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Europa: países que mais importam petróleo bruto

Uma lancha passa ao largo de um navio de carga geral ancorado no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irão, domingo, 6 de setembro de 2026.
Uma lancha passa junto de um navio de carga geral fundeado no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, domingo, 6 de setembro de 2026 Direitos de autor  AP
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De Piero Cingari
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Brent ultrapassa 100 dólares após novos ataques no estreito de Ormuz. Dados da Eurostat revelam que países europeus compram mais petróleo e quem está mais exposto

O crude Brent superou os 100 dólares por barril na quarta-feira e manteve-se firme na manhã de quinta-feira, após novos ataques contra navios na proximidade do Estreito de Ormuz.

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Mantém-se acima dos 70 dólares desde meados de fevereiro, há quase sete meses, e acumula uma subida de 65,7% desde o final de 2025, quando o ano terminou nos 60,85 dólares.

Mas já não se trata apenas de uma questão do mercado da energia.

Um crude mais caro aumenta o custo do gasóleo, da gasolina e do combustível de aviação. Esses aumentos propagam-se depois pelas redes de transporte, pelas cadeias de abastecimento e, em última instância, pelos preços ao consumidor.

Para a Europa, o momento dificilmente podia ser mais desfavorável.

A inflação na zona euro já se situava em 3,3% em agosto, o valor mais elevado desde setembro de 2023. Só os preços da energia aumentaram 14,3% em termos anuais.

É por isso que se espera que o Banco Central Europeu aumente na quinta-feira a taxa de depósito em um quarto de ponto, para 2,50%. Nos Estados Unidos, os contratos de futuros atribuem cerca de 60% de probabilidade a uma subida de juros da Reserva Federal em 16 de setembro.

Mas que países europeus estão mais expostos ao choque dos preços do petróleo?

Europa quase totalmente dependente do petróleo estrangeiro

A vulnerabilidade estrutural da Europa face aos combustíveis fósseis é evidente.

A União Europeia importou 471,3 milhões de toneladas de petróleo bruto em 2024, produzindo internamente apenas 15,5 milhões de toneladas.

A dependência global de importações de petróleo atingiu 96,6%, segundo o Eurostat.

Ou seja, quase todos os barris adicionais consumidos no bloco têm, na prática, de vir do estrangeiro.

Os Estados Unidos, o Cazaquistão e a Noruega foram os três maiores fornecedores, cada um responsável por entre 12% e 15% das importações.

Seguiram-se a Líbia, com mais de 9%, a Arábia Saudita, com 6,8%, e a Nigéria e o Iraque, com 5,8% cada.

Apenas cerca de 7% das importações de crude da UE vieram de países do Conselho de Cooperação do Golfo em 2025, de acordo com o Conselho da União Europeia.

A Europa está, por isso, menos diretamente dependente dos produtores do Golfo do que muitas economias asiáticas. Mas o petróleo é transacionado num mercado global.

Uma perturbação no Estreito de Ormuz faz subir os preços do crude norte-americano ou norueguês, tal como dos barris oriundos do Médio Oriente.

Que países europeus importam mais petróleo

Em volume, os Países Baixos importam muito mais petróleo do que qualquer outro país europeu.

Os dados do Eurostat para 2024, o último ano completo disponível, mostram que o país importou 138,3 milhões de toneladas de petróleo e produtos petrolíferos.

Segue-se a Alemanha, com 117,8 milhões de toneladas, a Espanha, com 85,8 milhões, a França, com 82,4 milhões, a Itália, com 73,3 milhões, e a Bélgica, com 56,7 milhões.

No entanto, estes números precisam de contexto.

Roterdão é um dos maiores centros energéticos do mundo. Grande parte do crude que entra nos portos neerlandeses é refinado ou encaminhado para outros países europeus.

Os Países Baixos exportaram 101,1 milhões de toneladas das 138,3 milhões que importaram. A Bélgica também reexportou mais de metade das suas importações.

A Alemanha é o verdadeiro grande importador, devido à dimensão da sua economia industrial, da sua rede de transportes e do seu setor de refinação.

Espanha, França e Itália importam igualmente volumes significativos para abastecer o consumo interno e grandes refinarias.

Os dados do Eurostat indicam que a Alemanha representou 20,1% do consumo final de petróleo e produtos petrolíferos da UE em 2024. A França seguiu com 15,3%, enquanto Itália e Espanha representaram 11,1% cada.

Em conjunto, estas quatro economias consumiram quase 58% do total da UE.

Economias mais pequenas podem sofrer choque relativo maior

Os volumes mostram quem compra mais, mas não revelam quais são as economias que sofrem mais.

Uma medida mais útil de vulnerabilidade compara as importações líquidas de energia com a dimensão e a estrutura da economia interna.

O Eurostat acompanha o saldo líquido da balança comercial em produtos energéticos como percentagem do PIB. Malta registou o maior défice do bloco em 2025, equivalente a 5,4% do seu PIB.

Seguiram-se a Bulgária, com um défice de 3,5% do PIB, a Croácia, com 3,4%, a Hungria, com 2,9%, a Bélgica, com 2,6%, o Luxemburgo, com 2,5%, e Chipre, com 2,4%.

As grandes economias situavam-se mais perto da média. O défice da balança energética de Itália foi equivalente a 1,9% do PIB, seguido por Espanha e Polónia, com 1,7%. A Alemanha e a França registaram ambas défices de 1,5%.

Os défices mais reduzidos foram registados pela Dinamarca, com 0,1% do PIB, pela Suécia, com 0,5%, e pelos Países Baixos, com 0,6%.

A Dinamarca beneficia da produção interna de petróleo e gás, enquanto a posição dos Países Baixos reflete o seu papel como grande centro de refinação e reexportação.

Países dependentes do turismo também sofrem forte impacto

A dependência de importação de petróleo de Espanha, que mede a parte do consumo coberta por importações líquidas, atingiu 100,3% em 2024.

A taxa de Portugal foi de 99,9%, enquanto a Irlanda registou 101%.

As três economias dependem de crude importado ou de produtos refinados para quase todo o seu abastecimento de petróleo.

Malta importou 99,6% das suas necessidades de petróleo em 2024. Chipre importou 97,3%.

A exposição é ampliada pela importância do transporte, da aviação e do turismo.

Quase dois terços do petróleo consumido na UE destinam-se ao transporte.

Só o transporte rodoviário representou 47,7% do consumo total em 2024, segundo o Conselho da União Europeia.

A aviação representou mais 9,2%, enquanto o transporte marítimo foi responsável por 8,4%.

Essa composição é relevante para o sul da Europa.

A subida dos preços do combustível de aviação aumenta os custos das companhias aéreas que operam em Espanha, Portugal, Grécia, Chipre e Malta.

Preços mais elevados do gasóleo afetam hotéis, restaurantes e comércio através de cadeias de abastecimento mais caras.

As empresas de turismo podem, numa primeira fase, absorver parte do aumento. Se o petróleo se mantiver acima dos 100 dólares, porém, é mais provável que os custos superiores cheguem aos consumidores através das tarifas aéreas e dos preços do alojamento.

A Dinamarca é o país menos dependente, com 58,1%, seguida pela Roménia, com 77%, e pela Hungria, com 83,5%.

A Itália situa-se nos 89,8%, a Alemanha nos 96,9% e a França nos 99,8%.

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