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Quem é o homem que vai liderar a Apple na era da inteligência artificial

FOTO DE ARQUIVO – Logótipo da Apple iluminado numa loja em Munique, em 2 de abril de 2026
FOTO DE ARQUIVO - O logótipo da Apple está iluminado numa loja em Munique, em 2 de abril de 2026. Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Angela Barnes com AFP
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John Ternus assume na terça-feira a liderança executiva da Apple, herdando uma empresa dominante nos smartphones mas atrás da concorrência na inteligência artificial.

Um dos maiores desafios será equilibrar a dependência da empresa da China, ao mesmo tempo que faz frente à intensa pressão política da Casa Branca.

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A passagem de testemunho encerra os 15 anos de liderança de Tim Cook, substituindo o especialista em operações que construiu a cadeia de abastecimento da Apple pelo engenheiro que desenvolveu o seu hardware.

Com 51 anos, Ternus integrou a equipa de design da Apple em 2001 e foi subindo até se tornar vice‑presidente sénior de engenharia de hardware, reportando diretamente a Cook.

Lidera as equipas de engenharia por trás de toda a gama de produtos da Apple, incluindo os iPhones que geram a maior parte das receitas da empresa.

Terá pouco mais de uma semana para se adaptar, com a Apple a realizar o seu evento anual do iPhone a 9 de setembro, onde deverá revelar o primeiro telefone dobrável.

“Tim Cook deixou a casa em ordem fenomenal”, afirmou Dan Ives, sócio e diretor‑geral sénior da empresa de investimento Yorkville Ives & Co.

“Mas agora cabe a Ternus definir o capítulo da inteligência artificial.”

Ives espera que o novo presidente executivo se apoie naquilo que conhece melhor.

“Não há razão para mexer no que já funciona”, disse, antecipando que Ternus se concentrará na inovação de hardware, mantendo intacta a cadeia de abastecimento construída por Cook.

Alguns analistas defenderam que o responsável pela área de software, Craig Federighi, seria a escolha mais lógica para uma empresa que tenta recuperar terreno na inteligência artificial.

Carolina Milanesi, analista na Creative Strategies, considera que essa visão não corresponde à forma como os consumidores adotam a tecnologia.

“Os consumidores continuam a comprar primeiro o hardware, e isso vai manter‑se durante muito tempo”, afirmou. “Não se descobre o valor da inteligência artificial se não houver interesse pelo hardware.”

Ternus licenciou‑se em engenharia mecânica pela Universidade da Pensilvânia e trabalhou como engenheiro na Virtual Research Systems antes de entrar para a Apple.

Internamente é‑lhe atribuída a liderança de um esforço para tornar os produtos mais duráveis, fiáveis e resistentes, bem como trabalho de conceção que reduziu a sua pegada de carbono.

A questão mais difícil é que tipo de líder virá a ser.

“Mesmo quem o conhece hoje não o conhece como presidente executivo”, sublinhou Milanesi.

“Pode conhecê‑lo como responsável pela engenharia, mas quando se é presidente executivo, tudo muda. A responsabilidade é maior, o poder é maior. Passa‑se a dançar uma outra dança.”

“Aprender no cargo”

Essa lacuna é maior no papel geopolítico em que Cook se destacou, ao cortejar Pequim e a Casa Branca de Donald Trump para proteger uma cadeia de abastecimento que passa sobretudo pela China.

A operação industrial da Apple é das mais complexas na história empresarial, uma teia de centenas de fornecedores e linhas de montagem que Cook foi construindo minuciosamente ao longo de décadas.

Nos últimos anos, Cook começou a deslocar parte do trabalho para outros países – a montagem do iPhone para a Índia, outras produções para o Vietname –, mas a diversificação tem sido gradual, com a China, um dos maiores mercados consumidores da Apple, a continuar a ser o pilar do sistema.

A complicar a equação, Trump exigiu repetidamente que a Apple fabricasse iPhones em solo norte‑americano, ameaçando tarifas sobre os aparelhos produzidos no estrangeiro.

Cook escapou aos golpes mais duros da guerra comercial de Trump ao cultivar uma relação direta com o presidente, assumindo compromissos de investimento nos Estados Unidos e fazendo donativos políticos – tudo isto sem perder o alinhamento com Pequim.

O terreno político delicado será novo para Ternus.

“Em matéria de hardware, conhece o Apple Park como a palma da mão”, disse Ives sobre Ternus. “Mas, no palco global, essa será provavelmente uma das áreas em que terá de aprender no próprio cargo.”

Cook não se afasta muito. No mesmo dia torna‑se presidente executivo do conselho de administração da Apple, com um mandato que, segundo a empresa, inclui o diálogo com decisores políticos em todo o mundo.

“Foi uma solução muito inteligente”, considerou Milanesi, defendendo que a fórmula liberta Ternus de uma função que Cook assumiu sozinho durante anos.

O evento do iPhone de 9 de setembro será o primeiro teste público à transição.

Um iPhone dobrável representaria a alteração de design mais significativa em anos, e Ternus será o rosto dessa novidade – oito dias após assumir o cargo.

“Este é um momento que foi criado para ele”, concluiu Milanesi.

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