cook, e o facto de coincidir com o lançamento do iPhone Duo foi, sem dúvida, planeado”, afirmou Wood. “No entanto, apesar da atenção mediática em torno deste novo dispositivo, será a força conjunta do hardware, do software e dos serviços da Apple a impulsionar a empresa.”