Défice no primeiro semestre supera previsão anual do Qatar. Doha diz que os cortes operacionais não abrangem salários nem projetos de capital, enquanto compradores europeus de gás encaram cancelamentos de entregas até início de novembro devido à guerra com o Irão.
Défice orçamental do Qatar mais do que duplicou no segundo trimestre de 2026, para 21,2 mil milhões de riais (5 mil milhões de euros), anunciou na terça-feira o Ministério das Finanças.
No primeiro trimestre, o défice tinha sido de 10,3 mil milhões de riais (2,44 mil milhões de euros).
As receitas totais atingiram cerca de 25,6 mil milhões de riais (6,06 mil milhões de euros), enquanto a despesa se fixou em aproximadamente 46,9 mil milhões de riais (11,1 mil milhões de euros).
A 25 de agosto, o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, contestou as notícias sobre cortes na despesa pública, afirmando que os números tinham sido retirados do contexto.
Precisou que as reduções divulgadas, até 30%, se aplicavam apenas a despesas operacionais e excluíam salários e projetos de investimento. Classificou as medidas como precauções temporárias introduzidas no início da crise regional.
Os dois défices trimestrais elevam o saldo negativo do primeiro semestre para 31,5 mil milhões de riais (7,45 mil milhões de euros), acima dos 21,8 mil milhões de riais (5,16 mil milhões de euros) inicialmente previstos para todo o ano de 2026.
Qatar: entregas de GNL perturbadas
Perturbações nas entregas de gás natural liquefeito do Qatar afetaram também compradores europeus.
A 28 de agosto, a energética italiana Edison informou que a QatarEnergy tinha prolongado a declaração de força maior sobre as entregas até ao início de novembro, elevando para 29 o número de carregamentos de GNL afetados ao abrigo do seu contrato de fornecimento.
A Edison afirmou que conseguia obter fornecimentos alternativos de gás e continuar a cumprir os seus compromissos com os clientes.
Dados de rastreamento de navios divulgados em 7 de setembro indicavam a presença de seis navios de GNL ligados ao Qatar, vazios, no golfo de Omã ou a caminho daquela zona.
O mesmo relatório citava dados da Kpler que mostravam que outro navio vazio tinha atravessado o estreito de Ormuz em direção ao Qatar.
Segundo o mesmo relatório, 15 navios de GNL carregados permaneciam dentro do Golfo, enquanto dois navios vazios tinham invertido a rota depois de se aproximarem do estreito. Estes movimentos, por si só, não permitiam concluir que as exportações regulares tinham sido retomadas.