Símbolo de uma Noruega aberta e tolerante, o rei marcou profundamente ao celebrar a diversidade num discurso de 2016 que assinalou os 25 anos de reinado.
A Noruega despede-se do rei Harald V esta quarta-feira, figura moderna e unificadora, num funeral com a presença de monarcas europeus e dignitários estrangeiros.
O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, o príncipe William do Reino Unido, o casal real espanhol, os presidentes da Finlândia, da Alemanha e da Chéquia, bem como os primeiros-ministros de França e da Tailândia, contam-se entre os presentes em Oslo que vão prestar homenagem ao monarca de 89 anos, falecido a 28 de agosto.
O cortejo fúnebre parte do palácio real às 11h, hora de Lisboa.
O caixão seguirá em cima de um carro de artilharia pela principal avenida da cidade até à catedral luterana de Oslo, onde a cerimónia começa às 12h com um minuto de silêncio observado em todo o país.
A Família real norueguesa, liderada pelo novo rei Haakon VIII, monarcas estrangeiros, chefes de Estado e dignitários participam no cortejo a pé.
Só a viúva de Harald, a rainha Sonja, de 89 anos, e a nova rainha Mette-Marit, submetida a um transplante pulmonar em junho, seguem de automóvel.
Marius Borg Høiby, filho de Mette-Marit de uma relação anterior, que se encontra em prisão domiciliária enquanto aguarda o recurso de uma condenação por violação e agressão, recebeu autorização para assistir ao funeral.
Entre os restantes convidados anunciados contam-se o príncipe herdeiro Akishino e a princesa Kiko, do Japão, as famílias reais escandinavas, os casais reais da Bélgica e dos Países Baixos, o príncipe Alberto do Mónaco e o rei Abdullah II da Jordânia.
Segurança reforçada
No final da cerimónia religiosa, quatro caças F-35 sobrevoam a catedral em formação “missing man”, enquanto o caixão é levado para a capela do castelo de Akershus.
Ali será colocado na cripta do mausoléu real, ao lado dos pais e avós de Harald.
Harald será sepultado num sarcófago avaliado em 2 milhões de dólares (1,7 milhões de euros), cujo desenho permanece secreto.
Concluída a cerimónia, bandeiras em todo o país, que tinham sido colocadas a meia-haste após a morte de Harald, serão novamente içadas e os sinos das igrejas tocarão durante uma hora.
A polícia norueguesa mobilizou perto de 3.000 agentes naquela que descreve como “uma das maiores operações” da sua história.
Foram igualmente destacados cerca de 3.500 militares, enquanto restrições excecionais ao espaço aéreo foram impostas sobre grande parte da região oriental do país.
Até à sua morte, Harald, que subiu ao trono em 1991, era o mais idoso monarca em exercício na Europa.
Apesar dos crescentes problemas de saúde nos últimos anos, sempre excluiu a hipótese de abdicar e era extremamente popular entre os noruegueses.
Símbolo de uma Noruega aberta e tolerante, deixou uma forte marca ao celebrar a diversidade num discurso de 2016 que assinalou o 25.º aniversário do seu reinado.
“Os noruegueses são raparigas que gostam de raparigas, rapazes que gostam de rapazes e raparigas e rapazes que gostam uns dos outros”, afirmou, acrescentando: “Os noruegueses acreditam em Deus, em Alá, no Universo e em nada.”
Monarquia revigorada
Milhares de noruegueses passaram pelo caixão do rei na última semana, alguns chegaram a esperar horas na fila.
A praça em frente ao palácio ficou coberta de flores, desenhos e velas.
“Era o avô da nação”, afirmou Gunn Johnsen, de 81 anos, em declarações à agência noticiosa AFP na terça-feira, explicando que fez uma viagem de uma hora de comboio para lhe prestar a última homenagem.
“Generoso, inclusivo, bondoso”, acrescentou a amiga Vigdis Simonsen, de 64 anos.
Perto da Universidade de Oslo, um grande painel exibia uma fotografia de Harald sorridente com a inscrição “Obrigado por tudo”.
Quase 72% dos noruegueses disseram apoiar a monarquia, mais oito pontos percentuais do que num inquérito realizado em maio, segundo uma sondagem efetuada após a morte do rei e divulgada na semana passada.
O apoio tinha caído para o nível mais baixo em fevereiro, quando 60% se declararam a favor da manutenção da monarquia e 27% contra.
Nessa altura, a família real estava envolvida numa série de escândalos que prejudicaram a sua imagem.
Mette-Marit, em particular, enfrentava fortes críticas pelas ligações passadas ao falecido norte-americano condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein e pelos problemas judiciais do filho.
Embora Haakon VIII, de 53 anos, seja muito popular, as opiniões sobre a nova rainha continuam profundamente divididas.