Uma colaboração entre a Polícia e os Mossos d'Esquadra permitiu seguir o rasto, após inúmeros negócios em feiras, lojas e entre particulares, de um retábulo da Virgem da Imaculada pertencente a Santa Clara de Fitero
Perto da confluência entre La Rioja, Navarra, Saragoça e Sória, junto ao Alhama e de pé desde o século XII, ergue-se o Mosteiro de Santa María la Real de Fitero. A joia românica cisterciense, fundada pelo monge-guerreiro Raimundo de Fitero, foi alvo de um furto em 2010, quando de seis ermidas, duas igrejas e do próprio mosteiro da Comunidade Foral foi subtraída parte do património artístico.
Dezasseis anos depois, uma colaboração entre a Polícia Nacional e os Mossos d’Esquadra catalães permitiu recuperar um relevo em madeira entalhada, dourada e policromada que representa São Boaventura.
O autor, desconhecido, é associado à escola de Juan de Ancheta, um escultor guipuscoano nascido no século XVI e representante do estilo romanista. A peça foi recuperada em abril passado, mas só agora regressou ao seu local de origem.
Investigar o mercado negro de arte entre Madrid e Barcelona
A investigação começou a partir do atual proprietário da peça. Embora a tenha adquirido numa casa de leilões de Barcelona, a obra já tinha passado antes por várias mãos e estabelecimentos. As autoridades localizaram a origem da compra e venda fraudulenta no popular Rastro dominical de Madrid.
No final de abril, os agentes apreenderam a peça na capital catalã e comunicaram o caso à autoridade judicial competente, que ordenou a sua devolução às autoridades da Arquidiocese de Pamplona e Tudela, legítimas proprietárias.