O mais recente relatório PISA da OCDE, baseado num teste padronizado realizado por jovens de 15 anos, revelou que o desempenho dos alunos nos países da OCDE atingiu um mínimo histórico em matemática e compreensão de texto.
Na terça-feira, foi revelado que as competências em matemática e leitura dos alunos têm vindo a diminuir em todo o mundo, sobretudo devido à digitalização e à diminuição da leitura por lazer, o que causou consternação e promessas de ação em toda a Europa.
O mais recente relatório PISA da OCDE, baseado numa prova padronizada realizada por jovens de 15 anos, conclui que o desempenho dos alunos nos países da organização atingiu mínimos históricos em matemática e leitura.
Na União Europeia, os alunos de Espanha, Croácia, Luxemburgo, Malta, Grécia, Roménia, Chipre e Bulgária ficam abaixo da média da OCDE em leitura, matemática e ciências.
Apenas Estónia, Finlândia, Irlanda, Áustria, Polónia e Chéquia apresentam resultados médios superiores à média da OCDE.
O ministro francês da Educação, Édouard Geffray, lamenta aquilo a que chama a “destruição cognitiva” dos jovens e reconhece que França precisa de agir para inverter a tendência.
“Os jovens que passam três horas por dia no telemóvel durante as aulas, que estão distraídos mais de três horas por dia, perdem o equivalente a quase dois anos letivos”, afirmou, criticando o “consumo excessivo de redes sociais”.
Numa entrevista ao diário Le Monde, Geffray apontou as escolas de ensino básico como “prioridade central do próximo quinquénio para aplicar as práticas pedagógicas mais eficazes”.
O relatório PISA registou a quebra mais acentuada na leitura, com os resultados a caírem 28 pontos entre 2015 e 2025 nos países da OCDE, sendo os alunos de famílias mais abastadas os que mais ficaram para trás.
Parte das razões para esta deterioração relaciona-se com a maior digitalização, o aumento do tempo passado em frente a ecrãs e a diminuição da leitura por prazer.
“O mais preocupante é o declínio precisamente das competências que mais importam na era da inteligência artificial: avaliar informação, estabelecer ligações entre múltiplas fontes e pensar de forma crítica sobre o que lemos”, lê-se no relatório.
Entretanto, a ministra da Educação de Espanha afirmou que a falta de compreensão leitora é “a raiz de todos os problemas educativos”, depois de os estudantes espanhóis terem registado o pior desempenho desde o início dos testes PISA, em 2000.
“Temos de continuar a trabalhar a compreensão leitora, porque é a base de tudo. Se não se percebe o que se lê, é impossível resolver um problema de matemática, física, química ou qualquer outra disciplina”, declarou Milagros Tolón à rádio Cadena Ser.
Tolón reconheceu que a quebra nos resultados escolares pode estar diretamente ligada às novas tecnologias.
“Isto pode ter a ver, como a OCDE já indicou, com o tempo de exposição aos ecrãs, hábitos de leitura apressados e superficiais e a crescente predominância de mensagens curtas na vida digital dos adolescentes”, acrescentou.
Indicou ainda que, desde 2024, Espanha tem promovido programas de cooperação para reforçar tanto a compreensão leitora como a matemática.
Mais de 760 mil adolescentes em dezenas de países realizaram, no ano passado, o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), cujos resultados foram divulgados na terça-feira.
China, Singapura, Taiwan, Japão e Coreia do Sul obtiveram as melhores classificações. Estónia, Reino Unido e Nova Zelândia também se destacaram.
A explicação para a queda tão generalizada dos resultados poderá estar num inquérito complementar preenchido pelos alunos.
Face a 2022, praticamente todos os países registaram uma diminuição do apoio das famílias à educação das crianças, sobretudo dos rapazes, medida através de perguntas sobre a frequência com que os pais falam com os filhos sobre os trabalhos da escola ou mostram interesse pela sua aprendizagem.
“Os pais veem-se mais como clientes da escola, e não como alguém que assume um interesse pessoal”, afirmou Andreas Schleicher, diretor para a educação e competências da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, que organiza o teste PISA.
Os alunos que disseram ter, pelo menos uma vez por semana, um familiar a perguntar-lhes o que fizeram na escola nesse dia obtiveram cerca de mais 35 pontos no teste de ciências do PISA, o equivalente a mais de um ano e meio de aprendizagem, em comparação com os estudantes cujas famílias demonstram menos interesse.
Este valor já inclui ajustamentos para diferenças socioeconómicas.
A distração digital é outro fator. Mais de um quarto dos alunos em países de elevado rendimento queixou-se de que os colegas se distraem com dispositivos digitais na maioria ou em todas as aulas de ciências.
Nos países com políticas rigorosas de controlo do uso de telemóveis nas escolas, os níveis de distração foram mais baixos.
Há, sem dúvida, uma forte associação entre o uso de dispositivos digitais para lazer e resultados mais baixos nos testes, afirmou Schleicher. Quando a tecnologia é utilizada para aprender, porém, os efeitos são mais subtis.
Os países em que os alunos do ensino secundário disseram usar dispositivos digitais cerca de duas a três horas por dia na escola registaram melhores resultados nos testes, mas as pontuações caíram quando o uso de tecnologia ultrapassou esse patamar.
Quase quatro em cada dez crianças nos Países Baixos correm o risco de concluir a escolaridade com baixos níveis de literacia, já que os resultados do PISA mostram que o país ficou abaixo da média europeia na última década.
A secretária de Estado da Educação Judith Thielen prometeu apresentar, no outono, um plano de ação para combater os baixos níveis de literacia.
“É minha ambição travar esta tendência negativa e revertê-la”, afirmou. “Quero ver melhores resultados dentro de três anos.”