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Luís Neves diz que sai "quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender"

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa imagem partilhada no Facebook do Ministério
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, numa imagem partilhada no Facebook do Ministério Direitos de autor  Ministério da Administração Interna via Facebook
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De Catarina Martins
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O ministro da Administração Interna, Luís Neves, está, esta terça-feira, a ser ouvido no Parlamento, numa audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A audição acontece antes do debate e votação de uma moção de censura apresentada pelo Chega.

"Quando é que me vou embora? Quando o Governo terminar ou quando o primeiro-ministro entender". Foi desta forma que Luís Neves respondeu, esta terça-feira, quando questionado sobre a sua permanência no Governo durante a audição no Parlamento.

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Pedro Pinto, do Chega, acusou Luís Neves de não ter esclarecido as polémicas em que está envolvido e afirmou que o ministro "não tem condições nem credibilidade" para liderar a Administração Interna. "Quando é que se vai embora?", questionou.

Em resposta, Luís Neves reiterou estar disponível para prestar esclarecimentos "em local próprio" e recusou antecipar o desfecho dos inquéritos e investigações em curso.

Balanço dos últimos meses

Luís Neves iniciou a intervenção com um balanço do trabalho realizado nos últimos meses desde que assumiu o Ministério da Administração Interna, afirmando que o objetivo tem sido responder aos problemas imediatos sem perder de vista as necessidades do setor.

O ministro defendeu a necessidade de colocar "mais segurança no terreno", modernizar os instrumentos de segurança e reforçar a capacidade do Estado.

Sobre a segurança em Lisboa e no Porto, reconheceu que os cidadãos querem mais meios e considerou que "isso é legítimo". No entanto, sublinhou que a PSP tem falta de meios, defendendo uma reorganização dos recursos.

Só em Lisboa, Luís Neves quer libertar 400 polícias de tarefas administrativas. No total, serão 500 agentes libertados para reforçar o trabalho no terreno. "Não se trata de reduzir a presença, mas concentrar recursos para garantir uma melhor resposta", afirmou.

"Nunca haverá zero crimes"

Luís Neves afirmou que os problemas de segurança "não devem nunca ser desvalorizados", referindo-se em particular ao "gang do Rolex". O ministro reconheceu que há fenómenos criminais que exigem atenção, mas sublinhou que "nunca haverá zero crimes" e defendeu que os dados não sustentam um cenário de insegurança generalizada. Acrescentou que um aumento da criminalidade pode também resultar de uma maior proatividade policial.

Sobre os aeroportos e fronteiras, disse ter encontrado uma situação de "grande instabilidade", que considera estar hoje substancialmente diferente. Segundo Luís Neves, desde domingo a recolha de dados biométricos está a ser feita a 100%, sem perturbações, com reforço de recursos humanos e da cooperação, tendo os tempos de espera diminuído significativamente.

Na segurança rodoviária, destacou a aprovação da estratégia de prevenção 2030, destinada a reduzir o número de mortos e feridos graves, que recebeu mais de 60 contributos de diferentes instituições. Sublinhou ainda o regresso da Brigada de Trânsito da GNR.

Combate aos incêndios

Luís Neves destacou ainda o reforço do dispositivo de combate aos incêndios rurais. Segundo o ministro, a área ardida até ao momento é 74% inferior à registada no mesmo período de 2025, considerando o resultado positivo, apesar de a campanha ainda não ter terminado. Cerca de 95% dos incêndios foram dominados na fase inicial, resultado que atribuiu ao trabalho dos bombeiros.

Sobre o SIRESP, afirmou que, após o apagão de 2025, foi nomeada uma nova direção e está em curso uma renovação técnica do sistema, num investimento de 35 milhões de euros. Segundo Luís Neves, a rede teve este ano um desempenho "notável" durante os grandes incêndios, sem queixas dos utilizadores.

Para o futuro, o ministro defendeu um planeamento plurianual dos meios da GNR e da PSP e destacou que este é o primeiro ano, nos últimos 15, em que a PSP abriu dois concursos, numa resposta à necessidade de rejuvenescimento das equipas.

Luís Neves abordou ainda as polémicas relacionadas com o período em que dirigiu a Polícia Judiciária, afirmando estar "inteiramente disponível para o escrutínio" e admitindo que alguma decisão possa vir a ser considerada errada, cabendo às autoridades competentes essa avaliação. O ministro reiterou, contudo, a lisura da sua conduta, garantindo que nenhuma das decisões tomadas visou o enriquecimento próprio ou de terceiros, nem prejudicar o interesse público.

Luís Neves ouvido no parlamento antes de Governo enfrentar moção de censura

O ministro da Administração Interna, Luís Neves, está, esta terça-feira, a ser ouvido no Parlamento, numa audição regimental na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. A audição acontece antes do debate e votação de uma moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo.

Luís Neves deverá ser questionado não só sobre as políticas do Ministério da Administração Interna, mas também sobre as várias polémicas relacionadas com o período em que dirigiu a Polícia Judiciária.

Entre os casos estão as suspeitas de irregularidades em obras numa propriedade do ministro em Odemira, realizadas por um empreiteiro que ganhou 17 contratos de obras para a PJ. Está também em causa a entrega ao mesmo empreiteiro de um atrelado apreendido numa operação contra o tráfico de droga, bem como a utilização, por Luís Neves, de um carro apreendido num processo que envolveu o traficante conhecido como "Xuxas".

Os três casos estão a ser investigados pelo Ministério Público. Há ainda processos a decorrer no Tribunal Administrativo e Fiscal de Beja e no Tribunal de Contas, relacionados com a atividade de Luís Neves enquanto diretor nacional da PJ.

Quanto à moção de censura apresentada pelo Chega ao Governo, que será debatida e votada hoje no Parlamento, o chumbo está já garantido. Esta é a terceira moção de censura que Luís Montenegro enfrenta, num contexto marcado pelas polémicas em torno de Luís Neves, que deram origem a três inquéritos-crime, um processo no Tribunal de Contas e uma investigação administrativa.

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