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25 anos após 11 de setembro: UE alerta para nova ameaça terrorista ligada a jovens na Internet

As torres gémeas do World Trade Center ardem atrás do Empire State Building, em Nova Iorque, a 11 de setembro de 2001
As torres gémeas do World Trade Center ardem por trás do Empire State Building, em Nova Iorque, 11 de setembro de 2001 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Gregoire Lory & Gavin Blackburn
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Bots com inteligência artificial foram usados para reforçar o recrutamento e difundir ideologias terroristas, enquanto aplicações de IA serviram para pesquisar e preparar ataques

Um quarto de século após os ataques terroristas da Al-Qaeda contra os Estados Unidos (EUA), os grupos jihadistas continuam a representar uma grande ameaça à segurança na Europa, mas surgiu uma nova ameaça impulsionada principalmente por jovens na Internet, o que preocupa as autoridades.

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A dimensão exata da rede por trás do que está a ser designado como "extremismo violento niilista" não é clara. No entanto, investigadores policiais de nove países europeus identificaram cerca de 4 340 endereços URL ligados a "The COM" — nome pelo qual a comunidade online ficou conhecida —, durante uma campanha para a desmantelar, realizada em junho e julho.

"É violência pela violência", afirmou o coordenador de contraterrorismo da União Europeia (UE), Bartjan Wegter, na véspera do 25.º aniversário dos ataques de 11 de setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington.

No total, no ano passado, foram registados 45 ataques terroristas em 10 dos 27 países da UE, embora nenhum deles tenha sido um incidente de grande dimensão com vítimas em massa.

Cerca de metade foi frustrada ou falhou, mas seis pessoas perderam a vida. Um total de 486 pessoas suspeitas de ligações ao terrorismo foram detidas em 21 países-membros, de acordo com a agência policial da UE, a Europol.

O Coordenador da União Europeia para o Combate ao Terrorismo, Bartjan Wegter, fala durante uma entrevista à Associated Press em Bruxelas, a 3 de setembro de 2026
O coordenador de combate ao terrorismo da União Europeia, Bartjan Wegter, fala durante uma entrevista à Associated Press em Bruxelas, a 3 de setembro de 2026 AP Photo

Grupos jihadistas, frequentemente orientados ou inspirados por redes fora da Europa, estiveram por trás de 24 dos ataques e representaram mais de 70% das detenções.

De todos os detidos, cerca de um terço tinha menos de 18 anos, na sua maioria rapazes.

A Europol não mantém estatísticas sobre o extremismo violento niilista, uma vez que as definições deste variam e os atos podem enquadrar-se tanto na categoria da criminalidade comum como na do terrorismo.

Mas, na Finlândia, em 2025, um rapaz de 16 anos esfaqueou três colegas de turma do sexo feminino. Alegadamente, partilhou um "manifesto" em grupos do WhatsApp, gravou o ataque no Snapchat e pediu nas redes sociais que alguém guardasse e lhe entregasse o vídeo após a sua libertação.

No "manifesto", afirmou que queria fazer algo «"significativo" e "emocionante". Não foi apresentado qualquer motivo político para o seu ato de violência, de acordo com um documento da UE sobre a ameaça emergente da violência extremista niilista.

A violência como forma de entretenimento

"Trata-se, em grande medida, de um fascínio pela violência. É a violência como meio de se afirmar, como meio de ganhar prestígio nessas comunidades online", disse Wegter à agência de notícias AP. "Não existe uma ligação direta com a ideologia".

Na Itália, no ano passado, um rapaz de 15 anos planeou um homicídio para ganhar notoriedade online, segundo as autoridades locais. Ele guardava imagens e vídeos de agressões, homicídios, tiroteios em escolas e pornografia infantil no seu smartphone.

Wegter afirmou que este tipo de incidentes, que vêm a aumentar há dois ou três anos, não são isolados, mas sim organizados por redes online que são "muitas vezes impulsionadas por jovens, para jovens, envolvendo frequentemente rapazes jovens".

Uma mulher passa junto a uma projeção no Residence Palace, em Bruxelas, a 5 de abril de 2024
Uma mulher passa junto a uma projeção no Residence Palace, em Bruxelas, a 5 de abril de 2024 AP Photo

Segundo o coordenador de contraterrorismo da UE, estes incidentes "conduzem à violência no mundo real. Temos assistido a esfaqueamentos, como o de um jovem que esfaqueou um idoso sem qualquer motivo aparente".

Esses ataques são difíceis de prevenir ou rastrear. Envolvem frequentemente "jovens que, normalmente, não têm antecedentes criminais e que não deixam quaisquer vestígios para além dos que possam existir online, mas que, muitas vezes, se encontram por trás de barreiras e comunidades encriptadas", afirmou Wegter.

Conspiração online para cometer crimes no mundo real

No topo da lista de grupos no radar das autoridades está o 764, fundado por um americano que abandonou o ensino secundário, Bradley Cadenhead. Este homem cumpre uma pena de prisão de 80 anos por pornografia infantil e crimes sexuais, mas o grupo continua em atividade.

Na Alemanha, no ano passado, um homem de 20 anos, que se acredita ser um dos principais membros do 764, enfrentou 123 acusações por atos de "um nível inimaginável de brutalidade e desumanidade", incluindo homicídio, violação e abuso sexual de crianças, segundo o documento da UE.

Ao contrário do que acontecia há 25 anos, quando extremistas, na sua maioria da Arábia Saudita, entravam nos Estados Unidos e recebiam treino para se tornarem pilotos mortíferos, a ameaça terrorista que a Europa enfrenta hoje é, na sua maioria, organizada online.

"O ambiente online, apesar de todas as vantagens que traz, continua a ser demasiado permissivo", afirmou Wegter, que o descreveu como "uma placa de Petri para a ligação entre diferentes ameaças".

A sede da Europol em Haia, 10 de outubro de 2018
Sede da Europol em Haia, 10 de outubro de 2018 AP Photo

A IA em ascensão

Os defensores da privacidade insistem que as pessoas têm o direito fundamental de comunicar sem intrusões injustificadas. Acusam as autoridades e algumas empresas de minar as proteções através de software espião e outros métodos.

"As nossas forças de segurança têm de estar equipadas com os instrumentos e as ferramentas necessários para lidar com a ameaça tal como ela existe hoje", refere, ainda assim, Wetger, salientando que 85% das investigações decorrem no ambiente digital. "Isso significa que temos de nos adaptar a essa realidade".

Para o próprio diplomata neerlandês, isso significa dialogar mais com as autoridades e organizações de outros países, nomeadamente aqueles que esses grupos utilizam como base de operações.

Agentes da polícia patrulham em Udine, 14 de outubro de 2025
Agentes da polícia patrulham em Udine, 14 de outubro de 2025 AP Photo

"Porque o que acontece fora das nossas fronteiras tem impacto na nossa segurança", incluindo o que está a ser amplificado online, afirmou.

A Europol afirmou que os criminosos estão a explorar imagens e áudio para criar e editar propaganda, nomeadamente através de deepfakes, memes e GIFs. Também foram utilizados bots alimentados por IA para impulsionar o recrutamento e promover ideologias terroristas, enquanto aplicações baseadas em IA foram utilizadas para investigação com vista à preparação de ataques.

"O tipo de conteúdo violento, o conteúdo que incita à violência, a propaganda, os manuais, as táticas, tudo o que está disponível, é amplificado em grande medida pela IA", afirmou Wegter.

Outras fontes • AP

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