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Canadá: Trump ataca álcool canadiano na nova escalada da guerra comercial

Arquivo - Presidente Donald Trump discursa num evento Steel Across America com a Tunnel to Towers Foundation, no Ellipse, em 8 set. 2026, em Washington
FOTO DE ARQUIVO - O presidente Donald Trump fala num evento “Steel Across America” da Fundação Tunnel to Towers, no Ellipse, em Washington, 8 de setembro de 2026 Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved.
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De Una Hajdari
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Presidente dos EUA agravou o confronto com Ottawa com novas tarifas e uma proibição de álcool, levando Carney a alertar que haverá um preço a pagar por manter a posição

Esqueça “Lake America”. Donald Trump abriu uma nova frente na sua disputa permanente com o Canadá e, desta vez, o alvo são as bebidas alcoólicas.

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Na terça‑feira, o presidente dos Estados Unidos agravou a guerra comercial com Ottawa, ao proibir importações de álcool e outros bens e ao aumentar tarifas noutros setores, num conflito que não dá sinais de abrandar.

O primeiro‑ministro canadiano, Mark Carney, manteve‑se firme, reconhecendo que afrouxar os laços económicos com os Estados Unidos terá um custo, mas insistindo que os benefícios acabarão por compensar.

Uma série de produtos canadianos, de colchões a lanchas a motor e carrinhos de golfe, ficará sujeita a uma sobretaxa de 50% a partir de 15 de setembro, segundo a ordem executiva assinada por Trump na noite de terça‑feira.

Uma outra proibição de importações, que incide sobre diversas bebidas alcoólicas e também sobre produtos lácteos como o soro de leite, entrará em vigor em 29 de setembro, ao abrigo de outras ordens executivas emitidas na mesma altura.

As tarifas de retaliação do Canadá entraram em vigor mais cedo, na própria terça‑feira, e aplicam‑se a 27,6 mil milhões de dólares canadianos (17,1 mil milhões de euros) em importações dos EUA, incluindo produtos de aço e alumínio e bens lácteos como queijo, em resposta às taxas anunciadas por Washington em 22 de agosto.

O Canadá tem “tudo o que precisamos para mudar de rumo e prosperar”, afirmou Carney numa mensagem em vídeo. “Essa mudança terá um custo. Há sempre um custo na ação. Mas não se compara ao custo de ficar parado.”

Contratos em risco

Em resposta às mais recentes taxas canadianas, Trump prometeu impedir empresas do Canadá de obter contratos com o governo dos EUA.

Numa publicação nas redes sociais, também na terça‑feira, Trump disse que tinha ordenado aos responsáveis que “REMOVAM produtos de origem canadiana” do programa de contratos de longa duração Multiple Award Schedules da Administração de Serviços Gerais (GSA).

Essas listas representam mais de 50 mil milhões de dólares (43 mil milhões de euros) por ano em contratos, acrescentou Trump.

Na segunda‑feira, Trump ameaçou tentar bloquear a venda de aviões da canadiana Bombardier Aviation, a menos que o fabricante de Quebec transfira a produção para os Estados Unidos.

Em resposta, a empresa aeroespacial destacou as dezenas de milhares de postos de trabalho que criou em todo o território dos EUA, com emprego direto em mais de 20 estados, incluindo o Kansas, o Texas, o Arizona e a Califórnia.

Os dois senadores republicanos que representam o Kansas disseram ter transmitido as suas preocupações à Casa Branca.

“Vou lutar para manter os mais de 1 200 postos de trabalho da Bombardier no Kansas. Já levei essa preocupação para dentro do Salão Oval”, escreveu o senador Roger Marshall na rede social X, com o senador Jerry Moran a deixar uma mensagem semelhante.

As tarifas impostas pelos EUA representam um risco moderadamente negativo para a economia canadiana no seu conjunto, segundo analistas, embora o impacto seja mais acentuado no setor industrial do centro do país.

Guerra de memes e mapas

“Não acredito em fazer escalar o conflito. Isso não é construtivo”, afirmou Carney na mensagem em vídeo de terça‑feira. “Mas as nossas tarifas são necessárias para proteger os nossos trabalhadores, proteger as nossas empresas e proteger as nossas comunidades. Isto tem a ver com quem somos enquanto canadianos.”

O ministro responsável pelo comércio com os Estados Unidos, Dominic LeBlanc, afirmou na noite de terça‑feira que Ottawa estava “a avaliar as mais recentes medidas tarifárias”.

As negociações entre as duas partes colapsaram em 21 de agosto, após vários dias de conversações em Washington.

Nessa altura, Carney afirmou que os negociadores norte‑americanos tinham introduzido, à última hora, restrições aos acordos comerciais do Canadá com outros países, bem como “ameaças” inaceitáveis à língua francesa e à “cultura quebequiana”.

Desde então, Ottawa e Washington não retomaram as conversações.

No domingo, Trump publicou uma ilustração em que surge muito mais alto do que Carney enquanto ambos jogam hóquei no gelo, acompanhada da legenda “Levanta‑te, governador”, numa alusão à ambição de transformar o Canadá noutro estado dos EUA.

Em agosto, assinou também uma ordem que rebatizou o lago Ontário, na fronteira com o Canadá, como “Lake America”, o que desencadeou indignação a norte da fronteira, numa altura em que a hostilidade do presidente norte‑americano alimentava uma vaga mais ampla de patriotismo.

Apesar de Carney contar com o apoio da opinião pública canadiana, o país continua dependente do vizinho: perto de 60% das importações do Canadá vêm dos Estados Unidos e cerca de 70% das exportações têm como destino o mercado norte‑americano.

O governo canadiano anunciou um pacote de ajuda de 7,5 mil milhões de dólares canadianos (4,65 mil milhões de euros) para ajudar empresas e trabalhadores a suportar o impacto.

Outras fontes • AFP

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