“NAZA”, novo documentário dos autores de “No Other Land”, Yuval Abraham e Rachel Szor, recebeu 24,5 minutos de aplausos de pé, um recorde na estreia em Veneza.
O único documentário selecionado para a competição principal do Festival de Cinema de Veneza deste ano estreou-se ontem e surgiu como sério candidato ao Leão de Ouro.
NAZA, o novo filme dos realizadores israelitas de No Other Land, Yuval Abraham e Rachel Szor, mostra “em detalhe os sistemas por detrás da matança em massa calculada de civis palestinianos em Gaza”, segundo a sinopse oficial.
O documentário de 80 minutos, de tema sensível, rodado em segredo à noite nos telhados de Telavive durante a atual guerra em Gaza, inclui entrevistas com 24 oficiais de informações militares israelitas, soldados e denunciantes. Falam sobre a forma como os palestinianos são escolhidos como alvo – daí o título do filme, uma sigla militar usada de forma corrente pelas Forças Armadas israelitas para indicar o número de civis que se espera que morram num bombardeamento aéreo em Gaza. Corresponde a “Nezek Agavi”: danos colaterais.
O filme assenta em investigação publicada entre 2023 e 2025 pela revista israelo-palestiniana +972 Magazine, pela publicação em hebraico Local Call e pelo The Guardian.
NAZA valeu uma ovação de pé recorde de 24,5 minutos após a sua estreia – a mais longa alguma vez registada no festival.
Até agora, o recorde pertencia à realizadora tunisina Kaouther Ben Hania e ao seu filme passado em Gaza, The Voice of Hind Rajab, sobre a morte de uma menina de 6 anos, morta por fogo militar israelita quando tentava fugir da Cidade de Gaza com a família. O filme, que se estreou no ano passado em Veneza e foi um dos Melhores Filmes de 2025 da Euronews Culture, recebeu uma ovação de pé de 22 minutos.
No Other Land, de Yuval Abraham e Rachel Szor, estreou em 2024 e acompanhava a violência de colonos israelitas contra comunidades palestinianas na Cisjordânia. Venceu o Óscar de Melhor Documentário.
Falando numa conferência de imprensa ontem, Abraham afirmou: “Dissemos apenas a estes oficiais e soldados: por favor, descrevam-nos o que fizeram. Claro que surgiram outras perguntas, mas a principal era uma pergunta de detalhe – desenhem-nos o quadro, queremos saber como funcionava. E, às vezes, só o facto de fazer a pergunta faz com que surjam respostas.”
Numa entrevista à Variety, Abraham acrescentou: “Enquanto israelitas, percebemos que queríamos usar o tipo de posição que temos – o acesso que temos a pessoas da nossa própria sociedade que entraram para o exército – para olhar para esse sistema enquanto executava aquilo que todas as organizações de direitos humanos dizem ser um genocídio.”
NAZA é produzido pelo The Guardian, bem como por James Wilson e Jonathan Glazer, a dupla galardoada com o Óscar responsável pelo filme The Zone of Interest.
Com o festival de Veneza a terminar amanhã e perante a reação entusiástica a NAZA, permanece a pergunta: tornar-se-á apenas o terceiro documentário a vencer o Leão de Ouro, depois de Sacro GRA, em 2013, e All the Beauty and the Bloodshed, em 2022?
NAZA será exibido em Espanha, no Festival Internacional de Cinema de San Sebastián, a 23 de setembro, e depois no New York Film Festival, a 26 de setembro. À data de redação deste artigo, ainda não foi anunciada uma data oficial de estreia em sala, mas a distribuidora francesa MK2 Films assegura os direitos de vendas mundiais.
Vencedor do Leão de Ouro deste ano será anunciado no sábado, 12 de setembro.